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Maia e Guedes tiveram café da manhã tenso sobre reforma, afirma Paulinho

Rodrigo Maia (dir.) recebe proposta de reforma de Bolsonaro: "Não aguento mais essa relação [do governo] com o Congresso",  teria dito o deputado dias antes - Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Rodrigo Maia (dir.) recebe proposta de reforma de Bolsonaro: "Não aguento mais essa relação [do governo] com o Congresso", teria dito o deputado dias antes Imagem: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Eduardo Militão

Do UOL, em Brasília

21/02/2019 13h22

Resumo da notícia

  • Deputado Paulinho da Força narra encontro entre Rodrigo Maia e Paulo Guedes
  • Presidente da Câmara disse que deputados são maltratados pelo governo
  • Ministro Paulo Guedes ouviu queixas e prometeu analisar propostas

Começou de forma tensa um café da manhã entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A conversa antecedeu a entrega da reforma da Previdência aos deputados. O parlamentar reclamou do modo como o ministro tratava os congressistas, relata o deputado Paulinho da Força (PDT-SP), um dos participantes do encontro.

A reunião foi na quarta-feira da semana passada, na residência oficial da Câmara, em Brasília, dia em que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) voltava de internação hospitalar.

"O Rodrigo, no começo, quase brigou com ele [Guedes]", relatou Paulinho ao UOL. "Ele foi mais duro que eu."

A conversa foi iniciada com Paulinho, dirigente da Força Sindical, descrevendo a crise no sindicalismo. Ele teria sido interrompido por Guedes. "Sabe qual é o problema do Brasil? Todo mundo com quem venho conversar vem primeiro com seu problema. Seu problema é mais importante do que o Brasil. Agora vem você criar o imposto sindical", disse o ministro, ainda de acordo com o relato do deputado.

Paulinho da Força - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Deputado Paulinho da Força, do Solidariedade, esteve em café da manhã com Maia e Guedes
Imagem: Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Paulinho gritou e soltou um palavrão: "Quem foi que falou que eu tô querendo criar imposto sindical?". Rodrigo Maia interveio.

"Olha, ministro, ainda bem que o Bolsonaro tá voltando hoje porque eu não aguento mais essa relação com o Congresso. Vocês tratam mal, o Congresso não pode nada..."

Procurados desde terça-feira (19) pelo UOL, Guedes e Maia não comentaram a versão da história contada pelo deputado sindicalista.

A relação do Executivo com o Congresso é uma das preocupações do grupo próximo a Rodrigo Maia desde antes de sua reeleição ao comando da Casa, apurou o UOL. Eles não se sentem confortáveis com a interlocução com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. O Centrão quer mudanças na articulação como condição para aprovar a reforma da Previdência, de acordo o jornal Folha de S.Paulo.

Previdência será justa para todos, sem privilégios, diz Bolsonaro na TV

UOL Notícias

Ministro prometeu analisar propostas

O clima da reunião melhorou quando os deputados e o ministro da Economia entraram no tema da reforma da Previdência.

Guedes contou que, basicamente, a ideia era elevar as idades de cada categoria em cinco anos. Paulinho disse que os sindicatos vão apoiar a reforma da Previdência e topam fazer sacrifício desde que seja para retirar privilégios e deixar tudo igual para todos, funcionários da iniciativa privada, servidores e militares.

"Mesmo que ela [a reforma] seja dura, se for igual para todo mundo, tudo bem", disse o deputado, acompanhado de mais dirigentes da Força Sindical. "Se for com teto igual para todos, eu sou o primeiro a defender. Eu estou me aposentando assim, mas o [ministro da Justiça] Sergio Moro e o [ministro do Supremo Tribunal Federal] Gilmar Mendes também."

A posição dos sindicalistas melhorou o humor de todos. Guedes concordou e ainda soltou uma piada com o motivo do entrevero inicial. "Se você tivesse começado por aqui, eu concordava até com o imposto sindical", disse Guedes, segundo Paulinho, fazendo os participantes caírem na risada. 

O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido. Os ministérios contam com alta participação de militares. Bolsonaro coloca seu alinhamento político à direita e entre os conservadores nos costumes.