Ex-diretor da PF fala em ameaças e riscos, mas diz que cumpriu missão

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

Na transferência do cargo de diretor-geral da Polícia Federal a Fernando Segovia nesta segunda-feira (20), Leandro Daiello falou em "ameaças" e "riscos" sofridos, mas disse ter a certeza que cumpriu a missão.

Segovia foi anunciado como substituto de Daiello em 8 de novembro, que estava desde 2011 no comando da corporação e cuja saída era negociada desde o início do governo do presidente da República, Michel Temer (PMDB). Nesta segunda, a aposentadoria de Daiello, a pedido do próprio, foi publicada no Diário Oficial da União.

Daiello fez um discurso emocionado e começou brincando com Segovia, afirmando que o tempo "reserva surpresas" porque há alguns meses atrás este não precisava usar óculos para a visão.

Na fala, ele ressaltou a importância da família, dos amigos e dos colegas com quem trabalhou na corporação e disse ter sido um privilégio ser um policial federal.

Ele reforçou a necessidade de trabalho em equipe e o sacrifício pessoal dos policiais durante a carreira.

"Momentos difíceis, ameaças, corremos riscos, mas, senhores, somos policiais federais e temos orgulho", falou, sem citar situações específicas.

Logo depois, acrescentou que a categoria manteve os princípios, valores e doutrinas aprendidas na academia da corporação e consolidados na cultura organizacional.

"Fizemos o que era para ser feito e, quando olharmos para trás, teremos a certeza que cumprimos nossa missão", afirmou.

"Na realidade, o grande patrimônio da Polícia Federal são os nossos servidores. São eles que acreditam numa PF forte e republicana."

Ao concluir, Daiello desejou "o mais absoluto êxito" a Segovia e disse que sempre estará pronto para ajudar a Polícia Federal, mesmo aposentado.

Ele agradeceu ainda ao ministro Torquato Jardim (Justiça) pela "atenção e carinho" nos últimos meses em que trabalharam juntos, mas não agradeceu aos demais presentes no palco montado no salão negro da sede da pasta, como Temer.

Daiello foi aplaudido de pé pelos convidados. Quando se virou para as cadeiras onde estavam sentados, o presidente se levantou e fez questão de ser o primeiro a cumprimentá-lo.

Em sua fala, Segovia afirmou ter o combate à corrupção como prioridade e prometeu independência partidária nas ações à frente da corporação.

Presença de Temer demonstra o "vigor e diálogo", diz ministro

Torquato Jardim afirmou que a presença de Temer e de demais autoridades demonstra o "vigor e diálogo", além da harmonia dos Três Poderes, no atual governo.

Ele ressaltou serem todos iguais perante a lei e que cumpre à PF "papel crítico" como elo entre Judiciário, Executivo e Ministério Público Federal.

"Sob a Constituição e as leis, não há lugar para o talvez ou o quem sabe. Não se pode admitir a ilação especulativa. Não se pode convalidar imputações sem referência sólida nos fatos e nos documentos. Não cabe à vaidade fruto da ambição nem propósitos ocultos nas decisões dos processos", afirmou.

Ele agradeceu a Daiello pelo trabalho e disse que este teve "irretocável carreira". A Segovia, disse ter "irrestrita confiança" e estar certo de seu sucesso na nova função.

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