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Preso há um dia, Maluf está 'muito abatido', diz advogado do deputado

Maluf usou uma bengala para se deslocar no IML (Instituto Médico Legal), onde fez exame de corpo de delito na quarta-feira (20) - 20.dez.2017 - Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo
Maluf usou uma bengala para se deslocar no IML (Instituto Médico Legal), onde fez exame de corpo de delito na quarta-feira (20) Imagem: 20.dez.2017 - Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo

Nathan Lopes e Luís Adorno*

Do UOL, em São Paulo

21/12/2017 13h17Atualizada em 21/12/2017 15h13

O deputado federal e ex-prefeito paulistano Paulo Maluf (PP) está “muito abatido”, segundo seu advogado, Ricardo Tosto. “Ele está muito mal, muito abatido, muito emotivo”, disse o defensor.

Maluf, que se entregou na manhã de quarta-feira (20) após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), está sozinho em uma das 27 celas da carceragem da Superintendência da PF (Polícia Federal), na Lapa, zona oeste de São Paulo.

De acordo com Tosto, Maluf está em “uma situação horrorosa”. “Ele tem problema na perna, precisa de ajuda para se levantar”, disse ao UOL, mencionando ainda o tratamento contra câncer da próstata. “A PF está dando os remédios. Estão fazendo o trabalho direito”.

Sobre o câncer, o cirurgião Miguel Srougi disse ao UOL que o político passou por uma radioterapia em agosto deste ano e está em acompanhamento médico. “Um tumor nasceu junto à bacia e foi diagnosticado através de exames médicos”.

Srougi operou Maluf em 1997 e retirou parte da próstata do parlamentar. A respeito da atual situação do deputado, o cirurgião diz que o câncer, “como no caso de Maluf, 20 anos depois, é muito, muito raro. Mas, infelizmente, retornou”. “No entanto, ele foi bem tratado e os resultados são positivos”, disse Srougi. "Ele foi bem tratado e segue em acompanhamento para que o tumor seja, de uma vez, extinto”, completou.

Na medicina, não dá para adivinhar o que vai acontecer, mas, no caso dele, me arrisco a dizer que ele não vai morrer pelo câncer de próstata

Miguel Srougi, cirurgião

Maluf se apresentou à PF após o ministro do STF Edson Fachin ter determinado, na terça-feira (19), que ele passasse a cumprir imediatamente a pena de sete anos e nove meses de prisão em regime fechado pelo crime de lavagem de dinheiro.

Transferência

O deputado deverá ser transferido para Brasília, onde ficará em uma ala especial destinada a idosos no Centro de Detenção Provisória do Complexo Penitenciária da Papuda. A transferência, porém, dificilmente acontecerá hoje, avalia Tosto. A PF não tem informações sobre a transferência. Detalhes logísticos e administrativos ainda estariam sendo acertados.

A defesa do deputado, porém, está tentando transformar a detenção em regime fechado em prisão domiciliar. A justificativa é que o político, que está com 86 anos, passa pelo tratamento contra o câncer.

Na decisão em que determinou a transferência, o juiz Bruno Macacari, da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, afirma que vai ouvir o Ministério Público e a direção da Papuda antes de avaliar os pedidos da defesa. Um dos pontos que serão analisados é se a Papuda tem condições de oferecer atendimento médico ao deputado.

Os defensores também tentam suspender a prisão junto ao Supremo. Segundo Tosto, uma audiência foi solicitada junto à presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, mas ainda não se obteve resposta.

O tratamento de saúde também é usado como argumento pela assessoria do parlamentar para justificar as faltas em três a cada quatro sessões da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), a única da qual Maluf faz parte desde 2015. No total, a comissão teve 273 reuniões no período.

O parlamentar também não costuma marcar presença no plenário da Câmara. Ele se ausentou em mais da metade das sessões desde 2015.

Maluf deve cumprir pena em regime fechado na Papuda

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Condenação

Em maio deste ano, o deputado foi condenado pela Primeira Turma do STF. Maluf foi responsabilizado por desvios em obras públicas durante sua gestão na prefeitura e por remessas ilegais ao exterior por meio da atuação de doleiros.

O deputado foi condenado por ter participado de um esquema de cobrança de propinas na Prefeitura de São Paulo, em 1997 e 1998, que teria contado com o seu envolvimento nos anos seguintes.

Ao todo, o prejuízo aos cofres públicos municipais, em valores corrigidos, ultrapassa US$ 1 bilhão, segundo o Ministério Público. À época, teria sido retirado dos cofres públicos, em propina, cerca de US$ 400 milhões.

Essa não foi a primeira vez que Maluf ficou preso na carceragem da PF em São Paulo. Em 2005, ele chegou a ficar 40 dias no local por crimes ligados a propina.

Na decisão, Fachin também determinou explicitamente a perda do mandato de deputado. O presidente da Câmara, deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), porém, disse acreditar que, pela jurisprudência existente, cabe ao plenário da Casa a palavra final sobre a perda de mandato do parlamentar.

*Colaborou Luciana Amaral, do UOL, em Brasília
 

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