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Alvo da Zelotes, economista ligado ao PSDB diz que suspeitas são 'infundadas'

Roberto Giannetti da Fonseca é alvo de nova etapa da Zelotes - Marcelo Justo - 18.out.2010/Folhapress
Roberto Giannetti da Fonseca é alvo de nova etapa da Zelotes Imagem: Marcelo Justo - 18.out.2010/Folhapress

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

26/07/2018 11h06Atualizada em 26/07/2018 17h41

O economista Roberto Giannetti da Fonseca e sua empresa, a Kaduna Consultoria, disseram que são “totalmente infundadas as suspeitas levantadas” contra eles na décima etapa da Operação Zelotes. Em nota conjunta, eles dizem que “estão abertos a prestar qualquer informação e colaborar integralmente com a Justiça Federal para elucidação de qualquer fato”.

Giannetti era coordenador-geral do programa de governo do ex-prefeito paulistano João Doria (PSDB) ao governo de São Paulo. Ele pediu afastamento do cargo após a operação.

“Ele [Giannetti] reafirma que aqueles que o conhece sabem que ele sempre se pautou pelos princípios éticos e legais no relacionamento com seus clientes e com as autoridades públicas”, diz o comunicado do economista e da consultoria.

Já a campanha de Doria disse que o objetivo do afastamento é que o economista se dedique "à elaboração de sua defesa nas investigações da Operação Zelotes”.

Em nota, o PSDB disse que não há relação da operação de hoje com o partido. "O PSDB esclarece que os fatos relatados não têm relação com as colaborações de Roberto Gianetti com o partido."

Giannetti também atuava no Lide (Grupo de Líderes Empresariais), do grupo empresarial fundado Doria. Em nota, o Lide disse que o economista "pediu afastamento temporário do Comitê de Gestão do LIDE para se dedicar à sua defesa".

Décima etapa 

Nesta quinta-feira (26), o economista foi um dos alvos da investigação do MPF (Ministério Público Federal), da Receita Federal e da PF (Polícia Federal) que apura irregularidades junto ao Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). A estimativa é de que elas tenham causado prejuízos totais de cerca de R$ 900 milhões.

De acordo com as investigações, a Kaduna, de Gianetti, teria recebido R$ 8 milhões por meio de um suposto contrato de fachada com a siderúrgica Paranapanema, para o qual não haveria comprovação de serviços realizados pela consultoria.

Posteriormente, a Paranapanema foi beneficiada num julgamento do Carf, com a anulação de uma cobrança de tributos não pagos cujo valor atualizado, mais multas aplicadas, alcança R$ 650 milhões.

Além da campanha de Doria, Giannetti também teve ligação com o pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin. Giannetti escreveu, por vontade própria, um manifesto ?para a campanha de Alckmin. A análise, contudo, não será usada pela campanha.

Em nota, o tucano se manifestou a respeito do economista e da operação. "Em relação ao Roberto Giannetti da Fonseca eu não tenho informação, mas ele não faz parte da nossa equipe --sempre participou e participa das campanhas do PSDB".

Em nota a Paranapanema afirma que a companhia ou seus atuais gestores não foram notificados oficialmente sobre a investigação e disse possuir "rigorosas políticas" de controle e conformidade corporativas.

"A Companhia tampouco seus administradores ou gestores atuais foram alvo ou notificados oficialmente. A Companhia repudia quaisquer atos de ilegalidade e conta com rigorosas políticas de controle e conformidade, que têm sido permanentemente aprimoradas", diz a nota, enviada pela assessoria de imprensa da companhia.

Iniciada há três anos, a Zelotes apura esquemas de sonegação fiscal no país. Grupos atuavam junto ao Carf, órgão do Ministério da Fazenda, para reverter ou anular multas.

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