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Crivella diz que "impeachment já morreu"; vereadores reagem com indignação

Wilton Junior/Estadão Conteúdo
Imagem: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

27/05/2019 12h11

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), afirmou, na manhã de hoje, que o processo de impeachment que corre contra ele na Câmara dos Vereadores "já morreu e só falta ser enterrado".

A declaração foi dada a menos de duas horas do início do depoimento do secretário municipal de Fazenda, César Barbiero, à Comissão Processante que investiga as supostas extensões contratuais ilegais da sua gestão.

"Acho que o impeachment já morreu, só falta ser enterrado. As testemunhas que iam me acusar, me defenderam. (Esta denúncia) é sem pé nem cabeça, não tem o menor sentido. É um ato meramente político, que vai ser varrido pro lixo da história", disse o prefeito, em referência ao fato de alguns dos arrolados como testemunhas de acusação terem afirmado que a celeridade solicitada às extensões contratuais não geraram prejuízos aos cofres públicos.

Em depoimentos anteriores, solicitados pela acusação, a controladora-geral do município, Márcia Andres Peres, e o ex-procurador-geral do município Antonio Carlos de Sá afirmaram que o prefeito pediu celeridade na análise desses contratos, mas que isto não implicou em prejuízos ao erário.

De acordo com o fiscal Fernando Lyra Reis, o autor da denúncia contra Crivella, a prorrogação dos contratos com uma concessionária que explora os serviços de publicidade no mobiliário urbano é ilegal e teria causado danos aos cofres públicos.

A declaração do prefeito gerou reações por parte dos vereadores presentes à sessão da Câmara, que interpretaram a fala como desrespeitosa. Quase todos os parlamentares presentes à Câmara pediram a palavra, interrompendo o depoimento, e repudiaram a atitude do chefe do Executivo municipal.

O presidente da Comissão Processante do Impeachment, Willian Coelho (MDB), disse que Crivella ataca a Câmara com as frases. "Acaba não atacando somente a Câmara e os vereadores, mas todos nós, cidadãos. Enquanto presidente desta comissão, não posso deixar de me manifestar em relação às declarações do prefeito. Temos feito um trabalho sério. Podem ter a certeza de que este processo não está morto. Eu repudio com veemência esta declaração".

Antigo aliado de Crivella e ex-secretário de Casa Civil Paulo Messina (PRB) afirmou que falta aptidão à equipe de comunicação de Crivella e se disse constragido

Lamento. A assessoria de comunicação do prefeito deveria orientá-lo melhor. Pior é ouvir do prefeito acusado qual será a nossa posição final. Ele está desmoralizando a todos nós. Desta forma, coloca como se nós, caso façamos um relatório final favorável a ele, fôssemos fantoches manipulados e, deste momento, um jogo de cartas marcadas
Paulo Messina (PRB), ex-secretário da Casa Civil

Relator do impeachment, Luiz Carlos Ramos (Podemos), se disse afrontado. "Tenho passado os finais de semana e feriados estudando este processo. Não estou de brincadeira. Isto envolve a vida da população", resumiu.

Mais enfática, Rosa Fernandes (MDB) afirmou que "não é palhaça".

Devemos ser um bando de palhaços, isto deve ser um grande circo, na visão do prefeito. Eu não acredito em Papai Noel, eu acredito no trabalho sério destes vereadores. Se houver crime de responsabilidade do senhor prefeito, ele será explicitado, sim. Que o prefeito saiba que nem todos são as marionetes dele
Rosa Fernandes (MDB), vereadora do Rio de Janeiro

Na mesma linha, Paulo Pinheiro (PSOL) ironizou Crivella. "A autoestima e a confiança do Crivella me comovem. Antes de tudo, ele está desrespeitando a Casa, ao falar isto. Quem vai decidir isto são os vereadores, como ele dá o processo por encerrado?", criticou.

Entenda o pedido de impeachment

De acordo com o pedido de impeachment, o prefeito renovou no fim de 2018 um contrato com duas empresas, sem licitação. A medida teria beneficiado as concessionárias Adshel e Cemusa, ambas controladas por grupos estrangeiros.

As duas empresas tinham direito de explorar anúncios em pontos de ônibus e outdoors por 20 anos --o contrato havia sido firmado em 1999 e acabaria neste ano. Depois desse período, os mobiliários urbanos passariam a pertencer ao município. Crivella teria, então, renovado a concessão sem licitação, o que causou prejuízos aos cofres públicos, segundo a denúncia.

O argumento da defesa do prefeito é que a extensão dos contratos não provocou prejuízo ao município. No dia em que a Câmara aprovou o processo, Crivella afirmou que a abertura do impeachment "não faz o menor sentido". "Houve a denúncia de um funcionário que trabalha há mais de 20 anos na prefeitura e que, só agora, depois que foi exonerado do cargo que exercia por sua chefe, ele resolveu entrar com pedido de impeachment.", afirmou.

Se Crivella for cassado, o presidente da Câmara, Jorge Felippe (MDB), assumirá temporariamente a prefeitura. Isso porque o vice-prefeito eleito da cidade, Fernando Mac Dowell, morreu no ano passado, fazendo de Felippe o primeiro na linha sucessória do município.

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