PF quer ouvir Haddad sobre campanha de 2012; pedido de condução foi negado

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

  • Adriano Vizoni/Folhapress

    Campanha de Fernando Haddad (PT) em 2012 é alvo de investigação

    Campanha de Fernando Haddad (PT) em 2012 é alvo de investigação

A PF (Polícia Federal) informou nesta quinta-feira (1º) que pretende ouvir o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) no âmbito do inquérito que investiga crimes eleitorais e lavagem de dinheiro na campanha de 2012, quando ele foi eleito.

Hoje, foram expedidos nove mandados de busca e apreensão, que tiveram quatro gráficas como principais alvos.A ação é derivada da Operação Lava Jato e teve início em novembro de 2015 após determinação do STF (Supremo Tribunal Federal) para desmembrar a colaboração premiada de executivos da empresa

 

A PF chegou a pedir a condução coercitiva (quando a pessoa é levada para depor) de Haddad e de sua ex-vice Nádia Campeão na operação de hoje, mas a Justiça Eleitoral negou.

Segundo a PF, a operação de hoje apura o pagamento, pela UTC, de dívidas da campanha de Haddad em 2012 referentes a serviços gráficos no valor de R$ 2,6 milhões. A gráfica pertencia a familiares do ex-deputado estadual Francisco Carlos de Souza (PT).

Ao menos três delatores da Lava Jato (entre eles Ricardo Pessoa, acionista da construtora UTC) relataram que Souza recebeu R$ 2,6 milhões em propina da Petrobras para pagar dívidas da campanha de Haddad. Os pedidos, segundo eles, teriam partido do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

Não há, neste estágio das investigações, itens que liguem Haddad aos crimes, segundo o delegado Rodrigo de Campos Costa. "Depende da investigação, do que surgir da análise do material apreendida", disse Costa.

Também devem ser intimados para depor Souza e Vaccari Neto, que está preso em Curitiba.

Os valores são referentes a serviços gráficos, declarados ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), de cerca de R$ 600 mil às gráficas LWC e Candido&Oliveira. Além disso, a PF observou o pagamento de R$ 2,6 milhões como caixa dois.

"Quem fez a solicitação ao Ricardo Pessoa foi o João Vaccari", segundo a o delegado. Pessoa confirmou a delação à PF.

As outras duas gráficas investigadas são a Souza&Souza, cujo endereço, segundo a PF, é o mesmo da Candido&Oliveira, e a Axis.

A Candido&Oliveira, de acordo com os investigadores, é de um amigo de Souza, Ronaldo Candido. O filho de Candido, por sua vez, seria o dono da Axis. E a LWC está no nome de uma ex-mulher do ex-deputado, dono da Souza&Souza.

Haddad diz que sua gestão contrariou interesses da UTC

Em nota, a assessoria de imprensa de Haddad afirmou "que a gráfica citada, de propriedade do ex-deputado Francisco Carlos de Souza, prestou apenas pequenos serviços devidamente pagos pela campanha e registrados no TRE [Tribunal Regional Eleitoral]".

Ainda segundo o texto, "a UTC teve seus interesses contrariados no início da gestão Haddad na prefeitura, com o cancelamento das obras do túnel da avenida Roberto Marinho, da qual fazia parte junto com outras empreiteiras igualmente envolvidas na Lava Jato. O executivo da UTC, Ricardo Pessoa, era dos mais inconformados com a decisão".

"O propalado repasse de R$ 2,6 milhões, se ocorreu, não tem nada a ver com a campanha de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo em 2012. Até porque seria contraditório uma empresa que teve seus interesses prejudicados pela administração saldar uma dívida de campanha deste administrador", conclui o texto.

Outro lado

Segundo o diretório nacional do PT, "todas as operações financeiras do PT foram realizadas estritamente dentro dos parâmetros legais e posteriormente declaradas à Justiça Eleitoral".

O criminalista Luiz Flávio Borges D'Urso, advogado de Vaccari Neto, disse que não há provas de que seu cliente tenha participado de um acerto para pagar dívidas de campanha de Haddad com recursos ilícitos, e isso ocorre porque Vaccari não cometeu os crimes apontados pelos delatores da Operação Lava Jato.

O UOL ainda não conseguiu contato com as gráficas investigadas.

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