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Bolsonaro sobre abertura de processo contra Onyx no STF: "nada preocupa"

Divulgação/Governo de Transição
Ao lado de Onyx (de gravata azul), Bolsonaro se reuniu com a bancada de deputados do MDB nesta terça Imagem: Divulgação/Governo de Transição

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

04/12/2018 18h39

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), disse nesta terça-feira (4) desconhecer a abertura de processo contra o futuro ministro-chefe da Casa Civil, deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), e afirmou que “nada preocupa”. No entanto, disse que, se houver evidências “robustas” de corrupção, providências serão tomadas -- sem especificar quais.

“Não vi ainda [o processo]. Estava reunido até agora. Não vi até agora. Nada preocupa. Em havendo qualquer acusação robusta de algo de irregularidade, como acertado com o ministro Moro, nós tomaremos uma providência”, declarou.

A pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República), o ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a abertura de processo para apurar o suposto pagamento de caixa 2 dois a Onyx. Os acordos de delação da JBS apontaram dois repasses a Onyx, um de R$ 100 mil em 2014 e outro de R$ 100 mil em 2012.

Onyx já admitiu em uma entrevista ter recebido R$ 100 mil da JBS em 2014 e pediu desculpas, mas negou a segunda denúncia de caixa 2 revelada pelo jornal "Folha de S.Paulo". Após a autuação do processo em separado, a PGR deverá analisar se pede a abertura de inquérito.

Moro defende Onyx

Mais cedo, o futuro ministro da Justiça e ex-juiz federal responsável pelos processos da Operação Lava Jato em primeira instância em Curitiba, Sergio Moro, disse que "as indagações devem ser dirigidas a ele [Onyx]", mas defendeu o colega de Esplanada.

“Assisti de perto o grande esforço que ele [Onyx] realizou para a aprovação [do projeto] das 10 medidas contra a corrupção do Ministério Público. Ocasião na qual ele foi abandonado pela grande maioria dos seus pares por razões que não vêm aqui ao caso, mas ele demonstrou naquela oportunidade o comprometimento pessoal com custo político significativo para a causa anticorrupção. Ele tem minha confiança pessoal em relação de trabalho”, declarou.

“Funai vai para algum lugar”, diz Bolsonaro

O presidente eleito também falou sobre o destino da Funai (Fundação Nacional do Índio), atualmente vinculada ao Ministério da Justiça. Nesta segunda (3), Onyx disse que uma possibilidade era o órgão ser submetido ao Ministério da Agricultura.

Contrariando Onyx ao ser questionado sobre o assunto, Bolsonaro disse que a Funai “vai para algum lugar”, provavelmente o Ministério da Cidadania, mas não para a Agricultura.

“A Funai vai para algum lugar. Para a Agricultura, eu acho que não. Pode ir lá para Ação Social [na verdade, Cidadania]”, afirmou.

Articulação política

Nesta segunda, Onyx disse ainda que a coordenação política do Palácio do Planalto com o Congresso Nacional ficaria a cargo da Casa Civil, que comandará, por meio de dois grupos de ex-parlamentares – um para a Câmara; outro para o Senado.

A Secretaria de Governo, a ser chefiada pelo general da reserva do Exército Carlos Alberto dos Santos Cruz, que até o momento é responsável pela função, ficará com assuntos federativos e o PPI (Programa de Parcerias de Investimentos).

Indagado sobre o tema, Bolsonaro falou que o trabalho será de todos. “A coordenação fica com Onyx, fica com Santos Cruz, fica comigo. Todo mundo tem de falar de política, né? Um tem atividade mais voltada para estados, municípios. Outro dentro do parlamento”, explicou.

Quanto ao trabalho a ser exercido pelo seu vice eleito, general da reserva do Exército Antônio Hamilton Mourão, Bolsonaro ressaltou: “O Mourão é o vice. Assume na minha ausência”.