Alan Marques/Folhapress

Processo de impeachment

Maioria dos senadores investigados na Lava Jato votam pelo impeachment

Vinicius Konchinski*

Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Reprodução/TV Senado

    Votação pelo impeachment no Senado teve apoio de investigados na Lava Jato

    Votação pelo impeachment no Senado teve apoio de investigados na Lava Jato

Onze senadores investigados na Operação Lava Jato votaram na sessão que aprovou a abertura do processo de impeachment contra a Dilma Rousseff (PT), encerrada nesta quinta-feira (12). Oito deles deram aval ao afastamento temporário da presidente.

Os senadores investigados e favoráveis ao impeachment são Aécio Neves (PSDB-MG), Benedito de Lira (PP-AL), Ciro Nogueira (PP-PI), Edison Lobão (PMDB-MA), Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), Fernando Collor (PTC-AL), Gladson Cameli (PP-AC) e Valdir Raupp (PMDB-RO).

Os três senadores envolvidos na Lava Jato e que votaram contra o afastamento temporário da presidente são do PT: Humberto Costa (PT-PE), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Gleisi Hoffmann (PT-PR). Gleisi, aliás, já foi denunciada pela PGR (Procuradoria-Geral da República) por corrupção passiva e lavagem de dinheiro por conta de apurações da Polícia Federal e do Ministério Público.

Todos eles negam as acusações (veja as defesas detalhadas abaixo).

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), é alvo de inquérito da Lava Jato que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal), mas não votou. Antonio Anastasia (PSDB-MG) e Romero Jucá (PMDB-RR) votaram a favor do impeachment. Seus nomes foram envolvidos na Lava Jato, mas inquéritos contra ambos foram arquivados pelo Supremo.

Na Câmara dos Deputados, o impeachment de Dilma também foi apoiado por investigados na Lava Jato. Na sessão do dia 17 de abril, 16 dos 22 deputados federais investigados votaram a favor da continuidade do processo. Apenas quatro votaram contra o processo de impeachment de Dilma. Dois não votaram.

Senadores se defendem

O senador Aécio Neves virou alvo da Lava Jato no ano passado. O inquérito chegou a ser arquivado, mas foi reaberto na quinta (12) por determinação do ministro do STF Gilmar Mendes, depois que Aécio foi citado em delação do ex-senador Delcídio do Amaral. O senador declarou que "as investigações irão demonstrar a falsidade das citações feitas".

O senador Benedito de Lira informou, via sua assessoria de imprensa, que o inquérito contra ele decorre de suspeitas sobre doações eleitorais. Segundo o senador, a doação foi legal. Isso, inclusive, já foi informado ao STF pelo senador, que diz ser inocente.

Fernando Bezerra Coelho ressaltou que o inquérito contra ele se encontra em fase investigatória. "O senador continua à disposição para prestar todo e qualquer esclarecimento às autoridades responsáveis pela investigação", complementou ele, em comunicado.

Fernando Collor já declarou que o inquérito contra ele é resultado de uma "investigação seletiva" da PGR. Em discursos no plenário do Senado, Collor já reiterou que é inocente.

O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, que defende Edison Lobão, informou que não há provas contra o senador. Segundo ele, a Polícia Federal já solicitou o arquivamento da investigação. Lobão aguarda esse arquivamento.

Gladson Cameli nega as acusações. Diz que todas as doações a sua campanha foram legais. O senador informou que já prestou esclarecimentos à Justiça e aguarda o arquivamento do inquérito.

Valdir Raupp também declarou que as investigações estão relacionadas a doações de campanha devidamente declaradas à Justiça Eleitoral. Raupp informou via sua assessoria que é inocente.

Gleisi Hoffmann declarou via assessoria de imprensa que "todas as provas que constam no inquérito comprovam que não houve solicitação, entrega ou recebimento de nenhum valor por parte da senadora". A denúncia contra ela não aponta qualquer ato concreto. "Baseia-se apenas em especulações que não são compatíveis com o que se espera de uma acusação penal", complementou.

Humberto Costa refutou as acusações que lhe são feitas. Disse que já apresentou a sua defesa em diversas etapas do processo. Lembrou que o inquérito não avançou.

Lindbergh Farias reiterou que não é réu, mas investigado. Declarou que as doações de sua campanha foram oficiais, registradas, auditadas e aprovadas pela Justiça Eleitoral.

Ciro Nogueira foi procurado, mas não se pronunciou.

* Colaboraram Gustavo Maia e Hanrrikson de Andrade

 

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos