Alan Marques/Folhapress

Processo de impeachment

Contra impeachment, entidades planejam greves; sem-teto prevê "convulsão"

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

  • Marlon Costa/Futura Press/Estadão Conteúdo

    Integrantes de movimentos sociais interditam trecho de rodovia no Recife no dia 28

    Integrantes de movimentos sociais interditam trecho de rodovia no Recife no dia 28

Movimentos sociais contrários ao impeachment da presidente Dilma Rousseff devem realizar uma série de ações pelo país até a votação no plenário do Senado, por enquanto prevista para o dia 11 deste mês. Greves, marchas, bloqueios de ruas e ocupações de órgãos públicos estão na pauta de entidades de esquerda.

Entre os movimentos que defendem a saída de Dilma, as manifestações devem ficar apenas para o dia da votação, já que há um sentimento entre eles que é certa a aprovação da continuidade do processo de impeachment.

Do outro lado, isso elevou a intensidade das manifestações. Os protestos começaram a ganhar força na última quinta-feira (28), quando o MTST (Movimento de Trabalhadores Sem Teto) realizou bloqueios em oito Estados. "Ali foi apenas um primeiro exemplo. Se continuar esse processo, se essa agenda [liberal] de fato for levada [adiante] e implementada no país, nós teremos uma verdadeira convulsão social, não protagonizada pelos movimentos sociais, mas pelos trabalhadores. Negar isso é não compreender a dinâmica da luta social no país", disse Guilherme Boulos, líder do MTST, em entrevista coletiva no dia dos atos.

Os protestos organizados pelo grupo devem continuar até a votação no Senado e podem se agravar no caso de um eventual governo de Michel Temer (PMDB-SP).

Dia 10: previsão de greve em bancos e comércio

Os movimentos sociais estão unidos na "Frente Brasil Popular", que congrega diversas entidades contrárias ao impeachment. O grupo lançou um calendário que prevê várias ações a partir desta quinta-feira (5), chamado de "Dia Nacional de Luta contra a Globo e o Golpismo Midiático".

Na sexta, haverá mobilizações em Brasília, quando está prevista a votação do relatório na Comissão do Impeachment do Senado.

No dia 9, será instalada uma frente parlamentar em defesa dos direitos da classe trabalhadora.

O grande ato, porém, está marcado para o dia 10, quando está prevista uma paralisação nacional de bancos, fábricas e comércio, além de protestos em rodovias. O ato será na véspera da provável votação no Senado e será a "cartada decisiva" para tentar pressionar os senadores a rejeitarem a abertura de processo.

Ocupações no campo e estradas bloqueadas

Segundo o líder do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), Jayme Amorim, a união das entidades é uma estratégia fundamental neste momento para dar mais força aos atos. "A pauta não é mais do MST, é uma programação conjunta", disse.

Já sobre a atuação de trabalhadores do campo, existem marchas e acampamentos ocorrendo em todo o país, especialmente nas capitais. "Estamos com ocupações a superintendências do Incra e com marchas que estão chegando e vão continuar nas capitais. E têm ocupações ainda para ser realizadas", afirmou.

A frente também conta com pelo menos duas centrais sindicais. Em comunicado, a CUT (Central Única dos Trabalhadores) disse que "os próximos dias serão decisivos".

"Novas manifestações de massa deverão ser realizadas, entre 9 e 11 de maio, pressionando o Senado a se posicionar contra a continuidade do processo de impeachment", afirma em nota.

A CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) disse em nota que denuncia a "onda golpista que tenta acabar com os direitos do nosso povo".

"A militância da CTB deve empreender todo o esforço para trabalhar na paralisação de bancos, fábricas, comércio, protestos em rodovias e outras iniciativas", afirma o comunicado assinado pelo presidente da CTB, Adilson Araújo.

"Botar pitbull na rua é fácil. Difícil é tirar", diz Boulos, do MTST

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Oposição "tranquila"

Os movimentos que apoiam o impeachment têm agendas muito mais tranquilas para para esta semana, sem atos de rua anunciados.

O Movimento Brasil Livre informou ao UOL que, até a votação do plenário, haverá apenas "pressão online" aos senadores, cobrando votação a favor da abertura do processo. O Vem pra Rua disse que não há nenhum calendário previsto para pressionar senadores.

Maior central sindical a apoiar abertamente o impeachment, a Força Sindical também não tem atos previstos para os próximos dias.

Segundo o presidente da entidade, o deputado federal Paulinho da Força (SD-SP), há movimentação para o dia da votação no plenário do Senado e para a eventual posse de Michel Temer na Presidência.

"A maioria dos dirigentes da Força é favorável e vai conversar com os senadores a partir da semana que vem, embora acredite que já haja maioria tranquila para tirar a Dilma. A batalha [no Senado] já era, já acabou. No dia da votação, vamos levar gente para Brasília", disse.

Sobre as movimentações de centrais sindicais que querem paralisar as atividades no próximo dia 9, ele diz que a Força só ajudaria uma greve para "apoiar Temer". "Se tiver que fazer greve, é para mandar a Dilma embora o mais rápido possível."

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