Artistas e políticos pedem 'Fora, Temer' e 'Diretas-já' em protesto em Copacabana

Carolina Farias

Colaboração para o UOL, no Rio

Um ato pelas Diretas-Já e contra o presidente Michel Temer reuniu artistas e políticos na praia de Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro, neste domingo (28). O evento foi organizado pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, ligadas a partidos de esquerda, e atraiu 50 mil pessoas, segundo os organizadores. A Polícia Militar não divulga estimativa de público. 

Os convidados se revezaram em cima de um trio elétrico, fazendo discursos e cantando, desde cerca de 11h. Atrações mais esperadas, Caetano Veloso e Milton Nascimento não discursaram pelas eleições diretas, como fizeram outros artistas --Teresa Cristina, Wagner Moura, Pedro Luiz, entre outros.

Caetano subiu ao trio elétrico por volta das 17h. Antes dos primeiros acordes de "Podres Poderes", soltou um "Fora, Temer", levando o público ao delírio. Na sequência, cantou "Um Índio", "Alegria, Alegria" e "Amanhã", de Guilherme Arantes, entre outras músicas --sempre intercaladas com um "Fora, Temer", mas sem discurso.

Ao lado de Maria Gadu, cantou "Divino Maravilhoso" e "Vaca Profana". Depois, chamou Milton Nascimento ao palco. "É a nossa surpresa. Com vocês, agora, o milagre da música brasileira!" Milton não fez discurso, sequer entoou gritos pelas diretas ou contra o presidente. Seu repertório incluiu "Paula e Bebeto", "Coração de Estudante" e "Nos Bailes da Vida".

Famílias e famosos

O público presente era variado, com famílias, pessoas de meia-idade e muitos jovens. Ambulantes vendiam cerveja e faixas com os dizeres "Diretas já". "Se empurrar, o Temer cai", gritavam alguns manifestantes. Outros gritavam frases contra as reformas trabalhista e da Previdência, conduzidas pelo governo.

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Entre os famosos, marcaram presença atores como Gregório Duvivier, Sophie Charlotte, Daniel Oliveira, Maria Casadeval, Antônio Pitanga, Bete Mendes e Zezé Motta.

Políticos do PT e do PSOL também aproveitaram o trio elétrico para discursar e pedir a saída de Michel Temer e a convocação de eleições diretas para presidente.

'Fora, Temer' no lugar de 'Madalena, Madalena'

Mart'nália cantou "Madalena do Jucu", famosa na voz de seu pai, Martinho da Vila, inserindo o verso "fora, Temer/fora, Temer" em lugar de "Madalena, Madalena".

Teresa Cristina perguntou ao público: "Vocês acham que o Aécio (Neves, senador afastado) será preso?". E emendou os versos "Acreditar, eu não, recomeçar, jamais", do samba "Acreditar", famoso na interpretação de dona Ivone Lara.

O ator Wagner Moura foi um dos mais aplaudidos e cortejados pelos fãs. "Nós, que no ano passado estivemos na rua contra o golpe que levou Temer à presidência, agora temos o segundo round. Não é possível Temer continuar, nem esse Congresso escolher seu substituto. Pode não ser ilegal, mas é imoral e ilegítimo. E o ovo da serpente são essas reformas trabalhista e previdenciária", afirmou o ator, durante discurso no palco.

A poetisa e atriz Elisa Lucinda também defendeu a saída de Temer: "Esse momento é crucial, nós estamos sendo violentados", afirmou, antes de declamar uma poesia que discorre sobre corrupção e falta de dinheiro para educação e saúde.

"É um ato para pedir democracia que tem que se instalar pelo povo, não por esse Congresso que não está preparado", disse o ator Antônio Pitanga.

(Com Agência Brasil e Estadão Conteúdo)

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