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Maioria dos senadores investigados na Lava Jato votam pelo impeachment

Votação pelo impeachment no Senado teve apoio de investigados na Lava Jato - Reprodução/TV Senado
Votação pelo impeachment no Senado teve apoio de investigados na Lava Jato Imagem: Reprodução/TV Senado

Vinicius Konchinski*

Do UOL, no Rio de Janeiro

12/05/2016 13h50

Onze senadores investigados na Operação Lava Jato votaram na sessão que aprovou a abertura do processo de impeachment contra a Dilma Rousseff (PT), encerrada nesta quinta-feira (12). Oito deles deram aval ao afastamento temporário da presidente.

Os senadores investigados e favoráveis ao impeachment são Aécio Neves (PSDB-MG), Benedito de Lira (PP-AL), Ciro Nogueira (PP-PI), Edison Lobão (PMDB-MA), Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), Fernando Collor (PTC-AL), Gladson Cameli (PP-AC) e Valdir Raupp (PMDB-RO).

Os três senadores envolvidos na Lava Jato e que votaram contra o afastamento temporário da presidente são do PT: Humberto Costa (PT-PE), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Gleisi Hoffmann (PT-PR). Gleisi, aliás, já foi denunciada pela PGR (Procuradoria-Geral da República) por corrupção passiva e lavagem de dinheiro por conta de apurações da Polícia Federal e do Ministério Público.

Todos eles negam as acusações (veja as defesas detalhadas abaixo).

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), é alvo de inquérito da Lava Jato que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal), mas não votou. Antonio Anastasia (PSDB-MG) e Romero Jucá (PMDB-RR) votaram a favor do impeachment. Seus nomes foram envolvidos na Lava Jato, mas inquéritos contra ambos foram arquivados pelo Supremo.

Na Câmara dos Deputados, o impeachment de Dilma também foi apoiado por investigados na Lava Jato. Na sessão do dia 17 de abril, 16 dos 22 deputados federais investigados votaram a favor da continuidade do processo. Apenas quatro votaram contra o processo de impeachment de Dilma. Dois não votaram.

Senadores se defendem

O senador Aécio Neves virou alvo da Lava Jato no ano passado. O inquérito chegou a ser arquivado, mas foi reaberto na quinta (12) por determinação do ministro do STF Gilmar Mendes, depois que Aécio foi citado em delação do ex-senador Delcídio do Amaral. O senador declarou que “as investigações irão demonstrar a falsidade das citações feitas”.

O senador Benedito de Lira informou, via sua assessoria de imprensa, que o inquérito contra ele decorre de suspeitas sobre doações eleitorais. Segundo o senador, a doação foi legal. Isso, inclusive, já foi informado ao STF pelo senador, que diz ser inocente.

Fernando Bezerra Coelho ressaltou que o inquérito contra ele se encontra em fase investigatória. “O senador continua à disposição para prestar todo e qualquer esclarecimento às autoridades responsáveis pela investigação”, complementou ele, em comunicado.

Fernando Collor já declarou que o inquérito contra ele é resultado de uma “investigação seletiva” da PGR. Em discursos no plenário do Senado, Collor já reiterou que é inocente.

O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, que defende Edison Lobão, informou que não há provas contra o senador. Segundo ele, a Polícia Federal já solicitou o arquivamento da investigação. Lobão aguarda esse arquivamento.

Gladson Cameli nega as acusações. Diz que todas as doações a sua campanha foram legais. O senador informou que já prestou esclarecimentos à Justiça e aguarda o arquivamento do inquérito.

Valdir Raupp também declarou que as investigações estão relacionadas a doações de campanha devidamente declaradas à Justiça Eleitoral. Raupp informou via sua assessoria que é inocente.

Gleisi Hoffmann declarou via assessoria de imprensa que “todas as provas que constam no inquérito comprovam que não houve solicitação, entrega ou recebimento de nenhum valor por parte da senadora”. A denúncia contra ela não aponta qualquer ato concreto. “Baseia-se apenas em especulações que não são compatíveis com o que se espera de uma acusação penal”, complementou.

Humberto Costa refutou as acusações que lhe são feitas. Disse que já apresentou a sua defesa em diversas etapas do processo. Lembrou que o inquérito não avançou.

Lindbergh Farias reiterou que não é réu, mas investigado. Declarou que as doações de sua campanha foram oficiais, registradas, auditadas e aprovadas pela Justiça Eleitoral.

Ciro Nogueira foi procurado, mas não se pronunciou.

* Colaboraram Gustavo Maia e Hanrrikson de Andrade

 

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