Operação Lava Jato

Assessor de Henrique Alves foi roubado após receber R$ 200 mil em propina, diz PF

Leandro Prazeres

Do UOL, em Brasília

  • Fabio Rodrigues Pozzebom - 16.abr.2015/Agência Brasil

    O ex-ministro do Turismo é suspeito de ter recebido R$ 6,3 milhões em propina

    O ex-ministro do Turismo é suspeito de ter recebido R$ 6,3 milhões em propina

Um relatório da Polícia Federal indica que R$ 100 mil em dinheiro de propina paga pelo empresário Lúcio Funaro ao ex-ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves teriam sido roubados durante um assalto em 2013. O montante, segundo o relatório, foi levado um dia depois de Funaro ter repassado R$ 200 mil a um ex-funcionário de Henrique Alves (PMDB-RN).

O advogado de Henrique Eduardo Alves, Marcelo Leal, afirma que o dinheiro roubado de Wellington Ferreira da Costa era fruto de um empréstimo contraído pelo ex-ministro junto ao Banco do Brasil (veja mais abaixo). 

O relatório elaborado pela Polícia Federal analisa informações de planilhas em que Funaro indicava pagamentos a operadores supostamente ligados a políticos do PMDB. Os dados das planilhas, segundo a PF, foram confrontados com informações repassadas diretamente por Funaro e com depoimentos de outros investigados.

Segundo o documento, as planilhas de Funaro indicam que, no dia 12 de junho de 2013, R$ 200 mil em espécie foram pagos a Henrique Eduardo Alves, então presidente da Câmara dos Deputados, por meio de um assessor chamado Wellington. O dinheiro teria sido entregue diretamente a ele em São Paulo.

No dia seguinte, 13 de junho de 2013, Wellington Ferreira da Costa, então assessor de Henrique Eduardo Alves, registrou um boletim de ocorrência junto à Polícia Civil do Distrito Federal alegando ter sido vítima de um assalto no qual homens armados levaram R$ 100 mil guardados em uma maleta.

O roubo teria ocorrido em Brasília quando seu carro foi abordado por bandidos. A suspeita é que o "Wellington" das planilhas de Funaro seja Wellington Ferreira da Costa. 

À época, o delegado responsável pelo caso, Fernando César Costa, disse ao jornal "O Globo" que o crime teria sido planejado e executado por pessoas que tinham informações privilegiadas sobre a rotina do ex-assessor. O delegado disse também que investigaria a origem do dinheiro.

O inquérito da Polícia Civil do Distrito Federal foi remetido em março de 2015 ao STF (Supremo Tribunal Federal), mas, em agosto de 2015, o então ministro Teori Zavascki arquivou a investigação a pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República). Segundo os procuradores, não havia indícios concretos de que a origem do dinheiro roubado pudesse ser ilícita. 

Ainda à época do roubo, Henrique Eduardo Alves disse que o dinheiro roubado era seu, fruto de um empréstimo contraído por ele junto ao Banco do Brasil para quitar parte da dívida oriunda da compra de um apartamento. 

O relatório da PF não afirma categoricamente que o dinheiro roubado é o mesmo que teria sido pago por Funaro a Wellington.

A PF, no entanto, conseguiu informações junto a companhias aéreas e comprovou que o ex-assessor de Henrique Alves estava em São Paulo no dia em que a planilha de Funaro apontou o pagamento em seu nome.

O documento indica que, segundo a contabilidade de Funaro, Henrique Eduardo Alves recebeu R$ 6,3 milhões entre 2012 e 2014. O ex-ministro está preso em Natal desde junho deste ano, quando foi deflagrada a Operação Manus, um desdobramento da Operação Lava Jato.

Além de ser suspeito de ter se beneficiado com dinheiro de propina oriunda de esquemas operados por Lúcio Funaro, Henrique Alves também é investigado por ter recebido dinheiro de propina da empreiteira OAS referente a obras da Arena das Dunas, no Rio Grande do Norte. 

Hélvio Romero/Estadão Conteúdo
Lúcio Funaro fez acordo de colaboração premiada

Lúcio Funaro é apontado pelas investigações da Operação Lava Jato como um dos principais operadores de propina do PMDB. No último dia 5, o ministro Luiz Edson do Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), homologou a delação premiada do empresário.

Ele relatou esquemas cobrança de propina referentes à liberação de recursos de empréstimos de empresas junto à Caixa Econômica Federal. Segundo o delator, o dinheiro era posteriormente repassado a políticos do PMDB. 

Em seus 29 anexos, a delação descreveu como Funaro fazia o repasse de propina oriunda de diferentes esquemas para políticos do PMDB, entre eles o ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) e de Henrique Eduardo Alves. Os dois negam terem recebido recursos ilícitos de Lúcio Funaro. 

Outro lado

O advogado de Henrique Eduardo Alves, Marcelo Leal, reiterou que o dinheiro roubado com Wellington Ferreira da Costa era fruto de um empréstimo contraído pelo ex-ministro junto ao Banco do Brasil.

Ele afirmou que a imprensa atua como "inocente útil" ao publicar informações produzidas pela Polícia Federal e não considerar as teses da defesa.

A reportagem não conseguiu localizar Wellington Ferreira da Costa e seus advogados.

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