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Exonerado após 6 dias, secretário de Bolsonaro diz que foi pego de surpresa

13.ago.2019 - O jornalista Paulo Fona, exonerado do cargo de secretário de imprensa do presidente Jair Bolsonaro (PSL), quando era secretário de Comunicação do Distrito Federal, em 2017 - Dênio Simões/Agência Brasília
13.ago.2019 - O jornalista Paulo Fona, exonerado do cargo de secretário de imprensa do presidente Jair Bolsonaro (PSL), quando era secretário de Comunicação do Distrito Federal, em 2017 Imagem: Dênio Simões/Agência Brasília

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília*

13/08/2019 21h17Atualizada em 13/08/2019 22h07

Nomeado no último dia 7, o jornalista Paulo Fona, 65, informou hoje à noite que foi demitido pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) do cargo de secretário de imprensa da Presidência da República. Ele foi o terceiro a ocupar a posição em pouco mais de 8 meses de mandato. A exoneração ainda não foi publicada no Diário Oficial da União.

Em carta enviada a jornalistas, Fona disse que foi pego de surpresa ao ser exonerado. "Esperava mais profissionalismo, o que não encontrei", afirmou no texto.

O UOL tenta contato com a assessoria de imprensa da Presidência para saber do governo os motivos da demissão. Assim que houver resposta, ela será incorporada a este texto.

Fui convidado para assumir a Secretaria de Imprensa, alertei-os de meu histórico e minha postura profissional e a intenção de ajudar na melhoria do relacionamento com a mídia em geral. O desafio era imenso, sempre soube, mas esperava maior profissionalismo, o que não encontrei.

Paulo Fona

Segundo interlocutores, Bolsonaro avaliou que Fona não tinha o "perfil" esperado por ter trabalhado com políticos considerados de esquerda. O presidente tem repetido para ministros que eles têm liberdade para nomear; no entanto, se os indicados não estiverem dentro do perfil governo, o presidente vai exonerá-los.

Escolhido pelo ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Ramos, Fona já tinha sido secretário de comunicação dos governos de Rodrigo Rollemberg (PSB), no Distrito Federal, e de Yeda Crusius (PSDB), no Rio Grande do Sul.

Esta semana, Fona começou a receber em seu gabinete jornalistas que cobrem a Presidência da República, com o objetivo de estabelecer um diálogo com a imprensa que atua no Palácio do Planalto.

Antes de Paulo Fona, Alexandre Lara (de janeiro a maio) e Fernando Diniz (de junho a julho) ocuparam o cargo de secretário de imprensa no governo Bolsonaro.

Confira a carta na íntegra:

A decisão da minha exoneração pelo Presidente da República me pegou de surpresa. Fui convidado para assumir a Secretaria de Imprensa, alertei-os de meu histórico e minha postura profissional e a intenção de ajudar na melhoria do relacionamento com a mídia em geral. O desafio era imenso, sempre soube, mas esperava maior profissionalismo, o que não encontrei. Em todos os governos que passei de diferentes partidos - MDB, PSDB e PSB - sempre trabalhei com o objetivo de tornar a Comunicação mais ágil, eficiente e transparente e leal às propostas da gestão.

Foi assim que aprendi a trabalhar ao longo de quase quatro décadas, nos principais veículos de comunicação do país e nas secretarias de Comunicação do Distrito Federal, por duas vezes, e do Rio Grande do Sul.

Com meu pai aprendi a respeitar as pessoas e os cargos públicos que me foram confiados. Construí minha carreira profissional com meus próprios méritos e defeitos. Obrigado a todos os jornalistas que me acolheram de maneira calorosa e esperançosa de que o relacionamento mudaria.

Paulo Fona

*Com Bernardo Barbosa e Luciana Quierati, de São Paulo; e Estadão Conteúdo

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