Protesto de servidores no Rio tem bombas e confronto entre manifestantes

Gustavo Maia

Do UOL, no Rio

O ato que reúne milhares de servidores públicos do Estado do Rio de Janeiro contra o pacote de medidas de austeridade apresentado pelo governo, em discussão na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio), teve confronto entre dois grupos de manifestantes, derrubada de uma grade e repressão policial, com bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo, nesta quarta-feira (16).

A manifestação acontece diante do Palácio Tiradentes, sede do Legislativo estadual, no centro da capital fluminense. O prédio está cercado por grades e é protegido por policiais militares. Apesar disso, os manifestantes tentam arrebentar a grade de proteção que cerca o prédio. Numa segunda tentativa, ela foi derrubada. A PM jogou spray de pimenta e dispersou a confusão. Com isso, foi ocupada a escadaria. Há uma corrente de PMs e outra grade.

Com o clima tenso e a nova tentativa de invasão, a PM jogou bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo para reprimir o grupo que estava à frente. Pelo menos, um manifestante ficou ferido e foi socorrido.

A Tropa de Choque e a cavalaria foram chamados para ajudar na segurança. Houve agressões a manifestantes que estavam com máscaras de gás. Segundo PMs ouvidos pela reportagem, a orientação do comando militar é manter a integridade do patrimônio público e permitir a manifestação, desde que não seja violenta. O comandante da operação estava em reunião na Alerj e ainda não falou sobre o caso.

Apesar da confusão, a discussão em plenário teve início no começo da tarde.

Severino Silva/Agência O Dia/Estadão Conteúdo
Manifestantes entram em confronto entre si durante protesto
Primeira confusão

De cima de um carro de som alugado por policiais militares, no qual está estendida uma faixa que pede "intervenção militar já!", um manifestante que falava ao microfone viu a chegar de pessoas que traziam bandeiras de centrais sindicais e do PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado).

"Abaixem as bandeiras, isso aqui não é um movimento político. Não temos partido. Somos servidores estaduais reivindicando nossos direitos", gritou.

Após a ordem, dezenas de manifestantes, em sua maioria integrantes de forças de segurança do Estado --PM, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros-- se dirigiram ao local em que estavam os outros participantes do ato, dando início a um empurra-empurra e troca de xingamentos.

Um homem que estava no grupo dos que levavam bandeiras pediu que a faixa pró-intervenção militar fosse retirada. Nesse momento, um senhor, que foi identificado por colegas com um policial aposentado e usava camisa regata azul, sacou um spray de pimenta e disparou contra os manifestantes.

O repórter do UOL registrava a ação e filmava o homem que jogava o gás quando foi puxado por outro manifestante e teve o celular arremessado longe por um tapa. O agressor também foi identificado como policial militar por seus colegas.

Nesse momento, um grupo de PMs foi falar com o repórter e pediu que tivesse cuidado com as imagens, "para não prejudicar o colega". Eles pediram desculpas pelo "companheiro" e disseram que ele "não sabia que era um jornalista". Outro jornalista também foi agredido, ao tentarem tirar a máscara de gás que ele usava.

Questionados sobre a faixa pró-intervenção militar no carro de som, eles disseram que "todos aqui são a favor". "Nós fomos trazidos à beira de um abismo", disse um manifestante, que se identificou como sargento Firmino.

"A sociedade está no seu limite!", dizia o cartaz colado nas costas de um dos manifestantes.

Protesto de servidores começa com confusão

Desde o início do ato, os participantes do protesto afixaram cartazes na grade erguida no fim de semana --com o custo de R$ 20 mil para a Alerj.

Muitos deles ironizam a cerca e comparam a Assembleia Legislativa e seus integrantes com um "presídio de segurança máxima" e "presos perigosos", respectivamente. Até mesmo uma "guarita" foi erguida no local como forma de protesto.

Gritos de "Fora, Pezão" são ouvidos com frequência durante o protesto, pela saída do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB).

Mauro Pimentel/Folhapress
Policiais militares reforçam a segurança em frente ao prédio da Alerj
Cronograma

A Alerj começa hoje a debater as propostas do pacote de ajuste fiscal anunciado pelo governo estadual.

Serão 21 projetos de lei, incluindo cortes de gastos, extinção de programas sociais, aumento de impostos e elevação na contribuição previdenciária dos servidores públicos. No total, o Estado do Rio pretendia ter um impacto positivo de R$ 27,8 bilhões nas contas de 2017 e 2018, mas o pacote já está R$ 11,8 bilhões menor.

Embora nada vá ser votado nesta quarta, sindicatos e associações de servidores públicos estaduais marcaram protesto contra o pacote de ajuste.

Nos próximos dias, os deputados discutirão medidas polêmicas. Amanhã, será debatido o projeto que eleva a contribuição previdenciária dos servidores públicos estaduais de 11% para 14% do salário bruto.

No cronograma da Alerj, as medidas serão debatidas em sessões ordinárias e extraordinárias de seis dias, até o próximo dia 30. A ideia do presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani (PMDB), é começar a votar a partir de 6 de dezembro.

Participam do protesto servidores de diversas áreas afetadas pelas medidas, como segurança, educação e saúde.

Invasão

Na terça (8) da semana passada, servidores da segurança pública estadual protestaram --em número similar ao desta quarta-- durante mais de sete horas em frente a Alerj.

Durante o ato, centenas de manifestantes chegaram a invadir o Palácio Tiradentes para pressionar os deputados estaduais a arquivar as medidas apresentadas pelo governo e pedir a abertura do impeachment de Pezão.

Policiais desocupam a Alerj após pedirem impeachment de Pezão

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