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Bolsonaro rebate indicado e diz que médico brasileiro não precisa de exame

José Lucena/Estadão Conteúdo
Bolsonaro concede entrevista ao sair da Escola de Educação Física do Exército, no Rio Imagem: José Lucena/Estadão Conteúdo

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

2018-11-25T14:36:27

2018-11-25T16:27:23

25/11/2018 14h36Atualizada em 25/11/2018 16h27

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), rebateu neste domingo (25) o futuro ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), e descartou a criação de um exame de certificação para médicos formados no Brasil. A proposta havia sido comentada por Mandetta em entrevista ao jornal “O Globo”.

Bolsonaro chegou a comparar a medida defendida pelo futuro ministro ao Revalida --exame que médicos (brasileiros ou estrangeiros) formados fora do Brasil precisam fazer para validação do diploma e, assim, exercer a medicina no país.

“Sou contra revalida para médicos brasileiros. [Mandetta] está sugerindo o revalida com certa periodicidade, mas eu sou contra porque vai desaguar na mesma situação que acontece com a OAB [Ordem dos Advogados do Brasil]”, declarou o presidente eleito após participar de um evento na escola de Educação Física do Exército, no Rio.

O exame da OAB é uma avaliação à qual os bacharéis em direito precisam se submeter para exercerem legalmente a advocacia no Brasil.

O Revalida voltou a ser debatido nos últimos dias após a saída dos cubanos do programa Mais Médicos, que libera médicos formados no exterior (mesmo os brasileiros) de fazer o exame.

“Nós não podemos formar jovens no Brasil, cinco anos no caso dos bacharéis em direito, e depois submetê-los a serem advogados de luxo em escritórios de advocacia”, completou ele, antes de se corrigir: “Advogados de luxo, não. Boys de luxo em escritórios de advocacia.”

Não são só cubanos do Mais Médicos que não fazem Revalida; entenda... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2018/11/18/nao-sao-so-cubanos-do-mais-medicos-que-nao-fazem-revalida-entenda.htm?cmpid=copiaecola

O raciocínio de Bolsonaro é que, com a criação de uma certificação para o setor, médicos formados e reprovados no exame acabariam impedidos de exercer a profissão.

De acordo com um estudo realizado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), 56% dos candidatos que prestaram o exame entre 2010 e 2015 foram aprovados.

Congresso deve debater exame para médico, diz Mandetta

Em entrevista publicada neste domingo no jornal “O Globo”, Mandetta disse que o Congresso deveria debater a criação de uma prova para os médicos brasileiros.

“No mundo inteiro, depois do término da escola, o médico volta em cinco anos para uma recertificação. No Brasil, não existe nada. Vale o seguinte: ‘Toma o diploma e vá ao mundo. Pode abrir cabeça, pode operar o coração...’”, declarou o futuro ministro.

“As pessoas falam que, se for colocar uma prova para saber se o cara sabe medicina ou não, seria só para o cara de fora. E o médico brasileiro? Eu sou favorável a que o médico brasileiro também faça”, disse.

Definição de ministros

Bolsonaro conversou rapidamente com a imprensa depois de reencontrar colegas e prestigiar autoridades militares na Escola de Educação Física do Exército, onde ele se formou em 1982.

O evento é chamado de “Encontro do Calção Preto” --em referência ao uniforme dos militares profissionais de educação física.

O presidente eleito respondeu ainda que não há pressa para definição final dos ministérios, mas que pretende fechar a relação de nomes ainda nesta semana. “Os nomes que aparecem têm que estudar. Espero até o final do mês estar resolvido isso.”

“Eu não tenho prioridade [definir ministérios]. Todos estão na mesa. Estamos escolhendo o melhor. Queremos pessoas independentes, isentas, que sejam honestas e pensem no Brasil.”

Bolsonaro diz que não vai ver Vasco x Palmeiras

O presidente eleito também comentou o fato de ter desistido de acompanhar o jogo Vasco x Palmeiras no estádio São Januário, em São Cristóvão, na zona norte carioca.

Bolsonaro é torcedor do Palmeiras, que está próximo de confirmar o título do Campeonato Brasileiro. Ele disse, no entanto, que sente afinidade pelo Vasco --clube de um dos filhos, Flávio, senador eleito pelo PSL no Rio.

“Por mim, eu iria [ao jogo]. Mas todo mundo que participa da segurança foi unânime para eu não comparecer. Vou ver em casa. Torcer para o empate.”

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