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Bolsonaro desiste de ter Coaf com Moro e defende que Senado não altere MP

Alex Tajra

Do UOL, em São Paulo

23/05/2019 20h02

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) sinalizou hoje que desistiu de lutar pela permanência do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) no ministério da Justiça, chefiado por Sergio Moro.

"No meu entender [o Senado], deve aprovar o que foi votado na Câmara e vamos seguir em pautas mais importantes".

Bolsonaro se referia à votação de ontem da Medida Provisória 870 na Câmara dos Deputados. O Parlamento teve de acelerar a votação porque a MP perde a validade no próximo dia 3.

Os deputados respeitaram algumas questões estabelecidas pelo governo, como o número enxuto de ministérios, mas o Planalto sofreu derrotas nos casos do Coaf e da Funai (Fundação Nacional do Índio). O governo defendia que o conselho permanecesse na Justiça, mas o parlamento decidiu que o órgão deve retornar ao ministério da Economia.

"Minha bancada, o PSL, é uma bancada de parlamentares bastante novos, alguns ainda acha que tem que ganhar todas, não dá, a gente vai perder alguma votação, sem problema nenhum. E quem tiver mais votos leva. Agora nossa bancada não vai atrapalhar votações", afirmou o presidente em transmissão ao vivo em suas redes sociais.

Segundo Bolsonaro, o Parlamento tem "mais do que autoridade, tem legitimidade para mudar essas questões."

No caso da Funai, tanto a fundação indigenista quanto a demarcação de terras indígenas, voltaram à pasta da Justiça. Na reorganização ministerial que Bolsonaro fez logo no começo de sua gestão, a primeira ficou com o ministério da Família, Mulher e Direitos Humanos, enquanto a demarcação estava com a Agricultura.

Houve críticas de ambientalistas e líderes indígenas ao remanejamento das demarcações, já que, na prática, o estabelecimento de novas terras ficou a cargo dos ruralistas, o que caracterizaria um conflito de interesses.

OCDE em 2 ou 3 anos

Na transmissão, Bolsonaro estava acompanhado do recém nomeado presidente da Embratur, Gilson Machado Guimarães Neto, e do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM). O ministro afirmou que o "governo Bolsonaro está afinado com o processo de governança preconizado pela OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico]"

No que classificou como um "resultado positivo da viagem aos Estados Unidos" de Ernesto Araújo (Itamaraty), Onyx afirmou que a entrada do Brasil no grupo faz parte de um "processo de internacionalização da economia brasileira".

"O reforço dos Estados Unidos no apoiamento ao ingresso do Brasil nos ajuda, e a gente estima que aí que em um prazo talvez de 2 a 3 anos, a gente possa estar nesse seleto grupo de países com um Brasil mais uma vez abrindo a sua economia, trazendo empregos de qualidade e melhorando a vida dos brasileiros", disse Onyx.

Bolsonaro anunciou ainda que pretende "ajudar" a Argentina, que passa por uma situação financeira delicada, com índice de inflação anual beirando os 56%. "Estaremos na Argentina no começo do mês que vem, temos uma preocupação especial com a Argentina, não devemos nos imiscuir nas questões políticas de outros países, mas a gente gostaria que a Argentina continue sim no rumo da democracia e da liberdade"

"Voltar o que estava há pouco tempo lá, é a mesma coisa que voltar o que estava há pouco tempo aqui. O caminho para Cuba passa pela Venezuela. Estamos torcendo, devemos anunciar alguma coisa a mais com a Argentina, com o presidente Macri, para ajudar até"

Radares

Bolsonaro afirmou ainda que pediu ao ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, engavetar um pedido para a instalação de oito mil novos radares e lombadas eletrônicas. "Eu falei, 'Tarcísio, engaveta esse trem daí'. (...) Não têm novos pardais em estradas federais, teve uma pressão de alguns grupos, 'ai, é local de risco'. Não tem local de risco, ninguém é otário e tem uma curva na frente, uma ribanceira, e o cara entra a 80, 90 por hora", disse.

Segundo o presidente, os contratos de empresas que fornecem radares para as estradas federais não serão renovados. O presidente afirmou que se trata de uma medida "ousada", e que faz parte da política do governo de "reduzir os acidentes de trânsito".

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