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PF faz buscas em endereços ligados a Aécio Neves

Aécio Neves (PSDB-MG), senador e deputado eleito - Pedro Ladeira/Folhapress
Aécio Neves (PSDB-MG), senador e deputado eleito Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

Do UOL, em São Paulo*

11/12/2018 07h39Atualizada em 11/12/2018 13h37

O senador e deputado federal eleito Aécio Neves (PSDB-MG) e o deputado federal paulista Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, presidente nacional do partido Solidariedade, são alvos de mandados de busca e apreensão em operação deflagrada pela PF (Polícia Federal) na manhã desta terça-feira (11).

De acordo com a PF e o MPF (Ministério Público Federal), a operação é um desdobramento da delação da JBS e tem como objetivo investigar o recebimento de cerca de R$ 130 milhões em propina por três senadores e três deputados federais entre os anos de 2014 e 2017. As notas da PF e do MPF não citam os nomes dos parlamentares.

Segundo a TV Globo e o jornal "Folha de S.Paulo", os senadores Antonio Anastasia (PSDB-MG) e Agripino Maia (DEM-RN) e os deputados Cristiane Brasil (PTB-RJ) e Benito da Gama (PTB-BA) também são investigados pela PF, mas não tiveram mandados de busca e apreensão autorizados contra eles.

O dinheiro pago, segundo a PF, serviu para obtenção de apoio político e também foi utilizado por Aécio durante a campanha presidencial de 2014, quando foi derrotado no segundo turno.

De acordo com as investigações, Aécio comprou apoio político do Solidariedade por R$ 15 milhões, e empresários paulistas ajudaram com doações de campanha e caixa 2.

Em nota, a defesa de Aécio negou as acusações e disse que o tucano sempre esteve à disposição para prestar esclarecimentos e que recebeu apenas doações legais e registradas na Justiça Eleitoral.

Também em nota, o deputado Paulinho da Força criticou a delação da JBS e classificou acusação de compra de apoio do Solidariedade por Aécio de "absurda" e algo que "beira o ridículo". (Leia abaixo o que dizem as demais de Aécio, Paulinho e demais suspeitos).

11.dez.2018 - PF cumpre mandados de busca e apreensão no apartamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG), na avenida Vieira Souto, Ipanema, na zona sul do Rio - Severino Silva/Agência O Dia/Estadão Conteúdo - Severino Silva/Agência O Dia/Estadão Conteúdo
PF cumpre mandados de busca e apreensão em apartamento ligado a Aécio Neves, na avenida Vieira Souto, Ipanema
Imagem: Severino Silva/Agência O Dia/Estadão Conteúdo

Segundo o MPF, o grupo econômico que controla a JBS  teria repassado cerca de R$ 130 milhões que foram distribuídos a parlamentares de pelo menos três legendas.

"Em troca dos recursos financeiros, o senador [Aécio] teria prometido favorecimentos em um eventual governo presidencial (2015 a 2018) além de influência junto ao governo estadual de Minas Gerais, neste caso, com o objetivo de viabilizar a restituição de créditos tributários", declara o MPF em nota.

"Suspeita-se que os valores eram recebidos através da simulação de serviços que não eram efetivamente prestados e para os quais eram emitidas notas fiscais frias", diz a PF.

Os suspeitos de emitir notas fiscais frias para Aécio também são alvos da operação. Os crimes investigados são o de corrupção passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro e associação criminosa, de acordo com a PF.

A ação foi autorizada pelo Ministro Marco Aurelio Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), após pedido feito pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge. Ao todo, foram expedidos 24 mandados de busca e apreensão e 48 intimações para depoimentos.

As medidas estão sendo cumpridas no Distrito Federal e nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul, Tocantins, e Amapá.

Entre os alvos, estão endereços relacionados a Aécio Neves, e da irmã dele, Andréa Neves, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.

Agentes da polícia foram a um prédio de luxo na avenida Vieira Souto, em Ipanema, no zona sul do Rio, onde Aécio tem residência. Os agentes deixaram o local por volta das 8h.

Em Belo Horizonte, uma equipe de sete pessoas permaneceu por quase três horas na residência do senador no bairro Anchieta, área nobre da cidade.

A operação foi batizada de Ross é um desdobramento da Operação Patmos, uma fase da Lava Jato deflagrada em maio de 2017, que teve como base a delação de executivos Joesley Batista e Ricardo Saud, da J&F.

A operação foi batizada de Ross, que faz referência a um explorador britânico que dá nome à maior plataforma de gelo do mundo localizada na Antártida fazendo alusão às notas fiscais frias que estão sob investigação.

Executivos da JBS tentam manter benefícios, diz defesa de Aécio

Em nota, o advogado de Aécio, Alberto Zacharias Toron, informou que o senador "sempre esteve à disposição para prestar esclarecimentos e apresentar todos os documentos que se fizessem necessários às investigações, bastando para isso o contato com seus advogados".

"O inquérito policial baseia-se nas delações dos executivos da JBS, que tentam transformar as doações feitas a campanhas do PSDB, devidamente registradas na Justiça Eleitoral, em algo ilícito para, convenientemente, tentar manter generosos benefícios de seus acordos de colaboração", diz a nota.

"A correta isenta investigação vai apontar a verdade e a legalidade das doações feitas", conclui o texto.

Delação da JBS foi desmoralizada, diz Paulinho

Em nota divulgada, Paulinho da Foçar diz que "a delação da JBS foi desmoralizada publicamente e a fraude realizada pelos delatores foi comprovada com a prisão dos dois empresários pelo Superior Tribunal Federal (STF)".

"A acusação absurda de compra de apoio do partido Solidariedade para a candidatura à Presidência de Aécio Neves, em 2014, beira o ridículo", diz o texto.

Paulinho diz ainda que, desde a sua criação, em 2013, o Solidariedade já apoiava Aécio "por acreditar em seus projetos para o país".

O texto termina dizendo que o deputado federal "se colocou à disposição da Justiça para prestar quaisquer esclarecimentos, desde que lhe seja facultado acesso ao processo previamente".

O que dizem as demais defesas

Procurada por meio de seu gabinete, a deputada Cristiane Brasil não foi localizada. A reportagem foi informada que a assessoria de imprensa dela só estaria à disposição na quarta-feira (12).

O deputado Benito Gama confirmou que foi "convidado para prestar testemunho. "Assim como em toda a minha trajetória, continuo sempre à disposição da Justiça em qualquer investigação. O mesmo faz parte do estado democrático", disse em nota.

"Repudio em absoluto qualquer ato de corrupção e tentativa de ser relacionado ao objeto das investigações da Lava Jato", diz o texto.

Em nota, o senador Antonio Anastasia disse desconhecer "totalmente o motivo pelo qual teve seu nome envolvido nessa história". "Em toda sua trajetória, ele nunca tratou de qualquer assunto ilícito com ninguém", diz o texto.

Também em nota, assessoria do senador Agripino Maia disse que, "enquanto presidente nacional do Democratas buscou, seguindo a legislação eleitoral vigente, doações para o partido".

O texto diz ainda que as doações foram voluntariamente feitas sem qualquer tipo de compromisso entre o doador e o partido ou qualquer dos seus integrantes. "O senador permanece à disposição da Justiça para os esclarecimentos que se fizerem necessários."

*Colaboração de Carlos Eduardo Cherem, em Belo Horizonte

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que informou a reportagem, os senadores Antonio Anastasia (PSDB-MG) e Agripino Maia (DEM-RN) e os deputados Cristiane Brasil (PTB-RJ) e Benito da Gama (PTB-BA) não são alvos mandados de busca e apreensão.

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