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'Possibilidade zero' de exonerar Moro, diz Bolsonaro sobre mensagens

Presidente Jair Bolsonaro responde perguntas de jornalistas durante o café da manhã - Marcos Corrêa/PR
Presidente Jair Bolsonaro responde perguntas de jornalistas durante o café da manhã Imagem: Marcos Corrêa/PR

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

14/06/2019 13h12Atualizada em 14/06/2019 15h14

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou hoje haver "possibilidade zero" de exonerar o ministro da Justiça, Sergio Moro, após a crise gerada por vazamentos de mensagens entre Moro quando juiz federal em Curitiba e a força-tarefa da Operação Lava Jato.

Segundo o presidente, em nenhum momento após o vazamento de mensagens a demissão de Moro foi tratada pelos dois. Ele disse confiar que, se o ministro tivesse atuado de maneira ilegal, seria o primeiro a comunicá-lo.

Bolsonaro disse continuar confiando em Moro e que, enquanto juiz, não precisava inventar provas. Segundo o presidente, o Brasil deve muito ao ministro "não só por prender corruptos, mas por buscar um ponto de inflexão na questão que é o câncer do Brasil, que é a corrupção".

Para Bolsonaro, integrantes da força-tarefa da Lava Jato precisam falar entre si para "buscar denúncia robusta e concreta". "Não houve maldade", disse o presidente sobre as mensagens vazadas.

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Ao sair em defesa de Moro, o presidente relembrou hoje quando o encontrou pessoalmente pela primeira vez, em um aeroporto, e disse ter sido ignorado pelo então juiz. Segundo o presidente, Moro pediu desculpas depois e disse que queria evitar especulações à época. Os dois só se reencontraram, afirmou Bolsonaro, depois das eleições.

Nesta semana, o presidente e o ministro foram vistos juntos em público em dois eventos: chegando de lancha a uma cerimônia da Marinha e assistindo a um jogo de futebol em Brasília.

Bolsonaro disse ter convidado Moro para acompanhá-lo hoje na abertura da Copa América, em São Paulo. Mas, segundo o presidente, o ministro não vai porque quer passar mais tempo com a família.

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Bolsonaro diz que continuará a usar celular sem proteção

Questionado se adotou novas medidas de proteção virtual após o vazamento de mensagens, Bolsonaro afirmou que continuará a usar seu celular normalmente e não tomará ações adicionais, apesar da recomendação do GSI (Gabinete de Segurança Institucional).

"Continuo da mesma maneira. Não tenho o que esconder. A única forma de se comunicar com segurança total é pessoalmente", afirmou.

Bolsonaro disse que nunca se separa do celular e que gosta de fazer "pesquisas" no aparelho de madrugada quando acorda para ir ao banheiro, "sem incomodar" a primeira-dama Michelle.

O presidente afirmou que conversa com ministros e assessores pelo WhatsApp e que, se pudesse, dava o próprio número para mais pessoas a fim de receber opiniões sobre políticas públicas, como decretos.

O ministro do GSI, Augusto Heleno, disse que o presidente e todos os ministros receberam celulares com criptografia para comunicação, mas que quase ninguém usa os aparelhos porque, por causa do programa, só conseguem falar entre si.

"Usaram por uma semana", disse Heleno, que confessou também não adotar o aparelho habitualmente.

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Bolsonaro disse que, se suas mensagens fossem reveladas a público, iria ser chamado de "nomes", e reclamou que a população "perdeu o direito de fazer piada". Segundo ele, seu "grande defeito" é enfrentar o politicamente correto.

"Estou me controlando", disse. O presidente revelou, porém, que gosta de fazer "brincadeiras" sobre "gaúchos supermachos", "cearenses cabeçudos" e "goianos dupla sertaneja".

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