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Laudo da PF comprova autenticidade de e-mails de Odebrecht sobre Instituto Lula

Adriano Vizoni/Folhapress
Imagem: Adriano Vizoni/Folhapress

Mirthyani Bezerra

Do UOL, em São Paulo

27/03/2018 15h51Atualizada em 27/03/2018 21h14

Um laudo feito pela Policia Federal comprovou a autenticidade dos e-mails apresentados pelo empresário Marcelo Odebrecht no processo em que ele e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) são réus sobre a suposta compra de um terreno, pela empreiteira, para o Instituto Lula. O resultado da perícia entrou nesta terça-feira (27) nos autos da ação que corre na Justiça Federal do Paraná.

O pedido de perícia havia sido feito pela própria defesa de Lula e ordenado no último dia 16 de março pelo juiz Sergio Moro.

O documento informa que “foram localizadas, no material examinado, todas as mensagens eletrônicas relacionadas ao evento”. A PF informa que vai disponibilizar à defesa de Lula ou técnico indicado por ela a cópia “da integralidade desse material eletrônico [e-mails] apreendido com Marcelo Bahia Odebrecht para consulta”.

O material ficará disponível pelo prazo de 15 dias. Caso os advogados do ex-presidente encontrem e-mails relevantes para o processo, devem indicar isso à Justiça em até cinco dias após o fim do prazo de consulta.

Os advogados de Lula afirmam que a apresentação das mensagens por parte de Odebrecht é "extemporânea" e contém "vícios que poderão anular o processo". Em entrevista no começo de março, o ex-presidente chamou a entrega do material de "palhaçada".

Segundo a defesa de Odebrecht, os e-mails só foram sido entregues agora porque, com o empresário em prisão domiciliar desde dezembro, ele enfim teve acesso ao conteúdo de um notebook apreendido pela Polícia Federal ainda em 2015. As conversas comprovariam que a empresa usou dinheiro de uma "conta corrente" de propinas para comprar o terreno.

Datados de julho de 2010 até março de 2012, os e-mails mostram como executivos da Odebrecht supostamente buscaram esconder as transações e se preocuparam em não expor a empresa como real compradora do terreno. As mensagens também mencionam pessoas e empresas que teriam sido usadas como intermediárias da Odebrecht e de Lula na transação. Não há nenhuma citação nominal ao ex-presidente.

O empresário e o ex-presidente são réus em processo da Operação Lava Jato sobre a compra do terreno, no valor de R$ 12,4 milhões. A entidade nunca ocupou o imóvel, que fica na zona sul de São Paulo.

Segundo a acusação feita pelo Ministério Público Federal, a transação funcionou como pagamento de propina da Odebrecht a Lula. Em troca, ele teria atuado para beneficiar a empresa em contratos com a Petrobras.

Em seu interrogatório no processo, Lula confirmou ter visitado o terreno, mas disse que não se interessou pela compra. O Instituto Lula nunca chegou a funcionar no local. Os advogados do petista dizem que ele "jamais solicitou ou recebeu a propriedade ou a posse de qualquer imóvel para o Instituto Lula" e negam que "qualquer recurso ilícito tenha sido direcionado a Lula".

Outro lado

Em nota enviada à reportagem nesta terça-feira, a defesa do ex-presidente Lula afirmou que os e-mails apresentados por Marcelo Odebrecht "não servem para fazer qualquer prova" contra o petista "e tampouco tiveram a autenticidade evidenciada pelo laudo" da PF.

Em petição apresentada à Justiça do Paraná, a defesa também requereu a realização de uma nova perícia do material "com a observância dos procedimentos forenses, que pressupõem, dentre outras coisas, a comparação desses documentos com e-mails existentes nos servidores da Odebrecht".

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