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Bolsonaro terá como assessores dois ex-funcionários do filho Carlos

4.jan.2018 - Tercio Arnaud Tomaz (à esquerda) com Bolsonaro. A imagem foi publicada no Facebook de Tomaz em 30 de maio de 2017  - Reprodução/Facebook Tercio Arnaud Tomaz
4.jan.2018 - Tercio Arnaud Tomaz (à esquerda) com Bolsonaro. A imagem foi publicada no Facebook de Tomaz em 30 de maio de 2017 Imagem: Reprodução/Facebook Tercio Arnaud Tomaz

Bernardo Barbosa*

Do UOL, em São Paulo

04/01/2019 16h37

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) terá como assessores dois ex-integrantes do gabinete de seu filho Carlos Bolsonaro (PSC), vereador no Rio de Janeiro. As nomeações de Tercio Arnaud Tomaz e José Matheus Sales Gomes foram publicadas em edição extra do Diário Oficial da União na tarde desta sexta-feira (4).

Gomes era oficial de gabinete de Carlos Bolsonaro, enquanto Tomaz ocupava o cargo de auxiliar de gabinete. No Planalto, o primeiro será assessor especial do presidente e o segundo, assessor especial do gabinete pessoal de Bolsonaro. Ambos receberão um salário bruto de R$ 13.036,74.

Tais posições geralmente são ocupadas por conselheiros próximos do presidente. Algumas das funções comuns para estes tipos de assessor são analisar o resultado de votações no Congresso e intermediar contatos entre o presidente e representantes da sociedade civil.

O cargo de assessor pessoal do presidente ficou marcado por escândalos no governo de Michel Temer (MDB). Dois ocupantes desta posição chegaram a ser presos por suspeita de envolvimento em esquemas de corrupção: Rodrigo Rocha Loures e Tadeu Filipelli, ambos do MDB.

Rocha Loures ficou conhecido depois de ser filmado pela Polícia Federal correndo pelas ruas de São Paulo com uma mala contendo R$ 500 mil. Ele recebeu o dinheiro de um executivo da JBS. Réu por corrupção passiva, ele recebeu em novembro permissão da Justiça para ficar sem tornozeleira eletrônica. Em 2017, passou um mês na cadeia.

Já Filipelli foi detido em maio passado sob a acusação de ter participado de um esquema de superfaturamento das obras do estádio Mané Garrincha, em Brasília. Ele foi solto oito dias depois e e réu no caso.

Assessor atuou na campanha

Durante a última campanha eleitoral, Tercio Arnaud Tomaz atuou como assessor informal de Bolsonaro, confirmando para a imprensa informações sobre agendas do então candidato. Ele também enviava a jornalistas vídeos e fotos dos compromissos eleitorais de Bolsonaro, além de momentos de bastidores da campanha -- prática que continuou após a eleição do agora presidente.

Em agosto, o jornal "O Globo" noticiou que Tomaz não dava expediente no gabinete de Carlos Bolsonaro. O salário bruto para seu cargo era de R$ 3.461. O UOL enviou mensagem e telefonou para Tercio na tarde desta sexta para saber se ele gostaria de comentar tal notícia, mas não conseguiu falar com ele.

No mesmo mês, "O Globo" também publicou que Tomaz administrava uma página pró-Bolsonaro no Facebook chamada "Bolsonaro Opressor 2.0"  -- o que o assessor nega. 

A página "Bolsonaro Opressor 2.0" continua no ar no Facebook e no Instagram, publicando registros dos bastidores do dia a dia de Bolsonaro para mais de um milhão de seguidores na primeira rede e quase 500 mil na segunda. Ontem, por exemplo, foi divulgado um vídeo do presidente comendo de pé após sua posse, na terça (1º).

*Com Gustavo Maia e Luciana Amaral, de Brasília

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