Crivella toma posse no Rio agradecendo a Deus, aos evangélicos e à Universal

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

O novo prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), tomou posse na tarde deste domingo (1º), em solenidade na Câmara Municipal. Crivella chegou ao local acompanhado do vice, Fernando Mac Dowell (PR), e de secretários do novo governo.

Crivella, que é bispo licenciado da Igreja Universal, iniciou o discurso agradecendo a Deus: "Agradeço a Deus por esse momento. Nenhum de nós o recebe como mérito pessoal, mas como graça. Agradeço muito pela bondade infinita e pelo amor inexplicável que Deus tem por cada um de nós".
Minutos depois, ele agradeceu aos "90% dos evangélicos do Rio de Janeiro" que votaram nele no segundo turno, algo que "nunca tinha acontecido".

"Tenho que agradecer ao povo da Igreja Universal, ao povo da Igreja Batista, que votaram em nós", disse, listando em seguida uma série de denominações evangélicas.

Disse ainda que, pela primeira vez, durante a última campanha eleitoral, conseguiu "se aproximar da Igreja Católica", e mencionou o arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta.

Segundo Crivella, dom Orani disse a ele que "qualquer acusação de jornal ou de notícias" não eram mais importantes do que a fé nos valores cristãos, como a defesa da família.

"Não diria nem nas minhas previsões mais otimistas que isso um dia aconteceria", comentou. "Dessa vez a maioria votou conosco e isso me traz uma responsabilidade enorme para esse mandato."

Crise e propostas

Em vários momentos do discurso, Crivella lembrou a crise econômica que atinge o Rio de Janeiro e o país. Segundo ele, "é hora de cautela". Tanto que uma das medidas iniciais do novo governo será cortar gastos e rever contratos, como determinado numa edição extra do Diário Oficial do Município neste domingo, com 78 decretos do novo prefeito.

"A ordem é a seguinte: é proibido gastar. É tempo de crise. Faltaria ao governo a verdadeira autoridade e legítimo poder de persuasão se não impusesse a si mesmo o comportamento que espera dos demais. Nesse sentido, reduzimos para 12 o número de secretarias. E pela metade o número de cargos em comissão."

Além disso, a administração municipal também deverá estudar e implementar uma reforma tributária para "tornar o regime mais justo", nas palavras de Crivella, "buscando maior correspondência entre os níveis de contribuição e da capacidade contributiva".

Serão formadas comissões para avaliar a eficiência e as circunstâncias legais de todas as isenções fiscais e os resultados obtidos a partir da aplicação delas.

Na área da educação, uma das primeiras ações será a convocação dos aprovados no último concurso para agente especial de educação infantil "à medida dos recursos disponíveis e que serão priorizados até que todos estejam empregados", explicou o prefeito.

Crivella também disse que, em relação ao tema da segurança pública, buscará uma articulação junto aos governos federal e estadual para ampliar a atuação da Guarda Municipal.

"Todos sabemos que [segurança pública] é dever do Estado, não do município. Mas jamais ficaremos ausentes. Trata-se de um tema controverso e complexo, que exige amplo debate para tratar de suas diferentes causas no campo político, econômico e até psicológico", disse.

"Queremos empregar a guarda com ênfase na segurança das pessoas e defesa da escola."

Além disso, o prefeito afirmou que gostaria de ter seu filho como secretário, mas que compromissos no exterior impediram que isso ocorresse.

"Gostaria que hoje estivesse tomando posse nessa equipe o meu próprio filho, que esteve comigo nos tantos anos que passei na África, no sertão, e me acompanhou nas campanhas políticos, sobretudo nesta última. Compromissos de trabalho no exterior o impediram. Mas espero contar com seu apoio para breve", declarou.

Em tom de recado aos vereadores, o novo prefeito também disse que não vai hesitar em expor para a "opinião pública" eventuais dificuldades criadas no Legislativo por conta de diferenças políticas.

Veja a íntegra do discurso de posse de Crivella como prefeito

Proteger a família

Crivella lembrou de seu slogan de campanha, que dizia que é "hora de cuidar das pessoas", e citou o seu tio, o bispo Edir Macedo, principal líder da Igreja Universal, para falar sobre a família.

"Nosso lema é cuidar das pessoas. Isso representa, acima de tudo, proteger a família. O Estado pode criar um programa tão vasto como o Minha Casa, Minha Vida, com milhões de unidades, mas só uma família pode transformar uma daquelas casas em um lar. (...) A família é mesmo importante. Uma das frases mais lindas que ouvi na minha vida é dita pelo bispo Macedo: 'Deus é pai, filho e Espírito Santo. Deus é família'. Mais não se poderia dizer para representar a grandeza, a onipotência, a majestade da maior obra que um homem e uma mulher podem construir ao longo de suas vidas."

Posse dos vereadores

Além de Crivella, tomaram posse neste domingo os 51 vereadores eleitos nas urnas. Em respeito ao regimento interno da Câmara, a sessão foi aberta pelo parlamentar mais votado, Carlos Bolsonaro (PSC).

Após o juramento de cada um dos componentes da Casa, houve a eleição da Mesa Diretora em pleito com chapa única. Com 45 votos, o vencedor foi Jorge Felippe (PMDB), que se manteve no cargo que já ocupava. Os vices são Tânia Bastos (PRB) e Zico (PTB), respectivamente.

Transferência de cargo

Durante seu discurso na cerimônia de transmissão de cargo de prefeito, Marcelo Crivella cantou versos da música "As rosas não falam", do cantor e compositor Cartola. Ele citava a nova secretária municipal de Cultura, Nelcimar Nogueira, que é neta do sambista e havia cantarolado versos de "O sol nascerá", também do avô, em seu pronunciamento, minutos. Crivella, que é cantor gospel, quebrou o protocolo ao reclamar, em tom de brincadeira, da escolha da canção por Nelcimar. Essa não foi, entretanto, a primeira vez que o prefeito cantou um trecho de "As rosas não falam" em público. Em outubro, durante ato de campanha, Crivella soltou a voz ao ver Nelcimar entre os militantes.

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