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Após ataque a tiros e protesto, Prefeitura de Curitiba volta a pedir transferência de Lula

Ernani Ogata/Código19/Estadão Conteúdo
Acampamento Marisa Letícia, no bairro Santa Cândida, em Curitiba. O acampamento foi montado por apoiadores do ex-presidente Lula, que está preso na cidade Imagem: Ernani Ogata/Código19/Estadão Conteúdo

Bernardo Barbosa

Do UOL, em São Paulo

28/04/2018 17h05Atualizada em 28/04/2018 18h40

Após o ataque a tiros que deixou dois feridos no acampamento montado em Curitiba para apoiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a prefeitura reiterou neste sábado (28) à Justiça Federal seu pedido para que o petista seja transferido de prisão. Lula cumpre pena desde o dia 7 no prédio da Superintendência da Polícia Federal na capital paranaense.

No documento, a PGM (Procuradoria-Geral do Município) também menciona a manifestação feita por integrantes do acampamento após o ataque --os militantes fecharam uma rua com uma barreira de pneus queimados, afetando a circulação das linhas alimentadoras do terminal de ônibus Santa Cândida, bairro onde ficam o acampamento e o prédio da PF. 

As procuradoras Vanessa Volpi Bellegard Palacios e Claudine Camargo dizem que o ataque a tiros "comprova o acirramento da situação no local, causando risco à integridade dos cidadãos e demonstra, mais uma vez, que a sede da Polícia Federal não se revela local adequado para a prisão do ex-presidente Luiz Inácio da Silva, razão pela qual reitera-se o pedido de transferência do mesmo".

Segundo o prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PMN), "o local oferece risco, transtorno à população, aos funcionários da própria PF e atrapalha a rotina de prestação de serviços aos brasileiros que precisam da emissão de passaportes".

A decisão sobre a transferência caberá à juíza federal Carolina Lebbos, responsável pelo processo da execução da pena de Lula. Procurada pelo UOL, a defesa do ex-presidente ainda não se manifestou.

A Prefeitura de Curitiba já havia pedido a transferência de Lula no dia 13, defendendo o restabelecimento da "ordem, o direito de ir e vir e a segurança da população". O documento dizia ainda que a sede da PF "não possui estrutura para custodiar um ex-presidente da República" por ficar em um bairro residencial.

A PGM também afirmou no primeiro que o acampamento montado por apoiadores do ex-presidente no bairro estava causando "muitos transtornos aos moradores, ao trânsito e ao comércio da região" e representaria um descumprimento de uma ordem judicial que proibiu a montagem de acampamentos na cidade sem autorização prévia da prefeitura.

Polícia investiga ataque

A Polícia Civil do Paraná começou a coletar imagens de câmeras de segurança no entorno do acampamento pró-Lula. O ataque a tiros deixou duas pessoas feridas: Jefferson Menezes, de 39 anos, baleado no pescoço; e Márcia Koakoski, de 42 anos, atingida no ombro por estilhaços depois que um banheiro químico foi alvejado. Nenhum deles corre risco de morte.

Segundo boletim divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde do Paraná pouco antes das 17h, Menezes está internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital do Trabalhador, em Curitiba, em observação. Ele não precisou passar por cirurgia até o momento e seu quadro se mantém estável.

A Secretaria de Segurança Pública do Paraná informou que peritos encontraram cápsulas de pistola 9 mm no acampamento e que as primeiras informações apontam para disparos feitos por uma pessoa que passava a pé pelo local.

Em nota, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), disse que "o ataque é mais um episódio de violência política contra a democracia". Segundo ela, existe uma suposta "omissão conivente" das autoridades e da imprensa "ante a barbárie crescente". 

Já o o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) disse que vai passar a noite com os acampados em solidariedade. "Cancelei toda a minha agenda e vim para cá para ter um parlamentar com eles [do acampamento]. Vou para o acampamento para passar a noite com eles e dar alguma segurança. É preciso que a gente reaja e mostre nossa indignação com o que está acontecendo".

Há um mês, um dos ônibus da caravana de Lula pelo Sul do país foi alvo de dois tiros também no Paraná, no trajeto entre as cidades de Quedas de Iguaçu e Laranjeiras do Sul. A autoria do crime ainda é desconhecida.