"Governo do Rio se perdeu", diz Jorge Picciani (PMDB), presidente da Alerj

Gustavo Maia

Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Givaldo Barbosa 27.out.2016/Agência O Globo

    Governador Luiz Fernando Pezão

    Governador Luiz Fernando Pezão

Correligionário do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), o presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro), deputado Jorge Picciani (PMDB), disse que o governo do aliado "se perdeu" ao explicar que o Parlamento estadual vai contribuir para combater a crise.

Os deputados estaduais começaram nessa quarta-feira (16) a discutir o pacote de medidas de austeridade para combater o estado de calamidade no Estado, decretado em junho. O plano, que contém 21 projetos de lei, é alvo de protestos dos servidores públicos. O desta quarta teve confrontos entre PMs e manifestantes.

"Vamos fazer um esforço, mas certamente, o Parlamento é o que tem menos a cortar [...] Tem uma série de medidas que o parlamento vai cortar na carne e vai contribuir em função da gravidade da crise. A crise é nacional, aprofundada por um governo que se perdeu", declarou Picciani.

O presidente da Casa afirmou ainda que nenhuma das 21 propostas será votada no mês de novembro. "Esse momento é de discussão, estudos, recebimento de emendas, diálogos, debates. Na primeira semana de dezembro, eu vou divulgar a pauta de votações do mês inteiro", disse.

"Dia atípico"

O peemedebista, que pela manhã se reuniu com representantes de sindicatos e associações de servidores estaduais, disse que "hoje foi um dia atípico" e que recebeu aqueles que pediram para falar com ele. "Amanhã estarei à disposição ao meio-dia", afirmou.

Mais cedo, a Mesa Diretora da Alerj decidiu que cada um dos 70 deputados receberá quatro convites para que os representantes dos servidores possam assistir às discussões no plenário, a partir desta quinta (17). Segundo a Alerj, as galerias serão abertas para até 280 pessoas, capacidade máxima do plenário. A sessão começa às 15h.

"Reforçando o espírito democrático dessa Casa, além das galerias superiores, nós vamos abrir as duas de baixo também. A ideia é que os servidores possam participar das discussões com os convites cedidos pelos deputados", explicou Picciani.

Nessa quarta, no entanto, as galerias estavam vazias e, do lado de fora, havia milhares de servidores públicos. Os manifestantes chegaram a derrubar as grades colocadas para isolar o Palácio Tiradentes, sede da Alerj, mas foram impedidos de entrar no prédio por policiais do Batalhão de Choque da PM, que atiraram bombas de gás e efeito moral e dispararam balas de borracha contra participantes do ato.

Manifestantes derrubam grade durante protesto no Rio

Picciani disse ainda que não sabe apontar quais medidas terão mais dificuldades para ser aprovadas. "As associações de servidores estão trazendo muitas informações aos deputados, que estão estudando. E é aí que nós vamos balizar", explicou.

"Evidentemente que toda medida que pretenda reformar a Previdência sofre um grande enfrentamento, mas é também um ponto crucial. O Estado do Rio de Janeiro hoje tem uma folha de aposentados e pensionistas maior que a de ativos. Para cada nove professores em atividade, você tem 26 inativos. Essa questão precisa ser enfrentada", acrescentou.

Mais cedo, Picciani lamentou o uso da violência nas manifestações e disse que a questão da segurança é do Poder Executivo. "Eu fiz um apelo aos presidentes dos sindicatos, porque essa Casa sempre foi democrática, sempre ouviu os lados. Não há motivo para violência. Estamos num momento de discussão. Cabe ao Executivo garantir o funcionamento das instituições democráticas. Espero que a temperatura baixe."

 

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