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Após dia de derrotas no Congresso, Bolsonaro diz que poderá vir "tsunami"

Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdo
10.mai.2019 - O presidente Jair Bolsonaro durante o evento "Nação Caixa", no Royal Tulip Alvorada, em Brasília (DF) Imagem: Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdo

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

2019-05-10T15:52:36

10/05/2019 15h52

Após um dia de derrotas do governo no Congresso Nacional, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que o governo deve sempre se antecipar a possíveis problemas e que poderá vir um "tsunami" - ondas gigantes causadas por terremotos ou outras movimentações no oceano - na semana que vem. Apesar da fala, ele não citou o que causaria o tsunami nem o contextualizou.

"Assim estamos governando. Alguns problemas? Sim. Talvez tenha um tsunami na semana que vem, mas a gente vence esse obstáculo aí com toda certeza. Somos humanos, alguns erram. Alguns erros são perdoáveis. Outros, não", disse, ao ressaltar a independência dos ministros de seu governo.

Ontem, comissão mista no Congresso derrotou o ministro da Justiça, Sergio Moro, ao aprovar a transferência do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) de sua pasta para o Ministério da Economia. A intenção do Planalto e, especialmente de Moro, é de que o Coaf continue sob responsabilidade do ex-juiz federal.

A medida faz parte da análise de medida provisória que reestrutura o governo federal apresentada por Bolsonaro no início de janeiro. A esperança do governo é reverter a decisão da comissão quando o texto for votado no plenário da Câmara e do Senado. Os parlamentares deverão voltar a tratar do assunto na semana que vem.

Outras derrotas sofridas pelo governo ontem foram o retorno da demarcação de terras indígenas do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) para a Funai, além do retorno desta para o Ministério da Justiça. Pela proposta de Bolsonaro, a Funai ficaria com o Ministério de Direitos Humanos.

Na manhã de hoje, o presidente participou de evento da Caixa Econômica Federal em Brasília ao lado dos ministros Osmar Terra (Cidadania) e Floriano Peixoto (Secretaria-Geral da Presidência), e o presidente do banco, Pedro Guimarães.
Prestes a recriar dois ministérios a fim de tentar aprovar a reforma da Previdência, entre eles o Ministério das Cidades, e liberar que a indicação do titular deste seja feita pela Frente Parlamentar em Defesa dos Municípios Brasileiros, ele também reafirmou que seu governo não conta com indicações políticas.

"Me elegi, e a decisão foi a seguinte: como havia falado durante ano, não teremos indicações políticas. A imagem distorcida da Caixa [Econômica Federal] era em função isso. Cada partido tinha uma diretoria, tinha uma vice-presidência. E, com todo o respeito, o presidente, para ser educado, não falava muito. Não tinha como dar certo. Escolhi os ministros por critério técnico", declarou.

Na terça-feira (7), Bolsonaro admitiu a possibilidade de desmembrar o Ministério do Desenvolvimento Regional em Cidades e Integração Nacional, como era no governo anterior, de Michel Temer (MDB).

Além da bancada da área de municípios, a ideia foi sugerida pelos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

"Eles vieram de forma bastante objetiva tratar deste assunto comigo. Eu não crio óbice no tocante a isso. E apenas que o futuro ministro, caso seja criado este ministério, venha da indicação da Frente Parlamentar de Municípios, das cidades, tá certo? Apenas isso aí", disse na ocasião.

Entre os nomes aventados para assumir o Ministério das Cidades está o do ex-deputado federal e ex-ministro das Cidades de Temer, Alexandre Baldy (PP), próximo a Maia e com interlocução entre os parlamentares do Centrão, considerados cruciais para a aprovação de projetos de interesse do governo no Congresso Nacional. Hoje, Baldy atua como secretário de Transportes do Estado de São Paulo.

Segundo Bolsonaro, ele indicou somente duas pessoas para a composição de seu governo: o secretário de Aquicultura e Pesca, Jorge Seif Júnior, e "agora um jovem para a Apex", sem citar se seria o novo presidente da entidade, que vem enfrentando problemas internos desde o início do governo, Sergio Ricardo Segovia Barbosa.

Bolsonaro comentou sobre reuniões com representantes de lotéricas para conversar sobre demandas do setor quando ainda deputado federal e, em determinado momento, ponderou não ser sua "praia", mas, sim, segurança pública ao fazer um sinal de arma com ambas as mãos.

"Aqui não é minha praia. Minha praia é outra", disse, rindo, ao fazer o sinal. "Acho que o pessoal gostou, em parte, né, do decreto das armas com toda a certeza." Ele então foi aplaudido pela plateia.

Em fala no evento, Pedro Guimarães afirmou que Bolsonaro é uma "pessoa diferenciada, humana" e que cobra o fato de a Caixa ser reconhecida como um banco social e guiada pela meritocracia. Ao final, entregou para Bolsonaro um crachá personalizado da empresa e um cartão de crédito consignado.

Uma das diferenças do cartão para outros convencionais é que parte da fatura já é descontada em folha ou no benefício do INSS. "É a demonstração de outra promessa de que vamos focar nas pessoas mais humildes", disse Guimarães.

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