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Chefia da Alesp tem a ver com proposta, não com pênis e vagina, diz Janaina

30.ago.2016 - A advogada Janaina Paschoal durante o julgamento do impeachment de Dilma Rousseff no Senado - Geraldo Magela/Agência Senado
30.ago.2016 - A advogada Janaina Paschoal durante o julgamento do impeachment de Dilma Rousseff no Senado Imagem: Geraldo Magela/Agência Senado

Janaina Garcia

Do UOL, em São Paulo

28/11/2018 12h17

A deputada estadual eleita Janaina Paschoal (PSL) ironizou nesta quarta-feira (28) a possibilidade de ter de enfrentar outra mulher na disputa à Presidência da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) ao afirmar que a disputa não tem relação com o gênero.

“A disputa pela presidência da Assembleia tem a ver com propostas, e não com pênis e vagina!”, escreveu a advogada e professora universitária, que ganhou notoriedade, em 2015, ao ser uma das três pessoas que assinaram o pedido de impeachment contra a então presidente Dilma Rousseff (PT).

Janaina se manifestou em seu perfil no Twitter, onde, em 25 tópicos, relatou ter sido informada de que haveria outra mulher na disputa à Presidência durante reunião com três dos quatro deputados estaduais eleitos pelo partido Novo. Até o momento, ela figura como praticamente único nome posto à disputa – subsidiada não apenas pela maior votação no país (pouco mais de 2 milhões de votos), como pelo fato de o PSL ter eleito a maior bancada.

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“Não estou querendo concorrer por vaidade, ou para ser ‘a primeira mulher presidente da Alesp’! Isso seria apenas algo a mais”, escreveu. “Não obstante, nessa reunião [com os integrantes do Novo], soube que estão articulando para lançar uma outra mulher candidata, tudo com o fim de ‘quebrar estratégia’”, complementou, sem citar nomes ou partidos.

“Fico feliz que outras deputadas se candidatem. Creio que assumir esses desafios seja importantíssimo. Mas acho o fim alguém se candidatar e ter a oferecer o fato de ser mulher”, concluiu.

De acordo com a deputada eleita, a reunião ocorreu na última segunda (26) com o intuito de apresentar “ideias para a Presidência da Alesp”. Apesar de detalhar, na rede social, propostas que teriam sido discutidas na ocasião –entre elas a de abrir votações hoje feitas apenas em colégio de líderes –, a deputada eleita admitiu ter pedido ao Novo que apoiasse a candidatura dela à Presidência e disputasse, por sua vez, outros cargos da mesa, contra o “tradicional triunvirato” composto, segundo ela, por PSDB, DEM e PT.

“No entanto, pelo que senti, [os eleitos do Novo] pretendem lançar candidato próprio. É um direito!”, afirmou Janaina.

Deputada eleita relata incômodo de colegas do Novo

Em seus posts, Janaina relatou bastidores que teriam incomodado os futuros colegas de Alesp nesse encontro – a respeito do presidenciável do Novo, João Amoêdo, quinto colocado no primeiro turno com 2,51% dos votos válidos. Janaina chegou a propor ao empresário aliança com Jair Bolsonaro (PSL) que o demovesse de se lançar candidato, mas o Novo recusou a oferta.

“Os colegas se ofenderam porque eu disse que Amoêdo não aceitou trabalhar junto e perdeu. Eles interpretam que Amoêdo ganhou. A forma de ler o mundo é sempre muito subjetiva. Eu respeito as subjetividades”, concluiu.

Ao avaliar o resultado da reunião, afirmou que o “intuito foi um só: chamar para trabalhar junto”. “Eles são livres para aceitar, ou não. Eles ficaram meio incomodados com meu jeito. Eu me esforço para ser mais política, mas não sou. Não consigo dizer as coisas sem dizer as coisas. Isso gerou um certo desconforto”, resumiu.

A futura deputada estadual informou ainda que vai “dar um tempo” em suas “andanças pela Alesp”, já que teria sido informada que “uma nova interpretação do regimento” da Casa proíbe que deputados eleitos “acompanhem as atividades de perto”.

Contas desaprovadas

Semana passada, a Justiça Eleitoral recomendou a desaprovação das contas de campanha de Janaina sob o argumento de que ela não entregou "relatórios financeiros no prazo", segundo análise técnica da Seção de Contas Eleitorais.

De acordo com o parecer da Justiça, que servirá de base para o relator do caso aprovar ou não a prestação de contas, a candidata arrecadou R$ 18,5 mil, mas não enviou os relatórios financeiros desse valor.

A análise técnica considera que por isso há "inconsistência grave que caracteriza omissão de informação tempestiva que obsta o controle concomitante de regularidade das contas pela Justiça Eleitoral, bem como o controle social, podendo repercutir na regularidade das contas finais". 

Outro ponto apresentado pelo relatório é a falta de documentos para embasar a prestação de serviços de duas pessoas, no valor total de R$ 4 mil. Segundo o site da Justiça Eleitoral, a campanha de Janaina recebeu R$ 65,1 mil. Desse total, R$ 58,5 mil são de recursos próprios e R$ 6,6 mil de doação do PRTB, partido do vice-presidente eleito, Hamilton Mourão.

No final de semana, a deputada estadual eleita afirmou ter apresentado todos os documentos da campanha à Justiça Eleitoral, mas admitiu temer riscos à posse em 2019.

"Estou numa situação difícil, pois essa não é minha área. As pessoas dizem para eu não me preocupar, mas eu fico preocupada e me sinto no dever de dar uma satisfação", escreveu Janaina, novamente no Twitter. "Ademais, é muito triste ler que eu cometi uma omissão grave, quando não cometi omissão nenhuma, já que apresentei todos os documentos no dia certo! Vejam, os advogados disseram que essa situação não interfere na minha diplomação e posse. Mas eu realmente não sei", concluiu a advogada.

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