Primeiros cotados a suceder Renan, Jader e Garibaldi rejeitam liderar PMDB

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

A renúncia de Renan Calheiros (AL) à liderança do PMDB no Senado, anunciada pelo próprio senador na tarde desta quarta-feira (28) em discurso feito no plenário da Casa, abriu uma série de rumores sobre quem assumiria a função. Dois dos primeiros cotados, porém, já vetaram suas possíveis indicações.

Antes do discurso de Renan, o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) disse que lamentava a decisão do colega, mas ressaltou que a atitude era exclusivamente de cunho pessoal do alagoano.

"Lamento se isso ocorrer. Considero que o Renan é um excelente líder e eu vou lamentar se ele tiver de deixar. Mas é uma decisão. Se dependesse de mim, Renan não sairia da liderança", afirmou.

O nome de Barbalho estava sendo considerado nos bastidores como um dos cotados para substituir Renan na liderança da sigla. O senador, porém, afirmou que "está fora de cogitação" e que recusará um eventual convite.

"Não tenho absolutamente nenhum interesse de assumir a liderança. Eu prefiro colaborar com o Senado e o País sem ter qualquer cargo", justificou.

Segundo Barbalho, o motivo para as discórdias dentro do partido é o "ambiente" político, sem dar mais detalhes.

Outro cotado para a função, senador Garibaldi Alves (RN), também avisou que vetou o seu nome na disputa pela liderança do partido.

Agora, os nomes com mais força são os de Raimundo Lira (PB) e Kátia Abreu (TO). A reunião da bancada do PMDB para discutir o novo líder do partido estava marcada para as 18h desta quarta-feira, mas foi adiada para as 19h da próxima terça (4).

Renan Calheiros não indicou um nome de preferência para substituí-lo. "O PMDB não tem dificuldade com nomes. O PMDB tem excesso de bons nomes. Todos são de minha preferência", complementou.

Renan renuncia e diz que não será "marionete"

O senador Renan Calheiros renunciou nesta quarta-feira (28) à liderança do PMDB no Senado. Em discurso no plenário, o político voltou a criticar o governo Temer, como vinha fazendo há semanas, e disse que não tem "vocação para marionete".

"Deixo a liderança do PMDB" foi a primeira frase do senador. "Devolvo o honroso cargo que me confiaram. Procurei exercer [a liderança] com dignidade, sempre orientado pelos objetivos do país".

Renan disse que renuncia por não compactuar com as ideias do governo e as reformas propostas pelo poder Executivo, especialmente a trabalhista. "Não odeio Michel Temer. Isso não é verdade. O que não tolero é sua posição covarde diante do desmonte da Consolidação das Leis do Trabalho [CLT]".

"Não estou disposto a liderar o PMDB atuando contra os trabalhadores e estados mais pobres da Federação", disse ele. "Não vou ceder a um governo que trata o partido como um departamento do poder Executivo (...). Não tenho a menor vocação para marionete. O governo não tem credibilidade para concluir essas reformas exageradas e desproporcionais".

Falando na tribuna do plenário, Renan também voltou a atacar uma suposta influência direta do ex-deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que está preso, no governo Temer. De acordo com o senador, "os últimos acontecimentos comprovam sua total influência no governo".

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