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Vélez confirma desmonte de secretaria da diversidade após Bolsonaro tuitar

Hanrrikson de Andrade/UOL
Assessores mostram para o ministro da Educação tuíte de Bolsonaro sobre o desmonte da secretaria Imagem: Hanrrikson de Andrade/UOL

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

2019-01-02T20:26:01

02/01/2019 20h26

Empossado ministro da Educação, o colombiano Ricardo Vélez Rodríguez passou nesta quarta-feira (2) pela primeira saia-justa no novo governo. Ele havia decidido não falar com a imprensa após a cerimônia de transmissão de cargo, em Brasília, mas voltou atrás depois de um tuíte publicado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) em que ele reforçou o desmonte da secretaria do MEC responsável por ações direcionadas à diversidade e grupos minoritários.

Vélez só aceitou dar entrevista depois que seus assessores foram alertados pelos jornalistas presentes no evento sobre a mensagem de Bolsonaro nas redes sociais. Até então, segundo fonte próxima ao ministro, o objetivo era argumentar que não se tratava de um "desmonte", e sim de uma mudança de nomenclatura da Secadi (Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão).

Antes do tuíte de Bolsonaro, a equipe de Vélez afirmara à imprensa que o novo chefe da pasta da educação só daria entrevistas a partir de 7 janeiro. A ideia era "conhecer melhor" a estrutura do ministério antes de responder questionamentos.

Na mensagem publicada no Twitter, o presidente eleito em outubro afirmou: "Ministro da Educação desmonta secretaria da diversidade e cria pasta de alfabetização. Formar cidadãos preparados para o mercado de trabalho. O foco oposto de governos anteriores, que propositalmente investiam na formação de mentes escravas das ideias de dominação socialista".

A extinção da Secadi foi revelada nesta quarta em reportagem da Folha. De acordo com o jornal, a subpasta dá lugar a uma outra estrutura chamada Modalidades Especializadas. Além disso, haverá uma órgão específico para a alfabetização --não mais ligado a nichos sociais. A iniciativa seria uma forma de eliminar as temáticas de direitos humanos, de educação étnico-raciais e a própria palavra diversidade.

Questionado sobre a razão das alterações, as primeiras no novo cronograma do MEC, Vélez respondeu apenas que era "para mostrar a abrangência, dar mais abrangência". "Alfabetização e modalidades especializadas de educação abarcam todo mundo, não excluem ninguém."

Escolha polêmica

Vélez é filósofo e professor emérito da Escola de Comando e estado-maior do Exército, além de professor associado aposentado da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora). Formou-se em filosofia pela Universidade Pontifícia Javeriana e em teologia pelo Seminario Conciliar de Bogotá. É mestre em filosofia pela PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro) e doutor, também em filosofia, pela Universidade Gama Filho.

O colombiano foi escolhido para assumir o ministério depois da polêmica provocada pela possível indicação de Mozart Neves Ramos, diretor do Instituto Ayrton Senna e ex-reitor da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). A bancada evangélica, uma das principais frentes de apoio da campanha de Bolsonaro, reagiu negativamente e teria vetado Mozart devido a diferenças ideológicas.

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