Jucá diz que governo não tem pressa para votar denúncia contra Temer, e que Maia é aliado

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

  • Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), afirmou nesta quinta-feira (13) que o Planalto não tem pressa para votar em plenário da Câmara a denúncia contra o presidente da República, Michel Temer (PMDB), apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República).

Isso porque, segundo ele, a responsabilidade de se atingir quórum de 342 deputados exigido é da oposição.

"O governo não tem pressa, o governo não tem pressa. Simplesmente porque quem tem que ter quórum mínimo é a oposição", disse. "Cabe à oposição ir atrás dos votos. Estaremos aqui à disposição. Quero aqui dizer que a oposição não tem 342 votos. Então não sei quando será votada essa matéria", acrescentou.

A declaração de Jucá segue as declarações do vice-líder do governo, Darcísio Perondi (PMDB-RS), que afirmou que "é possível" que a votação da denúncia aconteça apenas no mês que vem, após o recesso parlamentar, marcado para a próxima terça-feira (18), e do ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, que afirmou que a votação "pode ser agora, pode ser [em] agosto".

No entanto, a fala de Jucá vai de encontro ao que Michel Temer teria dito em reunião mais cedo com o líder do PMDB na Câmara, deputado Baleia Rossi (SP), o líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), e o deputado Carlos Marun (PMDB-MS).

Segundo Marun, Temer pediu que governistas alinhem a comunicação e unifiquem seus discursos após as divergências internas. A estratégia de apressar o processo e não deixar a votação para agosto, disse, está mantida.

"O presidente Temer entende que houve um mal-entendido, uma confusão, e pediu para alinharmos a comunicação", afirmou ao UOL. A tática de votar a denúncia na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara e em plenário o mais rápido possível foi confirmada por um assessor de Temer.

"Maia é aliado"

Questionado por jornalistas se o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ainda pode ser considerado um aliado confiável pelo Planalto, Jucá disse que sim.

"O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, é um aliado. Foi importante em todas as votações e será nas votações futuras", declarou.

Durante discurso na cerimônia de sanção da reforma trabalhista, Temer fez questão de ressaltar a presença dos cerca de 20 ministros dada a importância da matéria. O presidente da Câmara não compareceu à solenidade no Planalto, como costumava fazer. Este é o terceiro dia seguido em que ele não foi a uma cerimônia promovida por Temer. Nesta terça (11) e quarta (12), embora constassem na agenda oficial, ele não esteve presente nos eventos programados. Já nesta quinta, a solenidade da reforma trabalhista nem constou na agenda dele.

Normalmente, mesmo que por formalidade, o presidente da Câmara é convidado para eventos do tipo. No entanto, segundo um assessor de Temer, nas atuais conjunturas políticas, "é melhor mesmo que ele não comparecesse".

Questionado pelo UOL sobre a ausência de Maia, Jucá falou que "importante é o presidente sancionar [a reforma trabalhista]" e que "todas as pessoas foram convidadas".

Reforma trabalhista

Quanto à reforma trabalhista, sancionada em evento no Palácio do Planalto nesta quinta, no qual Jucá esteve presente e discursou, o líder do governo informou já ter enviado a diversos parlamentares um documento com os pontos a serem discutidos no Senado para que seja editada uma Medida Provisória para "corrigir" temas do texto da reforma, sancionada na íntegra.

 

Romero Jucá garantiu que a Medida Provisória será editada, mas não deu previsão de quando isso será feito. "O Maia vai discutir [a MP] quando chegar lá [no Congresso]."

A reforma trabalhista foi enviada ao Congresso Nacional em dezembro do ano passado e aprovada pelo Senado nesta terça. A aprovação final pelo Congresso era a última etapa do processo para que a reforma pudesse ser sancionada por Temer. O texto foi assinado na íntegra, sem vetos. Alterações ficarão por conta de uma MP (Medida Provisória) a ser editada pelo Planalto.

Mais cedo, em outra cerimônia no Planalto, o presidente disse que as críticas ao texto não estão "preocupadas com o conteúdo" e o que se trava, na verdade, é uma "luta política" para fazer o trabalhador brasileiro acreditar que perderá direitos.

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