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Caso Queiroz: novo promotor denunciou ativistas e apurou morte de Marielle

Flávio Bolsonaro e seu ex-assessor Fabrício Queiroz - Reprodução
Flávio Bolsonaro e seu ex-assessor Fabrício Queiroz Imagem: Reprodução

Marina Lang

Colaboração para o UOL, no Rio

06/02/2019 18h14

Luís Otávio Figueira Lopes, da 25ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal, é o novo responsável pelo inquérito no Ministério Público do Rio de Janeiro ​​que apura as movimentações financeiras atípicas na conta de Fabrício Queiroz, ex-motorista do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), no Ministério Público do Rio. Por meio de nota, a Promotoria afirmou que a apuração será conduzida "sob absoluto sigilo" e que o promotor prefere não se manifestar.

Lopes assumirá a investigação após o afastamento de Claudio Calo, da 24ª Promotoria de Investigação Penal, que declarou suspeição ante a condução do inquérito. Em seu perfil no Twitter, Calo chegou a interagir e curtir posts da família Bolsonaro.

O procedimento de investigação foi desencadeado por relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) que identificou movimentação atípica de R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017 em conta de Queiroz. À época, Flávio Bolsonaro era deputado estadual na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). Posteriormente, o jornal "O Globo" revelou que, num período de três anos, Queiroz teria movimentado R$ 7 milhões quando era lotado no gabinete de Flávio, então com um salário equivalente a R$ 23 mil.

Embora não exponha suas opiniões nas redes sociais, Lopes esteve à frente de casos de grande repercussão. 

Um deles foi a execução de mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça após pedido do então senador Aécio Neves (PSDB) em 2014 --seis pessoas foram alvo, incluindo a casa de uma jornalista.

À época, Aécio era pré-candidato do PSDB à Presidência da República. Os alvos do mandado de busca seriam suspeitos de difamar Aécio, que atualmente é deputado federal por Minas Gerais. Foram apreendidos computadores, pen drives, câmeras fotográficas e outros equipamentos eletrônicos.

Segundo reportagem da "BBC Brasil", o documento que desencadeou a operação, assinado por Lopes, afirmava que a investigação de supostos crimes contra a honra do senador se deram "através da colocação de comentários de leitores em sites de notícias". Ainda de acordo com o documento, a intenção de quem teria feito esses comentários era "alterar os resultados dos mecanismos de buscas na internet (por exemplo, o site Google), fazendo com que tais páginas --ainda que substancialmente irrelevantes-- alcancem destaque nos resultados das pesquisas eletrônicas".

Lopes também assinou denúncia contra 23 ativistas no Rio, em 2014, motivada pelos protestos de 2013 e pelo movimento "Ocupa Cabral", em frente ao prédio do ex-governador Sérgio Cabral (MDB), no Leblon, zona sul do Rio. Eles chegaram a ser presos às vésperas da Copa do Mundo sediada no Brasil. Foi Lopes quem pediu a prisão preventiva dos 23 ativistas, entre eles, Elisa Quadros, à época chamada pela imprensa de "Sininho" e à qual se imputou a liderança dos protestos, algo que ela sempre negou. 

Em julho do ano passado, os 23 manifestantes foram condenados a penas que variavam entre cinco e dez anos de detenção. À época, advogados dos ativistas informaram ao UOL que recorreriam da decisão judicial.

Lopes fez parte da força-tarefa de cinco promotores do MP do Rio que investigou o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista, Anderson Gomes, na noite de 14 de março no bairro do Estácio, região central do Rio. Ele deixou de atuar no caso cinco meses depois do crime, em agosto, de acordo com o jornal "O Dia", e ficou apenas com as investigações de crimes virtuais após a morte da parlamentar. Até hoje, não se sabe quem matou e quem mandou matar Marielle e Anderson.

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