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Pré-candidatos em São Paulo, Haddad e Bruno Covas recebem vaias em evento com Dilma

Guilherme Balza

Do UOL Notícias, em São Paulo

22/12/2011 15h23

Os pré-candidatos à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad (PT) e Bruno Covas (PSDB), foram vaiados durante a celebração do natal dos catadores de materiais recicláveis, evento realizado nesta quinta-feira (22) na capital paulista que contou com a presença da presidente Dilma Rousseff. Cerca de mil moradores de rua de catadores de vários Estados estiveram no evento.

Assim que apareceu diante do público, Haddad foi vaiado por um grupo de sindicalistas da UGT (União Geral dos Trabalhadores), que dividiam a plateia com os catadores.  A central sindical sempre foi próxima ao PSDB, mas recentemente se ligou ao recém-fundado PSD, do prefeito Gilberto Kassab.

Já o secretário estadual do Meio Ambiente, Bruno Covas, foi aplaudido pela UGT. O pré-candidato se aproximou de Kassab em outubro, quando a prefeitura interditou o shopping Center Norte por conta da existência de gás metano no subsolo do estabelecimento. Além disso, o PSD já sinalizou que deve apoiar um candidato tucano à prefeitura paulistana.

Posteriormente, Covas também foi vaiado ao assinar um convênio com o governo federal. A vaia partiu de catadores, que cobraram do governo do Estado o fim da incineração de resíduos. Sobre esse ponto, Dilma disse que pretende adotar alguma medida. “Me comprometo a fazer uma discussão séria sobre essa questão da incineração”, disse a presidente.

Lula ausente

Ao comparecer ao evento, a presidente Dilma manteve a tradição do antecessor Luiz Inácio Lula da Silva. Desde 2003, Lula participou dos encontros em todos os anos, mas não pode comparecer hoje por questões de saúde –o ex-presidente está em tratamento de um câncer na laringe.

Lula foi citado por Dilma durante várias vezes e foi lembrado pelos presentes, que fizeram uma oração ao ex-presidente e cantaram o bordão “olê, olê, olá, Lula, Lula”. 

“Já vim outras vezes, mas é a minha primeira vez aqui como presidente da República. Estou cumprindo o compromisso de que voltaria aqui. O Lula me passou essa herança de governo, e o compromisso que ele assumiu com vocês e eu vou cumprir”, afirmou Dilma.

Outro ministros, como Alexandre Padilha (Saúde), Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia) e Maria do Rosário (Direitos Humanos), compareceram à festa. Os senadores Eduardo Suplicy e Marta Suplicy também compareceram. Além de Dilma, que fez um longo discurso, nenhuma dos presentes falou ao microfone.

Dilma critica "limpeza humana"

No evento, Dilma foi cobrada por dirigentes do Movimento Nacional da População em Situação de Rua e do Movimento dos Catadores de Material Reciclável sobre a violência –inclusive policial– contra moradores de rua. Em 2011, 142 moradores de rua foram mortos no país.

“Com relação à violência contra a população de rua, o governo vai fazer tudo que puder. A gente não controla a polícia de cada Estado, mas acho fundamental criar com os governadores um diálogo para impedir isso [a violência contra moradores de rua]. De fato, está ocorrendo uma limpeza humana nas cidades do país”, disse a presidente. 

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), a indústria da reciclagem movimenta cerca de R$ 8 bilhões por ano e abrange até 1 milhão de pessoas que vivem diretamente da atividade. São aproximadamente 1,1 mil cooperativas e associações de trabalhadores no setor.

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