Topo

Bolsonaro diz que não é investigado, mas pagará "se algo estiver errado"

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo*

12/12/2018 21h03Atualizada em 13/12/2018 14h51

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), afirmou nesta quarta-feira (12) que não está sendo investigado, mas que irá pagar a conta "se algo estiver errado" no caso de um ex-assessor de seu filho, o deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL), que segundo o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) teve uma movimentação bancária "atípica" de R$ 1,2 milhão.

"Eu deixo bem claro que eu não sou investigado, meu filho Flávio não é investigado, e pelo que consta esse ex-assessor será ouvido pela Justiça", disse Bolsonaro em uma live realizada na noite desta quarta em suas redes sociais.

"Agora, se algo estiver errado -que seja comigo, com meu filho, com o Queiroz [o ex-assessor Fabrício José de Queiroz], que paguemos a conta deste erro, porque não podemos comungar com o erro de ninguém", completou.

Bolsonaro disse ainda estar "aberto" a "quem quiser fazer qualquer pergunta sobre esse assunto". 

"O que a gente mais quer é que [o caso] seja esclarecido o mais rápido possível e sejam apuradas as responsabilidades. Se é minha, se é do meu filho, se é do Queiroz ou de ninguém, porque afinal de contas o Queiroz também não estava sendo investigado, foi um vazamento ali", afirmou o presidente eleito, que disse, em seguida, não ser contra vazamentos. "Não sou contra vazamento, tem que vazar tudo mesmo, nem devia ter nada reservado. [Tem que] Botar tudo para fora e chegar à conclusão".

Bolsonaro também disse que o surgimento do caso, tratado como suspeita de corrupção, "dói". "Dói no coração da gente? Dói, porque o que nós temos de mais firme é o combate à corrupção. E aconteça o que acontecer, enquanto eu for presidente, nós vamos combater a corrupção usando todas as armas do governo", completou. 

O presidente eleito ainda prometeu usar o próprio Coaf, que em seu governo deixará de fazer parte do ministério do Planejamento para ser integrado ao ministério da Justiça e Segurança Pública, sob as mãos do ex-juiz Sergio Moro, para combater crimes de corrupção.

O que diz a investigação

Segundo o relatório do Coaf, Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, enquanto trabalhava como motorista e segurança de Flávio na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro). Policial militar, ele foi exonerado do cargo em 15 de outubro deste ano.

O Coaf foi informado das movimentações de Queiroz pelo banco porque elas seriam "incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou a ocupação profissional e a capacidade financeira" do ex-assessor parlamentar. Na folha de pagamentos da Alerj de setembro consta que Queiroz recebeu R$ 8.517 de remuneração, ganho que acumulava com rendimentos mensais de R$ 12,6 mil da Polícia Militar.

O relatório também cita que foram encontradas na conta transações envolvendo dinheiro em espécie, embora Queiroz exercesse uma atividade cuja "característica é a utilização de outros instrumentos de transferência de recurso".

Além disso, novas análises dos relatórios do Coaf indicam que sete servidores da Alerj fizeram transferências para a conta do ex-assessor de Flávio Bolsonaro. Entre 1º de janeiro de 2016 e 31 de janeiro de 2017, foram transferidos R$ 116.556 para a conta de Fabrício.

O relatório do Coaf foi anexado pelo MPF à investigação que deu origem à Operação Furna da Onça, que levou à prisão dez deputados estaduais da Alerj, em novembro. Flávio Bolsonaro não estava entre os alvos da operação. Seu ex-assessor foi citado na investigação porque o Coaf mapeou, a pedido dos procuradores da República, todos os funcionários e ex-servidores da Alerj citados em comunicados sobre transações financeiras suspeitas.

O MPF não confirmou se o relatório vai levar a investigações contra o ex-assessor ou contra Flávio Bolsonaro. Em nota, a entidade afirmou que, em relação a deputados que não estavam entre os alvos da Furna da Onça, "tem por política não confirmar tampouco negar se eventualmente estão investigados ou podem vir a ser".

Uma das transações citadas no relatório do Coaf é um cheque de R$ 24 mil destinado à futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro. O presidente eleito já declarou que o dinheiro se tratava do pagamento de uma dívida de Queiroz com ele.

Outra transação apontada no relatório sobre as movimentações financeiras do policial militar são transferências bancárias entre contas dele e de sua filha, Nathalia Melo de Queiroz. Nathalia, até o mês passado, era assessora lotada no gabinete do deputado federal e agora presidente eleito, Jair Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro defendeu o antigo assessor e disse não ter conhecimento de nada que "desabonasse sua conduta". Ele afirmou ainda que cobrou explicações do ex-motorista, que teria lhe relatado "uma história bastante plausível" e garantido que "não teria nenhuma ilegalidade nas suas movimentações".

*Com Estadão Conteúdo

Mais Política