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Oposto de Segovia, Galloro é discreto e avesso a relações políticas, dizem colegas

Rogério Galloro é visto por seus pares como um quadro técnico, respeitado na corporação e avesso a relações políticas - Valter Campanato/Agência Brasil
Rogério Galloro é visto por seus pares como um quadro técnico, respeitado na corporação e avesso a relações políticas Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil

Daniela Garcia

Do UOL, em São Paulo

27/02/2018 19h44Atualizada em 28/02/2018 12h13

Escolhido para ser o novo diretor-geral da Polícia Federal, Rogério Galloro é visto por seus pares como o oposto de Fernando Segovia, que foi retirado do cargo nesta terça-feira (27) após três meses.

Discreto, Galloro é um quadro técnico, respeitado na corporação e avesso a relações políticas. A troca de Segovia por Galloro é considerada uma conquista para membros da PF que defendem nomeações técnicas. 

Envolvido em polêmicas durante sua gestão, Segovia teve que se comprometer com o ministro Luis Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), a não fazer qualquer manifestação pública sobre as investigações contra o presidente Michel Temer (MDB). Desde então, ele não se pronunciou publicamente.

Para um delegado federal que preferiu não se identificar, o novo diretor-geral é o nome capaz de recuperar a imagem desgastada por Segovia nos últimos meses. "É o fim do sangramento da PF", afirmou.

Natural de Votuporanga (SP), Galloro ingressou na PF em agosto de 1995, três anos depois de se formar em direito. Ele fez MBA na FGV (Fundação Getúlio Vargas) em gestão de políticas de segurança pública e especialização pela UnB (Universidade de Brasília) em relações internacionais. É ex-aluno da Universidade de Harvard no Programa de Segurança Nacional e Internacional da Harvard Kennedy School.

Com mais de 22 anos de carreira, o delegado já ocupou postos estratégicos na instituição.

Antes da nomeação de Segovia, o paulista era considerado o "substituto natural" de Leandro Daiello, que deixou a diretoria da Polícia Federal em novembro do ano passado. Galloro exerceu a função de diretor executivo da PF, como "número 2" da entidade, entre 2013 e 2017. Até esta terça, trabalhava como secretário nacional de Segurança Pública, no Ministério da Justiça.

Para membros da PF, Galloro manterá o legado de Daiello ao assumir o comando da PF. Na gestão do antecessor, a PF protagonizou as mais conhecidas operações de combate à corrupção, entre elas a Lava Jato, a Acrônimo, a Zelotes, a Calicute e Ararath.

A corporação se fortaleceu com Daiello devido à firmeza frente aos inquéritos apontando para senadores, deputados e governadores, com a explosão da Lava Jato. 

Galloro foi escolhido para integrar o comitê da Interpol, a Polícia Internacional, em setembro do ano passado. O cargo deu ao Brasil a chance de participar de um grupo restrito de país que discutem as regras mundiais em assuntos de polícia e segurança pública.

Com experiência internacional, ele atuou como adido policial em Washington, entre 2011 e 2013. Ele também esteve no comando do Comitê Nacional de enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, de Refugiados e da Comissão Consultiva para Assuntos de Segurança Privada. 

Antes disso, exerceu os cargos de delegado Regional Executivo da Polícia Federal no Estado de Pernambuco, superintendente Regional da Polícia Federal no Estado de Goiás e diretor de Administração e Logística Policial da Polícia Federal.

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