Topo

Se errei, arco com responsabilidade, diz Bolsonaro sobre empréstimo a amigo

Lola Ferreira/UOL
08.dez.2018 - O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) deu entrevista após formatura na Escola Naval Imagem: Lola Ferreira/UOL

Lola Ferreira

Colaboração para o UOL, no Rio

2018-12-08T12:40:41

2018-12-08T16:16:34

08/12/2018 12h40Atualizada em 08/12/2018 16h16

“Se eu errei, eu arco com a minha responsabilidade perante o Fisco. Sem problema nenhum”, afirmou Jair Bolsonaro (PSL) neste sábado (8) sobre os R$ 24 mil pagos pelo ex-assessor Fabrício José de Queiroz à futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

O presidente eleito disse que o valor era devolução de parte de uma dívida pessoal de Queiroz --o valor total, diz Bolsonaro, seria de R$ 40 mil-- e que o amigo e ex-assessor parlamentar de seu filho Flávio Bolsonaro fez o depósito na conta de Michelle.

Ao participar de evento da Marinha, no centro do Rio, hoje, Bolsonaro foi questionado pela imprensa por não ter declarado os valores em seu Imposto de Renda. O presidente eleito disse que os empréstimos foram se “avolumando” ao longo dos anos..

Pelas regras da Receita, quem toma empréstimos ou empresta dinheiro acima de R$ 5.000, envolvendo pessoa física ou banco, precisa fazer declaração no Imposto de Renda.

Segundo Bolsonaro, os pagamentos foram feitos por meio de dez cheques de R$ 4 mil. No entanto, reportagem do jornal "O Estado de S. Paulo" relata que o Coaf identificou a compensação de um cheque de R$ 24 mil para Michelle.

Bolsonaro reiterou que o depósito foi feito na conta de Michelle porque ele tem dificuldade de ir ao banco devido à “falta de tempo”. Ele também afirmou que lamenta o constrangimento pelo qual a futura primeira-dama está passando, com seu nome envolvido nos questionamentos.

"Deixei para a minha esposa. Lamento o constrangimento que ela está passando. Mas ninguém recebe ou dá dinheiro sujo com cheque nominal, meu Deus do céu. Isso é uma coisa normal, natural, isso não existe", disse.

Sobre os empréstimos feitos a Queiroz por outros sete funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), o presidente eleito afirmou que isso é normal e atribuiu à solidariedade entre colegas. “Se vocês pegarem nos ciclos de amizade, seja na imprensa, no quartel, num hospital, é normal entre funcionários se ajudarem. E isso ocorre na assembleia [Alerj], é absolutamente normal socorrer quem está do seu lado.”

Após cancelar agenda na sexta (7), Bolsonaro participou na manhã de hoje da Cerimônia de Declaração de Guardas-Marinha de 2018 na Escola Naval. O evento marca a formatura dos oficiais da Marinha.

Coaf detectou "transações atípicas" de ex-assessor

Um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) apontou movimentação atípica de R$ 1,2 milhão em uma conta no nome do ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho mais velho do presidente eleito, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017.

Uma das transações citadas no relatório é o pagamento destinado por Queiroz à mulher de Jair Bolsonaro.

A comunicação do Coaf não significa que haja alguma irregularidade na transação, mas mostra que os valores movimentados, ou o tipo de transação envolvida, não seguiram o padrão esperado para aquele tipo de cliente. O órgão informou que foi comunicado das movimentações de Queiroz pelo banco porque elas são "incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional e a capacidade financeira" do ex-assessor parlamentar.

O documento, revelado pelo jornal "O Estado de S. Paulo", foi anexado pelo Ministério Público Federal à investigação que deu origem à Operação Furna da Onça, realizada no mês passado e que levou à prisão dez deputados estaduais da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

Para Bolsonaro, os advogados dos parlamentares fluminenses presos vazaram informações do Coaf sobre a movimentação atípica de Queiroz. "Pente fino do Coaf foi feito no início do ano. Foram advogados que vazaram isso agora para tentar desviar o foco da atenção, deles para o meu filho", acusou o presidente eleito neste sábado.

Fabrício José Carlos de Queiroz foi exonerado do gabinete de Flávio no dia 15 de outubro deste ano. Registrado como assessor parlamentar, Queiroz é também policial militar e, além de motorista, atuava como segurança do deputado.

Após serem reveladas as constatações do Coaf, Flávio defendeu o antigo assessor e disse não ter conhecimento nada que "desabonasse sua conduta". "Fabrício Queiroz trabalhou comigo por mais de dez anos e sempre foi da minha confiança. Nunca soube de algo que desabonasse sua conduta. Em outubro foi exonerado, a pedido, para tratar de sua passagem para a inatividade. Tenho certeza de que ele dará todos os esclarecimentos", escreveu em sua conta no Twitter.

Na tarde de ontem, Flávio disse que cobrou explicações do ex-motorista. "Hoje o Fabrício Queiroz conversou comigo. Ele me relatou uma história bastante plausível e me garantiu que não teria nenhuma ilegalidade nas suas movimentações", afirmou. "Assim que ele for chamado ao Ministério Público, vai dar os devidos esclarecimentos."