Operação Lava Jato

Alvo de delação da Odebrecht, amigo de Temer fez livro-denúncia sobre corrupção

Do UOL, em São Paulo

  • Zanone Fraissat - 21.jun.2013/Folhapress

    Yunes e Temer em 2013, na festa de 50 anos de casamento do advogado

    Yunes e Temer em 2013, na festa de 50 anos de casamento do advogado

O vazamento da delação de Cláudio Melo Filho, ex-empresário da Odebrecht, causou nesta quarta-feira (14) a primeira queda no governo Temer. José Yunes, amigo particular do presidente e assessor especial da presidência, pediu demissão ao ter seu nome citado pelo executivo em um repasse de R$ 10 milhões feito pela Odebrecht ao PMDB. Curiosamente, porém, Yunes tem em sua trajetória um episódio de combate à corrupção.

No começo da década de 1980, o advogado escreveu um livro denunciando casos de corrupção no Estado de São Paulo durante o governo de Paulo Maluf (1979-1982).

Yunes é o autor de "Uma lufada que abalou São Paulo", publicado pela editora Paz e Terra em 1982. O trocadilho com o nome de Maluf ("uma lufada") levou o então governador, candidato à reeleição, a pedir --e conseguir-- na Justiça a suspensão das vendas do livro.

Segundo a delação de Claudio Melo Filho, parte de um repasse de R$ 10 milhões da Odebrecht para o PMDB, a pedido do próprio Michel Temer, foi entregue no escritório de advocacia de Yunes, em São Paulo, em 2014. O advogado nega conhecer o delator e diz que as afirmações de Melo Filho são "fantasiosas".

Amizade de longa data

A saída de Yunes do governo é, ao menos publicamente, o capítulo mais dramático de uma amizade de décadas com Temer. Entre as décadas de 1950 e 60, ambos foram contemporâneos na Faculdade de Direito da USP.

Em maio, pouco antes de Temer assumir interinamente a presidência, Yunes se definiu à Folha como "uma espécie de psicoterapeuta político" do amigo. O advogado também teria participado da elaboração --ou ao menos esteve presente à primeira leitura, dependendo do relato-- da carta-bomba em que Temer reclama para a ainda presidente Dilma Rousseff de sua posição de "vice decorativo". Temer também foi um dos convidados ilustres da festa de 50 anos de casamento de Yunes e sua mulher, Célia, em 2013.

Segundo Adilson Dallari, professor de Direito Público da PUC-SP e também amigo de Temer há décadas, a amizade entre Yunes e o presidente é "pessoal e intensa", com frequentes encontros para almoços.

"Yunes é extremamente simpático, amável, educado", disse Dallari.

Carreira na política

Dono de um escritório de advocacia que leva seu nome, Yunes costuma participar da "Confraria dos Homens da Lei", grupo de pesos pesados do meio jurídico paulista que se reúne para almoçar às sextas-feiras. Apesar de menos frequente nos últimos tempos, Temer também faz parte da confraria.

Yunes também cultiva uma carreira na política. Cumpriu dois mandatos de deputado estadual pelo PMDB, eleito em 1978 e reeleito em 1982. Ao lado de Temer, foi deputado constituinte em 1988.

Mais recentemente, o advogado foi coordenador da campanha de Marta Suplicy à Prefeitura de São Paulo este ano, ao mesmo tempo em que ocupava a presidência do PMDB na capital paulista e a assessoria especial da Presidência.

Em abril, ainda durante o processo de impeachment, Yunes declarou à imprensa que seria nomeado para o cargo caso Dilma fosse retirada do poder.

"Serei aquele assessor com liberdade para fazer considerações positivas e negativas", disse. "Não levarei apenas notícias boas."

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