Ato pró-Dilma no Rio tem roda de samba, mortadela e caipirinha

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em São Paulo

  • Hanrrikson de Andrade/UOL

    Manifestante tira foto do sanduíche de mortadela em bloco de Carnaval

    Manifestante tira foto do sanduíche de mortadela em bloco de Carnaval

Manifestantes contrários ao impeachment da presidente Dilma Rousseff participaram neste sábado (16) de um ato com blocos de Carnaval, artistas e músicos na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, em defesa do mandato da petista.

Além das palavras de ordem e da roda de samba que buscou animar o público, o protesto teve sanduíche de mortadela, vendido a R$ 1,99 para ajudar a quitar as despesas da mobilização, e caipirinha. A Polícia Militar e a Guarda Municipal acompanharam toda a movimentação à distância. Não houve registro de confusão.

A venda da mortadela é parte de brincadeira originada de uma provocação de grupos pró-afastamento de Dilma, que acusam movimentos sociais e centrais sindicais ligadas ao Partido dos Trabalhadores de darem um sanduíche do embutido para ampliar o número de presentes nos atos que defendem a presidente.

A manifestação ocorreu em frente ao prédio da Câmara dos Vereadores, ao lado do Theatro Municipal. Com estandartes e instrumentos musicais, mais de 20 blocos de Carnaval participaram do encontro, concentrado na escadaria da sede do Legislativo municipal.

Hanrrikson de Andrade
Senhora prepara sanduíche de mortadela vendido a R$ 1,99

A PM não divulga estimativa de público das manifestações de rua na capital fluminense.

O protesto atraiu a atenção de turistas e pessoas que aproveitavam o sábado em atividades de lazer. Foi o caso do jornalista Leonardo Pereira, 31, que foi ao centro da cidade para almoçar na rua do Ouvidor e visitar a livraria Al-Farabi, na rua do Rosário.

Hanrrikson de Andrade/UOL
Ato "carnavalesco" no Rio também teve direito a caipirinha

"Sabia que os blocos de Carnaval estariam aqui, isso me animou a caminhar até a Cinelândia depois do almoço. É uma boa forma de fechar o sábado de folga", disse.

Já a maranhense Laura Felício, que viajou ao Rio pela primeira vez, disse ter feito questão de ir ao protesto pela importância histórica da região do centro da cidade, palco de grandes manifestações. "Queria ter essa experiência, ir além dos livros de história", disse ela, em referência aos grandes atos que ocorreram durante a ditadura militar, sobretudo na avenida Rio Branco.

Fábio Motta/Estadão Conteúdo
Manifestantes cantam contra o "golpe" na Cinelândia, no Rio

Carnaval, carreatas e vigílias pelo Brasil

São Paulo

São Paulo também teve a véspera da votação do impeachment na Câmara marcada por uma espécie de Carnaval de rua contra o processo de afastamento da presidente.

Na praça do Patriarca, região central da capital paulista, foliões fantasiados, militantes de movimentos sociais e batuqueiros de várias agremiações carnavalescas participaram do ato "Arrastão dos Blocos Golpe Nunca Mais".

No início da noite, os manifestantes que participaram do arrastão seguiram de metrô para a região do largo da Batata, onde um grupo que reúne estudantes, artistas e integrantes de movimentos sociais faz uma vigília há uma semana com barracas, shows e atividades culturais.

Neste sábado, o ex-senador Eduardo Suplicy jogou futebol no local.

Rovena Rosa/Agência Brasil
O petista Eduardo Suplicy (à esq,), ex-senador, joga futebol em ato em São Paulo

Do outro lado, a favor do impeachment, motoqueiros fizeram uma carreata pela avenida Paulista. Eles carregavam bandeiras do Brasil e "pixulecos".

Faixas a favor da intervenção militar foram vistas durante o protesto. Houve também uma movimentação anti-Dilma em frente ao prédio da Fiesp, onde um grupo acampa há um mês.

Brasília

Em Brasília, o clima foi de preparação para o domingo. Telões foram instalados na Esplanada dos dois lados da barreira erguida para separar os manifestantes pró e contra o impeachment. Eles exibirão a votação no plenário da Câmara, que está prevista para começar às 14h.

Ricardo Marchesan / UOL
Telão é instalado na Esplanada dos Ministério. Mais sete como este devem ser colocados para transmissão do julgamento do processo de impeachment

Houve tensão apenas no início do dia, quando um dos seguranças de Lula desceu do carro que levava o ex-presidente de volta ao hotel e agrediu um manifestante com um soco. Um grupo pró-impeachment fez protesto com um "Mortadelão" inflável próximo ao local.

Para evitar mais problemas, membros da CUT e do MST fizeram um cordão de isolamento quando o ex-presidente deixou o hotel para seguir para o aeroporto rumo a São Paulo. Até o começo da noite, nenhum incidente tinha sido registrado na capital federal, mesmo com o início da concentração de grupos dos dois lados do muro. Cerca de 1.500 policiais militares fazem a segurança na região. O efetivo deve dobrar neste domingo.

Nordeste

Duas capitais nordestinas registraram atos a favor da presidente e contra o impeachment. Em Salvador, o MST começou o dia bloqueando uma estrada na região. No Recife, houve vigília na praça do Derby, com shows e eventos culturais, que deve durar até amanhã.

MG, PR e RS

Belo Horizonte e Curitiba também tiveram carreatas que apoiavam o impeachment. Motoristas se organizaram pelas ruas das capitais mineira e paranaense levando bandeiras e bonecos infláveis representando Dilma e Lula.

Em Porto Alegre, os bonecos infláveis conhecidos como "pixulecos" também eram comercializados no Parcão, local da capital gaúcha que abriga um acampamento anti-Dilma.

Mauro Vieira/Futura Press/Estadão Conteúdo
"Pixulecos", bonecos infláveis do ex-presidente Lula, são vendidos em parque de Porto Alegre

Apesar de agitado, o clima geral no país neste sábado foi de expectativa para a votação e sem grandes conflitos.

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