Em semana decisiva, ordem é cancelar viagens e trazer ministros de volta à Câmara

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

  • Presidência da República

    Um dos ministros que cancelaram viagem ao exterior foi Leonardo Picciani (Esporte)

    Um dos ministros que cancelaram viagem ao exterior foi Leonardo Picciani (Esporte)

Em semana decisiva com o parecer e a votação da denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB) na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara, a ordem do Planalto é que ministros e deputados aliados cancelem viagens para reforçar a busca de votos favoráveis ao presidente e aumentar o quórum governista na Casa.

Outra ação já programada pela base é fazer voltar à Câmara os ministros que se licenciaram do mandato legislativo ao assumir as pastas. A finalidade também é garantir a quantidade de votos necessários – 172, ao todo – para barrar a denúncia apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República) no plenário, onde ela deve chegar no início da próxima semana.

"A gente precisa ter o máximo de aliados aqui nessa semana e na próxima para a rejeição da denúncia. Não dá para dispersar nesse momento. A ordem foi todo mundo cancelar as viagens", afirmou um integrante da tropa de choque de Temer.

A previsão do Planalto é que na CCJ, com as trocas de parlamentares e permanência de aliados em Brasília, Temer consiga entre 39 e 41 votos após o relator Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) apresentar um parecer desfavorável ao presidente.

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Viagens canceladas

Um dos que cancelaram viagem ao exterior foi o ministro do Esporte, Leonardo Picciani (PMDB-RJ), apurou o UOL. Ele iria para a Inglaterra e Rússia entre os dias 9 e 16 deste mês. Na missão, visitaria as instalações do Grand Slam de Wimbledon, em Londres, e participaria de uma conferência em Kazan. A ida foi autorizada no Diário Oficial da União em 23 de junho.

Reprodução
Diário Oficial publicou autorização para viagem de Leonardo Picciani no dia 22 de junho

Questionada sobre o cancelamento da viagem, a assessoria do ministro informou que Picciani permaneceu no Brasil para se dedicar à aprovação de uma Medida Provisória que transforma a Autoridade Pública Olímpica em Autoridade de Governança do Legado Olímpico). A medida precisa ser aprovada até o dia 17 de julho, antes do recesso do Congresso Nacional, para não perder a validade.

Outro aliado de Michel Temer que decidiu não viajar em missão prevista com antecedência para votar contra a denúncia foi o deputado federal e titular da CCJ Hildo Rocha (PMDB-MA), de acordo com um dos líderes do governo no Congresso. Como integrante da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, Rocha viajaria neste domingo (9) para Londres junto a Wilson Filho (PTB-PB), Felipe Bornier (Pros-RJ) e Jorge Solla (PT-BA).

Rocha está em Brasília e, dos quatro deputados, foi o único a não viajar. Nesta segunda-feira (10), inclusive, ele esteve com o presidente Michel Temer no Palácio do Planalto com deputados maranhenses e o presidente da Federação dos Municípios do Estado, Cleomar Tema.

Na capital inglesa, os demais parlamentares terão reuniões com representantes do Tribunal de Contas e a comissão de fiscalização homóloga. A volta do grupo está programada para sexta-feira (14), quando já deve ter acontecido a votação da denúncia na CCJ. O UOL não conseguiu contato com o assessor de imprensa de Hildo Rocha.

Ministros voltam para a Câmara

Como já aconteceu em outras ocasiões em que o governo precisava reforçar o quórum em votações no plenário de matérias consideradas essenciais, os ministros de Estado que estão de licença do mandato de deputado federal deverão voltar para a Câmara, apurou o UOL. Se todos retornarem para ajudar a barrar a denúncia, o governo aumenta em 12 votos os a favor de Temer.

Os ministros licenciados da Câmara são Leonardo Picciani (Esporte), Raul Jungmann (Defesa), Fernando Coelho Filho (Minas e Energia), Mendonça Filho (Educação), Maurício Quintella (Transportes), Bruno Araújo (Cidades), Marx Beltrão (Turismo), Ricardo Barros (Saúde), Sarney Filho (Meio Ambiente), Osmar Terra (Desenvolvimento Social), Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) e Ronaldo Nogueira (Trabalho).

A volta deles, porém, só deve acontecer na semana que vem, quando a denúncia chegar ao plenário, afirmou um auxiliar de Temer ao UOL. Por enquanto, continuam a trabalhar nos bastidores na busca de apoio ao presidente. Todos os citados acima estiveram na reunião ministerial convocada por Temer na última quarta-feira (5).
 

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