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MPE pede desaprovação de contas de presidente da Alesp

Deputado estadual Cauê Macris (PSDB) e presidente da Alesp - Divulgação/Facebook Cauê Macris
Deputado estadual Cauê Macris (PSDB) e presidente da Alesp Imagem: Divulgação/Facebook Cauê Macris

Guilherme Mazieiro

do UOL, em São Paulo

26/11/2018 18h33

O MPE (Ministério Público Eleitoral) pediu desaprovação das contas do presidente da Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo), Cauê  Macris (PSDB). A promotoria aponta que não está claro a razão pela qual “92 fiscais de tributos estaduais, vinculados à mesma fonte pagadora [recebem salários de um mesmo lugar], doaram considerável valor para sua campanha [de Macris], muito menos explica o porquê alguns doadores figuram no cadastro geral de desempregados”.

Esse valor doado pelas 92 pessoas apontadas pelo MPE corresponde a cerca de 25% do que foi arrecadado pela campanha de Cauê Macris à reeleição para deputado. Segundo os dados oficiais, o tucano recebeu R$ 751 mil, dos quais R$ 182 mil vieram desses apoiadores. Os números foram levantados pelo UOL, com base na prestação de contas entregue à Justiça Eleitoral.

Outro ponto que sustenta o pedido do MPE é que não foi comprovada a capacidade financeira de quatro pessoas desempregadas que doaram para campanha. O valor total repassado por essas pessoas foi de R$ 4.500. O MPE obteve essa informação após cruzar dados da prestação de contas com informações do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

O pedido do MPE foi feito em 13 de novembro e ainda não foi julgado pela Justiça Eleitoral.

Os dois pontos foram questionados à campanha e respondidos no processo. Ainda assim, o MPE considerou a resposta de Cauê "desacompanhada de provas, não supre a suspeita apontada na exordial [pedido inicial], a qual deve ser objeto de exame pelo órgão técnico desse Tribunal".

O UOL procurou a assessoria de imprensa do MPE, para comentar o caso, mas foi informado que a Procuradoria de São Paulo “não comenta detalhes de casos que ainda estejam em andamento”.

O atual presidente da Casa articula um novo mandato no cargo e é um dos braços direitos do governador eleito João Doria (PSDB). Outra candidata à presidência da casa é Janaína Paschoal (PSL), deputada mais votada em 2018 no estado. A promotoria também pediu a desaprovação das contas dela. A deputada eleita informou que não há irregularidades em suas contas e entregou a documentação no prazo adequado à Justiça Eleitoral.

Outro Lado

A assessoria de imprensa de Cauê Macris informou, por meio de nota, que o deputado declarou todas as doações recebidas e que elas "obedeceram estritamente as determinações da Justiça Eleitoral".

"Não há qualquer irregularidade no fato de que profissionais que trabalham em um mesmo local tenham exercido a cidadania e de forma espontânea contribuíssem para a campanha." Sobre os doadores sem vínculo de emprego, a assessoria informou que são "aposentados", e que esse tipo de doação "também é permitido pela Justiça Eleitoral".

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