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CPI da Petrobras aprova acareação entre ex-diretores e convoca Duque

O ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque foi preso na última sexta-feira pela PF - Márcia Foletto - 14.nov.2014/Agência O Globo
O ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque foi preso na última sexta-feira pela PF Imagem: Márcia Foletto - 14.nov.2014/Agência O Globo

Bruna Borges

Do UOL, em Brasília

18/11/2014 15h49Atualizada em 18/11/2014 17h03

A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista da Petrobras aprovou nesta terça-feira (18) uma  acareação entre os ex-diretores da estatal Nestor Cerveró (da área internacional) e Paulo Roberto Costa (da área de abastecimento) para falarem sobre as suspeitas de pagamento de propina e outras irregularidades. 

A comissão também aprovou a convocação do presidente licenciado da Transpetro, Sérgio Machado, e do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, preso na última sexta-feira (14) durante a  deflagração da sétima fase da operação Lava Jato. A operação investiga um esquema bilionário de lavagem e desvio de dinheiro. Duque seria ligado ao PT e teria chegado ao cargo por indicação do ex-ministro José Dirceu (PT).

O ex-diretor de Gás e Energia da Petrobras Ildo Sauer também foi convocado pela CPI. Os parlamentares aprovaram ainda a quebra do sigilo fiscal e telefônico do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Ele é investigado por participação em um suposto esquema de pagamento de propina a políticos envolvendo a Petrobras.

A oposição quer fazer um mutirão para ouvir os 23 presos pela Polícia Federal nesta etapa da investigação da Lava Jato. Além de Duque, estão presos executivos das principais empreiteiras do país.

“O senhor Paulo Roberto Costa afirmou que Nestor Cerveró recebeu propina sim. O Cerveró negou aqui no dia 10 de setembro. Então, vamos colocar os dois frente a frente”, afirmou o deputado Enio Bacci (PDT-RS), autor do requerimento sobre a acareação.

Costa e Cerveró já estiveram na comissão para prestar depoimento. Quando convocado, Costa ficou em silêncio e se recusou a dar esclarecimentos sobre as suspeitas sobre a Petrobras aos parlamentares. Ele cumpre prisão domiciliar no Rio e fez delação premiada. O ex-diretor afirmou à Justiça que políticos do PT, PMDB e PP teriam recebido propina de cerca de 3% para viabilizar contratos entre a estatal e fornecedores, segundo a revista “Veja”. 

Já Cerveró contestou conclusões do TCU (Tribunal de Contas da União) que apontavam irregularidades a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Para Cerveró, o TCU utilizou o cenário errado de um relatório elaborado pela consultoria Muse & Stancil para analisar a compra e  cometeu um "equívoco" ao analisar o caso.

Ainda não há previsão de quando os depoimentos devem ocorrer. Os trabalhos da CPI serão encerrados em 23 de novembro, mas há possibilidades de uma prorrogação caso os parlamentares apresentem um requerimento com 171 assinaturas pedindo o aumento do prazo de conclusão das investigações. Segundo o líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR), faltam menos de 70 parlamentares para alcançar o número necessário para a prorrogação.

"O governo está acuado por essa bandalheira que se instalou na Petrobras", declarou Bueno ao comentar a aprovação dos requerimentos de hoje. Para o parlamentar, antes os governistas evitavam a investigação, mas com a evolução da Lava Jato estão mais dispostos a apurar as irregularidades envolvendo a estatal.

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