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Gleisi diz que absolvição pode ter efeitos para Lula e comemora decisão do STF

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

20/06/2018 14h24Atualizada em 20/06/2018 15h05

Em seu primeiro pronunciamento após ser absolvida pela Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal), a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, se disse aliviada com a decisão. “Se tem uma pessoa feliz, sou eu, gente. Quatro anos de muita dificuldade para enfrentar esse processo. Ontem, quando começaram a sair os votos dos ministros, foi me dando um alívio”, disse, nesta quarta-feira (20), em reunião das bancadas do partido em Brasília.

Para Gleisi, a decisão dos ministros do Supremo pode ter reflexos nos processos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso após ser condenado em segunda instância na Lava Jato. Na próxima terça-feira (26), ele terá um recurso por liberdade julgado pela Turma. “Acho que isso [sua absolvição] pode ter efeitos positivos para o presidente Lula. Acho que para o PT foi importante. A gente estava perdendo muito no Judiciário. Essa absolvição foi muito importante para nós”, comentou a senadora.

A presidente do partido ainda leu trechos de uma carta que recebeu de Lula nesta quarta-feira.

Nela, o petista, que está preso em Curitiba desde abril, disse que a decisão dos ministros do STF foi “uma importante vitória da democracia”. “Agora pergunto: quem vai pedir desculpas? Nada espero dos que a acusaram falsamente”, escreveu Lula. Para ele, “de vitória em vitória, vamos restaurar esse país”.

O voto do ministro Ricardo Lewandowski, presidente da Segunda Turma, foi ressaltado por Gleisi. Ela pontuou a referência dele a uma “delação que não servia para nada”, nas palavras da senadora. Essa foi mais uma oportunidade para Gleisi criticar a Lava Jato, dizendo que seus processos são baseados, “basicamente”, em delações.

Gleisi recebeu flores de parlamentares petistas que a recepcionaram da reunião das bancadas do partido da Câmara e do Senado. A senadora disse que sua absolvição era uma vitória não apenas dela, mas de todos do partido. “[A decisão] pode ser um marco de um novo momento nas questões do judiciário brasileiro”, apontou, fazendo especial menção à Operação Lava Jato.

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Como foi o julgamento

Em julgamento nesta terça-feira (19), a 2ª Turma do STF decidiu absolver por unanimidade a senadora e o marido dela, o ex-ministro Paulo Bernardo (PT), da acusação apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República) pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro em processo ligado à Operação Lava Jato.

Eles foram denunciados sob a acusação de terem recebido R$ 1 milhão em propina do esquema de corrupção na Petrobras. O dinheiro teria sido empregado na campanha de Gleisi ao Senado em 2010. A denúncia afirma que o valor foi liberado pelo então diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, com o objetivo de conseguir apoio político para sua manutenção no cargo.

Os ministros entenderam que não havia provas contra a senadora e o ex-ministro das suspeitas levantadas pela acusação.

Gleisi e Paulo Bernardo foram absolvidos por unanimidade dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Dois ministros da 2ª Turma defenderam condenar a senadora pelo crime de caixa dois, mas essa posição ficou em minoria e foi derrotada por 3 votos a 2 no julgamento.

"São tantas as incongruências e inconsistências nas colaborações premiadas que elas se tornam completamente imprestáveis para sustentar qualquer condenação", declarou Lewandowski, ministro que foi elogiado hoje por Gleisi.

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