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Doria elogia PMs de SP que mataram 11; Goldman diz ser "típico de fascista"

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

04/04/2019 13h36Atualizada em 26/07/2019 12h17

O governador João Doria (PSDB) parabenizou a ação de policiais militares que na madrugada de hoje terminou em 11 suspeitos de assalto a banco mortos na cidade de Guararema (SP). Doria disse à Rádio Bandeirantes que homenageará os PMs no Palácio dos Bandeirantes, e que eles "colocaram no cemitério mais 10 bandidos".

No próximo dia 10, no Palácio dos Bandeirantes, nós vamos homenagear esses policiais e outros que ao longo dos últimos 30 dias cumpriram a sua missão de defender os cidadãos de bem, defender o patrimônio privado e público, agindo contra bandidos. Bandidos que usam escopetas, fuzis e metralhadoras não saem para passear, saíram para assaltar e fazer vítimas, estão de parabéns os policiais que agiram e colocaram no cemitério mais 10 bandidos.
João Doria, governador de SP

Após a entrevista, foi confirmada a morte de mais um assaltante, levando o número de vítimas a 11.

Aberto Goldman (PSDB), ex-governador de SP - Bruno Poletti/Folhapress
Aberto Goldman (PSDB), ex-governador de SP
Imagem: Bruno Poletti/Folhapress

Governador de São Paulo entre 2010 e 2011, Alberto Goldman (PSDB) criticou duramente o posicionamento do atual administrador do estado. Em entrevista ao UOL, Goldman, desafeto declarado de Doria dentro do partido, afirmou que o ato de homenagear policiais militares que matam é "uma característica clara de um fascista". "Essa é a política do Doria. É matar para dizer que ele é duro, que é forte, que é macho", disse o ex-governador sobre o colega tucano.

A primeira coisa que teria que ser feita é elaborar um inquérito de todos os episódios que levaram a essas mortes para saber se a ação foi legal. Fazer homenagem sem nenhum tipo de inquérito, sem sindicância, é uma postura típica de um fascista.
Alberto Goldman, ex-governador de SP

Nos últimos seis dias, com a ação desta madrugada, a PM paulista matou 27 pessoas: uma média de 4,5 por dia. Em contraponto, durante todo o ano de 2019, oito policiais foram mortos no estado.

Entre janeiro e março deste ano, a PM paulista matou 195 pessoas em supostos confrontos, que são alvo de inquérito policial militar, apurados pela Corregedoria da corporação. Comparado ao mesmo período do ano passado, a PM matou em 2019, até então, 13% a mais.

De acordo com a SSP (Secretaria da Segurança Pública), na ação desta madrugada "aproximadamente 25 criminosos se preparavam para explodir caixas eletrônicos quando foram surpreendidos pelos policiais e, na tentativa de fuga, dispararam contra as equipes. Houve perseguição e troca de tiros em diferentes pontos do município".

O deputado Carlos Sampaio, líder do PSDB na Câmara, se alinhou a Doria. "Abuso de poder não deve ser aferido pela quantidade de mortes e sim pelo fato concreto. Não seria correto desconfiar da ação policial baseado em um fator quantitativo, ainda mais quando restou demonstrado que os bandidos estavam fortemente armados. Se os policiais estavam em situação de perigo e defendendo suas próprias vidas ou a vida de terceiros, agiram corretamente!"

Nenhum policial se feriu na ação, que teve integrantes da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), do COE (Comando de Operações Especiais) e do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais). A ação ocorreu após interceptações telefônicas feitas por promotores de Sorocaba (SP) terem identificado o planejamento para o roubo em Guararema.

Procurado via assessoria de imprensa, o governador João Doria decidiu não comentar as afirmações de Goldman.

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