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Sem quórum, reunião da CPI mista da Petrobras é cancelada

Sem quórum, a reunião da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista da Petrobras foi cancelada - Luis Macedo/ Câmara dos Deputados
Sem quórum, a reunião da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista da Petrobras foi cancelada Imagem: Luis Macedo/ Câmara dos Deputados

Bruna Borges

Do UOL, em Brasília

18/06/2014 15h26Atualizada em 18/06/2014 16h37

Sem quórum, a reunião da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista que apura irregularidades na Petrobras foi cancelada nesta quarta-feira (18) e adiou a votação de requerimentos para a quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal do ex-diretor de Refino e Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Yousseff, ambos presos pela Polícia Federal durante a operação Lava Jato. A oposição acusou governistas de protelar os trabalhos de investigação da comissão.

Dos 32 parlamentares que compõem a CPI mista, eram necessários 17 para dar início à votação dos 379 itens, mas a reunião deliberativa nem foi aberta, pois não foi alcançado o número mínimo. Trinta minutos após o início da sessão, apenas dez parlamentares haviam assinado a lista de presença, mas são necessários onze para abrir a reunião.

A comissão reduziu o ritmo de trabalho nesta semana com os jogos da Copa do Mundo e com o feriado prolongado de Corpus Christi que se inicia amanhã (19). O colegiado vinha realizando reuniões às terças e quintas-feiras.

A expectativa da oposição era aprovar os requerimentos de quebra de sigilos. O líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR), chegou a pedir a remarcação de uma nova reunião deliberativa, mas o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), saiu da sala sem remarcar a sessão.

Vital disse ainda que a próxima semana o esvaziamento da sessão pode voltar a ocorrer por causa das convenções partidárias.

"A CPI foi inviabilizada com uma manobra do governo de protelar os trabalhos desde o início. Nós perdemos dois meses e com isso sepultamos as possibilidades de alcançarmos êxitos nos objetivos daqueles queriam realmente investigar", declarou o senador Alvaro Dias (PSDB-PR).

O relator da CPI, deputado Marco Maia (PT-RS), afirmou que hoje "era um dia de difícil mobilização diante do feriado”.

"É uma manobra protelatória daqueles que não querem investigar. [...] Talvez tenha muita gente interessada que aqueles que sejam aqui convocados ou quebras de sigilos sejam feitas não tem toda essa intenção que isso aconteça e isso se confunde com Copa do Mundo e proximidade de recesso. O que é ruim é que a sociedade deixa de estar esclarecida a respeito de pontos que ela quer sobre o que aconteceu com a Petrobras", disse o deputado Júlio Delgado (PSB-MG).

Na próxima quarta-feira (25) o colegiado irá ouvir o ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. O primeiro depoimento feito à CPMI foi da atual presidente, Graça Foster, e durou oito horas.

Na manhã desta quarta-feira, a CPI do Senado ouviu o gerente da área de Engenharia de Custos da Petrobras, Alexandre Rabello, sobre as suspeitas de superfaturamento na construção da refinaria Abreu e Lima. Ele disseque o custo inicial previsto em US$ 2,4 bilhões (R$ 5,6 bilhões) para construir a refinaria foi apresentado pela área de Abastecimento da estatal, que era comandada por Costa.

Operação Lava Jato

Costa é investigado por suspeita de corrupção e participação em um esquema bilionário de lavagem de dinheiro que, segundo a Polícia Federal, era comandado pelo doleiro que movimentou recursos de políticos e fornecedores da Petrobras.

O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba, que acompanha as apurações da operação Lava Jato determinou na última sexta-feira (13) que as provas da investigação sejam compartilhadas com as duas CPIs instaladas no Congresso sobre a Petrobras.

Os parlamentares terão acesso à investigação da PF sobre possíveis desvios de recursos públicos na construção da refinaria Abreu e Lima e informações sobre Costa e Youssef, incluindo detalhes sobre supostas contas bancárias secretas do ex-diretor em bancos da Suíça. Mas os dados permanecerão em segrego de Justiça.

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