STF divulga áudios que envolvem Michel Temer; ouça

Felipe Amorim e Marina Motomura

DO UOL, em Brasília

Ouça na íntegra a conversa entre Temer e Joesley

O STF (Supremo Tribunal Federal) divulgou nesta quinta-feira (18) os áudios da gravação que envolve o presidente Michel Temer (PMDB). Temer enfrenta sua mais grave crise no cargo, acossado por denúncias feitas por delatores da JBS de que teria assentido com a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). São cerca de 38 minutos de gravação.

Os cincos primeiros minutos de gravação, no entanto, são ruídos. Na versão editada pelo UOL, é possível ouvir os 33 minutos em que há efetivamente conversas.

A gravação divulgada pelo STF também foi entregue a Temer, que pediu ao Supremo acesso aos áudios.

A conversa ocorreu no dia 7 de março, no Palácio do Jaburu, residência oficial ocupada por Temer.

Em um dos trechos do áudio, o presidente revela que sabia que o grupo J&F havia infiltrado um procurador da República nas investigações contra o grupo que tramitam na Justiça Federal. O empresário Joesley Batista contou ao presidente que ele havia colocado um procurador para atuar em favor do grupo junto às investigações.

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Mais cedo, o STF havia autorizado a abertura de inquérito contra o presidente. A decisão de abrir uma investigação contra Temer foi tomada pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo. O pedido foi feito pela PGR (Procuradoria-Geral da República). A partir de agora, o presidente passa a ser formalmente investigado.

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Há pouco mais de duas horas, Temer fez um pronunciamento no Palácio do Planalto e negou que vá renunciar após o escândalo. "Não renunciarei. Repito, não renunciarei. Sei o que fiz e sei a correção dos meus atos. Exijo investigação plena e muito rápida para os esclarecimentos ao povo brasileiro. Essa situação de dubiedade ou de dúvida não pode persistir por muito tempo", disse o presidente.

"Não comprei o silêncio de ninguém, sempre honrei meu nome e nunca autorizei usar meu nome indevidamente", disse Temer.

Veja a íntegra do pronunciamento de Temer no Planalto

Entenda as acusações

De acordo com informações divulgadas pelo jornal "O Globo" nesta quarta-feira (17), Joesley Batista, um dos donos da JBS, encontrou Temer no dia 7 de março no Palácio do Planalto. O empresário teria registrado a conversa com um gravador escondido. Batista disse ter contado a Temer que estava pagando ao ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e ao lobista Lúcio Funaro para ficarem calados.

O áudio é inconclusivo sobre se Temer sabia de uma mesada aos presos. Em um trecho, Joesley inicia um diálogo sobre o ex-deputado. Após perguntar qual era a atual relação entre Temer e Cunha, o empresário diz que zerou "tudo o que tinha de pendência" com o peemedebista cassado. Mais para frente, no diálogo, Joesley afirmou: "eu tô bem com o Eduardo". Ao que Temer respondeu: "e tem que manter isso, viu". A sequência tem trechos inaudíveis, tornando inconclusiva uma possível referência a um aval de Temer aos pagamentos mensais.

Em nota publicada ontem, Temer confirmou o encontro, mas disse que "jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha" e negou ter participado ou autorizado "qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar".

No caso do Aécio, ele foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Batista. O empresário entregou um áudio à Procuradoria-Geral da República em que o tucano pede a quantia, sob o pretexto de pagar as despesas com sua defesa na Operação Lava Jato. 

Hoje, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin proibiu Aécio de exercer as funções de senador. A Procuradoria-Geral da República também pediu a prisão do tucano, mas Fachin, responsável pela Lava Jato na Corte, negou o pedido. A irmã de Aécio, Andrea Neves, foi presa.

José Eduardo Alckmin, um dos advogados do tucano, afirmou que o senador está "inconformado e surpreso" com as acusações de que teria pedido R$ 2 milhões a Batista. Ele confirmou o pedido, mas disse se tratar apenas um empréstimo pessoal e que houve uma "descontextualização" da fala de Aécio na gravação.

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