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"R$ 800 é repasse?", diz Bolsonaro sobre depósitos a ex-assessor de Flávio

9.dez.2018 - Bolsonaro foi a banco na zona oeste do Rio - Divulgação
9.dez.2018 - Bolsonaro foi a banco na zona oeste do Rio Imagem: Divulgação

Lola Ferreira

Colaboração para o UOL, no Rio

09/12/2018 13h28

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) minimizou neste domingo (9) o fato de um ex-assessor do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL) ter recebido depósitos --em espécie e por meio de transferências-- de oito funcionários que já foram ou estão lotados no gabinete do filho na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). As informações constam em relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

"Das três pessoas que repassaram mais de quatro mil [reais] ao longo de um ano, foram duas filhas e uma esposa. Os outros cinco, um repassou R$ 800, outro repassou… E não é repassou, botou na conta dele. Oitocentos reais é repasse, ao longo de um ano?", questionou Bolsonaro em entrevista à imprensa na porta de seu condomínio na Barra da Tijuca (zona oeste carioca) após ter ido a um caixa eletrônico.

Entretanto, segundo o jornal O Globo, o relatório do Coaf --que analisou o período de janeiro de 2016 a janeiro de 2017-- apontou repasses de valores superiores aos citados por Bolsonaro neste domingo.

De acordo com a reportagem, o documento informa que Nathalia Melo de Queiroz, uma das filhas de Queiroz lotada no gabinete de Flávio até dezembro de 2016, fez depósitos na conta o pai que totalizaram R$ 84.110,04 e transferência de R$ 2.319,31. Já a mulher de Queiroz, Marcia Oliveira de Aguiar, repassou em dinheiro R$ 18.864,00 e, em transferências, o valor chegou a R$ 18,3 mil, também segundo "O Globo".

Dos oito funcionários citados, somente um deles realizou depósito de R$ 800 --todos os demais repassaram valores de R$ 1.500 a R$ 11.226 no período de 13 meses analisado pelo Coaf, segundo a reportagem.

Questionado se vê as transferências com naturalidade, o presidente eleito disse que Queiroz deve explicações. "Ele que tem que explicar, pode ser e pode não ser [natural]."

A reportagem do UOL não localizou Queiroz ou seus familiares para que comentem o motivo das transferências.

"Se errei, arco com minha responsabilidade", disse Bolsonaro

Um relatório do Coaf apontou movimentação atípica de R$ 1,2 milhão em uma conta no nome de Fabrício José de Queiroz entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017.

As transações dos funcionários do gabinete de Flávio assim como o pagamento de R$ 24 mil na conta da futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro, estão entre as transações citadas no relatório. O presidente eleito disse que o valor se refere à devolução de um empréstimo feito por ele a Queiroz. Ao ser questionado sobre por que não declarou o valor em Imposto de Renda, Bolsonaro disse ontem: "Se errei, arco com minha responsabilidade perante o Fisco".

A comunicação do Coaf não significa que haja alguma irregularidade na transação, mas mostra que os valores movimentados, ou o tipo de transação envolvida, não seguiram o padrão esperado para aquele tipo de cliente. O órgão informou que foi comunicado das movimentações de Queiroz pelo banco porque elas são "incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional e a capacidade financeira" do ex-assessor parlamentar.

O documento, revelado pelo jornal "O Estado de S. Paulo", foi anexado pelo Ministério Público Federal à investigação que deu origem à Operação Furna da Onça, realizada no mês passado e que levou à prisão dez deputados estaduais da Alerj.

Bolsonaro afirmou ontem ser amigo de Queiroz desde 1984. O ex-assessor de Flávio foi exonerado do gabinete do parlamentar em 15 de outubro. Registrado como assessor parlamentar, Queiroz é também policial militar e, além de motorista, atuava como segurança do deputado.

Flávio defendeu o antigo assessor e disse não ter conhecimento nada que "desabonasse sua conduta". "Fabrício Queiroz trabalhou comigo por mais de dez anos e sempre foi da minha confiança. Nunca soube de algo que desabonasse sua conduta. Em outubro foi exonerado, a pedido, para tratar de sua passagem para a inatividade. Tenho certeza de que ele dará todos os esclarecimentos", escreveu em sua conta no Twitter.

Na tarde de sexta (7), Flávio disse que cobrou explicações do ex-motorista. "Hoje o Fabrício Queiroz conversou comigo. Ele me relatou uma história bastante plausível e me garantiu que não teria nenhuma ilegalidade nas suas movimentações", afirmou. "Assim que ele for chamado ao Ministério Público, vai dar os devidos esclarecimentos."

Cirurgia

Bolsonaro afirmou que pretende estudar uma nova data para a cirurgia de retirada da bolsa de colostomia. A data prevista é 19 de janeiro, mas ele informou que irá a São Paulo na próxima quinta-feira (13) tentar remarcar. A ideia do presidente eleito é estar presente na Fórum Econômico Mundial, em Davos, que começa no dia 22 de janeiro.

“Pretendo ir para lá [Davos]. Quero estudar com o hospital uma nova data, porque a minha vida é complicada e eles também têm uma agenda bastante extensa. Não posso chegar lá e ser atendido hoje só porque eu sou presidente. Mas até o dia 19 de janeiro, não existe cirurgia”, disse ele a jornalistas na manhã deste domingo.

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