Deputados protocolam representação contra Wladimir Costa por assédio a jornalista

Luciana Amaral e Gustavo Maia

Do UOL, em Brasília

  • AFP PHOTO / EVARISTO SA

    Wladimir Costa se envolveu em polêmicas nas últimas semanas

    Wladimir Costa se envolveu em polêmicas nas últimas semanas

O PSB protocolou nesta quarta-feira (9) no Conselho de Ética da Câmara uma representação contra o deputado federal Wladimir Costa (SD-PA) por assédio dirigido à jornalista Basília Rodrigues, da rádio "CBN".

Após jantar na casa do vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho (PMDB-MG), no dia 1º de agosto, Costa foi questionado por Basília sobre a veracidade da polêmica tatuagem do nome do presidente Michel Temer (PMDB) no ombro e pediu que a mostrasse.

Isso porque, segundo tatuadores profissionais, o desenho seria de henna, ao contrário do que afirma o deputado. Ao responder à repórter, Costa declarou "Para você, só se for o corpo inteiro".

Divulgação/ "Diário do Pará"
Wladimir Costa exibe tatuagem do nome de Temer no ombro

Segundo Basília, ela então pediu que o deputado tivesse mais respeito pelo fato de ela ser repórter e mulher. Ao questioná-lo novamente sobre a tatuagem, Costa continuou afirmando "eu tenho várias tatuagens no corpo inteiro, amor".

Diante de nova pergunta de Basília, o deputado se afastou, levantou o dedo rindo e falou só mexendo os lábios "não". Quando a repórter disse "então é porque é de henna", Costa concordou com a cabeça e saiu rindo.

Costa declarou hoje estar pronto para se defender no Conselho de Ética, no qual passou 10 anos da sua atividade parlamentar.

"Em momento algum eu feri o decoro parlamentar ao me reportar à jornalista quando esta, por diversas vezes, me abordou para eu tirar a roupa e mostrar a tatuagem. Apenas falei a frase: 'para você, eu mostro tudo'. Porque eu não tenho uma tatuagem, tenho várias, sou entusiasta. E sei que não cometi qualquer tipo de crime ou desvio de decoro", declarou.

"Eu não falei 'eu vou ficar despido, nu ou quero transar com você' em momento algum. Se alguém tem que ser acusado de assédio é a jornalista, porque foi ela que pediu que eu tirasse a roupa. Porque para eu mostrar a tatuagem, eu tenho que tirar a roupa também. Eu poderia denunciá-la por assédio também", completou.

Em nota, o Solidariedade disse que "vai ouvir o deputado para conhecer formalmente a posição dele sobre os relatos divulgados pela mídia e reforçar a determinação de respeito e seriedade com as mulheres, que sempre nortearam a atuação do nosso partido".

Costa, porém, disse ainda não ter sido convocado pelo partido, mas disse que está à disposição para prestar qualquer esclarecimento.

O deputado Júlio Delgado (PSB-MG), um dos três parlamentares que entregaram o documento no Conselho de Ética afirmou que é preciso respeitar o posicionamento político de cada um, mas "quando entra o cometimento de crimes, principalmente com profissionais que cobrem o nosso trabalho no dia a dia, é uma coisa que fere a ética e o decoro parlamentar".

Gustavo Maia/UOL
Os deputados Chico Alencar (PSOL-RJ), Júlio Delgado (PSB-MG) e Janete Capiberibe (PSB-AP), da esquerda para a direita, protocolaram representação contra Wladimir Costa

"Nós pedimos que sejam feitas as apurações necessárias, e o relator designado é que vai chegar, dada a admissibilidade [da representação], à conclusão da necessidade da sanção que vai ser imposta ao deputado, se vai ser uma advertência, uma suspensão, até a perda do mandato", explicou.

Segundo Delgado, muitos deputados se disponibilizaram a assinar uma representação na Corregedoria da Câmara, mas a tramitação seria mais rápida se fosse subscrita por um partido político, no caso, o PSB. Entre os apoiadores da ação na Câmara estavam os deputados Chico Alencar (PSOL-RJ) e Janete Capiberibe (PSB-AP), que o acompanharam nesta quarta.

Sobre a atuação de Delgado para viabilizar a representação, Costa disse que se tratava de uma "questão literalmente pessoal". "Eu já tive discussões ásperas com ele na CCJ [Comissão de Constituição e Justiça] e também no Conselho de Ética, inclusive me dirigindo de forma enfática por conta de alguns comportamentos dele", afirmou.

Com o documento protocolado, a representação seguirá para a Mesa Diretora da Câmara para ser numerada e voltará para o Conselho. Dentro de três sessões ordinárias, o órgão deverá fazer a reunião para abrir o prazo de defesa de Costa.

"O deputado cometeu um ato de assédio sexual, comprovado na representação, contra a profissional da imprensa. Foi um fato grave, que tem que ser apurado", declarou Delgado.

"Além disso, depois, nas suas redes [sociais], ele comete outro fato contra um jornalista, de uma outra emissora de TV, dando caracterização de cunho, além de homofóbico, bastante depreciativo. Isso não condiz com a conduta parlamentar", completou o deputado, que informou que irá anexar o novo caso na representação ainda nesta quarta-feira.

Ele se refere ao episódio noticiado pelo jornal "Folha de S.Paulo" nesta terça-feira (8), segundo o qual Costa compartilhou, via WhatsApp, imagem de caráter homofóbico, cujo alvo é o jornalista Ricardo Boechat, apresentador do grupo Bandeirantes.

Mais polêmica

Durante a votação da denúncia contra Temer, Costa também foi flagrado pelo fotógrafo Lula Marques pedindo fotos íntimas para uma mulher.

Ao UOL, ele negou o ato, disse que conversava com uma jornalista e não houve "desrespeito" em nenhuma de suas ações.

No fim de semana, em seu perfil no Facebook, Costa escreveu uma postagem desmerecendo a carreira profissional de Basília e dizendo que ela "foge totalmente dos padrões estéticos que, supostamente despertaria algum tipo de desejo em alguém".

"Pelo menos dos meus fogem 1000% e também creio que fogem dos interesses padrões que outros homens, possam sentir por uma mulher. Digamos que apenas a cor negra de sua pele e o cabelo cacheado, é o que ela verdadeiramente tem de beleza em seu corpo", escreveu o deputado.

Reprodução/Facebook/lulamarques
Deputado troca mensagens durante votação de denúncia contra Temer

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