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DJ suspeito de hackear Moro alega inocência e reclama de policiais

Suspeitos de hackear celular de Moro depõem em Brasília

Band Notí­cias

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

24/07/2019 13h09

O advogado do DJ preso sob suspeita de envolvimento na tentativa de invasão hacker ao celular do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, afirmou na manhã de hoje que seu cliente não tem relação com o caso, mas chegou a ver mensagens que aparentavam ser de Moro, mostradas a ele por outro dos quatro investigados.

Segundo o advogado Ariovaldo Moreira, seu cliente, o DJ Gustavo Henrique Elias Santos, não teve envolvimento com o ataque hacker ao celular do ministro.

O defensor disse ainda que Elias Santos e sua mulher, Suelen Priscila de Oliveira, também presa na operação, reclamaram da postura dos policiais, que teriam algemado as mãos e os pés deles na viagem de São Paulo até Brasília, onde serão interrogados na tarde de hoje.

Ariovaldo afirma que as mensagens suspeitas foram mostradas a seu cliente pelo investigado Walter Delgatti Neto, que também está preso temporariamente. Ele afirma que os dois têm uma relação de amizade e que o DJ teria alertado Delgatti Neto do risco que ele poderia estar correndo.

"Segundo relato do Gustavo, o Vermelho [apelido de Delgatti Neto] mostrou pra ele algumas interceptações de uma autoridade tempos atrás", disse Moreira.

Segundo o advogado, o DJ nega ter qualquer relação com a obtenção das mensagens. "Ele negou pra mim. Disse que não tem envolvimento nenhum com essa interceptação. O que ele me disse foi que ele chegou a ver isso no computador dele, inclusive printou algumas mensagens e inclusive me disse que no aplicativo dele ele devolveu a mensagem ao Walter dizendo: cuidado com isso que você vai ter problema", afirmou o advogado.

O defensor explicou que seus clientes se queixaram do tratamento que receberam na PF. "A Suelen está muito abalada emocionalmente, porque é uma jovem de 24 anos. Está muito abalada em função de tudo que aconteceu, a forma como foi conduzida o cumprimento do mandado de buscas foi muito traumático pra ela", disse Moreira.

"[Segundo] relatos dela e confirmados por ele, foram tratados como bandidos mesmo, vieram algemados as mãos, os pés, vieram amarrados e ela citou inclusive essa frase: eu fui conduzida a Brasília como se eu fosse um animal", afirmou o advogado.

A Polícia Federal prendeu ontem quatro pessoas na Operação Spoofing, que apura a tentativa de ataque hacker ao celular do ministro Sergio Moro e às contas de Telegram de outras quatro autoridades. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o celular de Moro foi invadido em 4 de junho e os supostos invasores chegaram a trocar mensagens por seis horas. Os suspeitos foram presos em três cidades diferentes: São Paulo, Ribeirão Preto (SP) e Araraquara (SP).

As suspeitas de invasão hacker ao celular do procurador Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato em Curitiba, não constam dessa investigação, mas do inquérito aberto pela PF na capital paranaense.

A reportagem do UOL ainda não conseguiu entrar em contato com a defesa de Walter Delgatti Neto.

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