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Moro diz que Maia é "sensato" e chama crise com Legislativo de "bobeira"

Leandro Prazeres e Leonardo Martins*

Do UOL, em Brasília e em São Paulo

28/03/2019 11h53Atualizada em 28/03/2019 12h49

Uma semana depois de entrar em conflito com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, chamou os atritos entre o Executivo e o Legislativo de "bobeiras" e disse acreditar que o clima tende a "desanuviar".

A declaração foi feita durante entrevista coletiva hoje, em Brasília, horas depois de Moro se encontrar com Maia em um café da manhã intermediado pela líder do governo no Congresso Nacional, Joice Hasselmann (PSL-SP).

"Nós precisamos seguir adiante, temos que deixar as divergências pessoais de lado, que não são nem divergências, são bobeiras. Eu acredito que o clima vai desanuviar", afirmou o ministro.

Rodrigo Maia e Sergio Moro em encontro hoje para um café da manhã - Reprodução - Reprodução
28.mar.2019 - Rodrigo Maia e Sergio Moro em encontro hoje para um café da manhã
Imagem: Reprodução

Moro minimizou os atritos com Rodrigo Maia ao longo da semana passada. Disse que tem um enorme respeito pelo deputado e que acredita que o pacote anticrime deverá ser aprovado pelo Congresso Nacional.

"Tenho um enorme respeito pelo presidente Rodrigo Maia e a crença e expectativa de que, com a liderança dele e do presidente Jair Bolsonaro, vamos conseguir aprovar o projeto com mudanças, eventuais aprimoramentos. Mas isso vai adiante, sim [...] tenho uma relação bastante cordial com presidente da Câmara. É uma pessoa bastante sensata", afirmou.

Após o café da manhã, Joice disse que, agora que aparou as arestas entre Moro e Maia, tratará de conter a crise entre o presidente da Câmara e o presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Nos últimos dias, o presidente da República e o da Câmara travaram embates em público ao discordarem da maneira como a tramitação da reforma da Previdência está sendo feita. Ontem, Maia chegou a falar que Bolsonaro está "brincando de presidir o país". No final da tarde, para amenizar o tom, Bolsonaro disse ser preciso ter "couro duro".

Bolsonaro disse não saber ao certo o que conversaram, mas Moro teria relatado ter sido "saudável, amigável". "É assim a nossa vida. De vez em quando há uns percalços, mas não podemos esquecer o que representamos", complementou.

Hoje pela manhã, Bolsonaro participou com Sergio Moro de cerimônia em Brasília do aniversário da Justiça Militar da União e recebeu uma condecoração da Ordem do Mérito Judiciário Militar. Também estiveram presentes o vice-presidente, general Hamilton Mourão (PRTB), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, entre outras autoridades, como os comandantes das Forças Armadas.

Rodrigo Maia foi convidado a receber a medalha pelo terceiro ano consecutivo, mas não respondeu ao convite, segundo a assessoria do STM (Superior Tribunal Militar). (Colaborou Luciana Amaral, do UOL em Brasília)

A troca de farpas entre Bolsonaro e Maia

UOL Notícias

O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido. Os ministérios contam com alta participação de militares. Bolsonaro coloca seu alinhamento político à direita e entre os conservadores nos costumes.