PUBLICIDADE
Topo

Política

Lula diz que ficou comovido com ligação de Gilmar Mendes em velório de neto

Lula diz que ficou comovido com ligação de Gilmar Mendes em velório de neto - Miguel Schincariol - 7.abr.2018/AFP
Lula diz que ficou comovido com ligação de Gilmar Mendes em velório de neto Imagem: Miguel Schincariol - 7.abr.2018/AFP

Do UOL, em São Paulo

04/10/2019 11h30Atualizada em 04/10/2019 14h52

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, em entrevista ao site Migalhas, ter "ficado comovido" com a ligação que recebeu do ministro do STF Gilmar Mendes durante o velório de seu neto, Arthur Araújo Lula da Silva, de sete anos, que morreu vítima de infecção generalizada em março passado.

"Quando estou no velório do meu neto e me passam o telefone dizendo que era o ministro Gilmar que queria falar comigo, eu fiquei comovido, porque demonstrou que, por trás daquela cara, fisionomia dura e, às vezes, carrancuda, tem humanismo. E ele demonstrou uma relação humanista muito grande", disse Lula.

"O Tasso Jereissati [senador PSDB-CE] mandou uma carta pra mim. Os caras que conseguem fazer isso ainda demonstram que têm coração, sentimento, humanismo. Em compensação, recebi Twitter de pessoas do outro lado dizendo que a 'a melhor notícia do dia foi a morte do neto do Lula', sabe? Um crápula desse não pode ser considerado ser humano. Um crápula desse está muito mais pra ser um rato de esgoto do que um ser humano. Quando a pessoa demonstra que tem coração, a pessoa ganha meu respeito."

O ex-presidente também explicou que nunca foi "adversário" de Gilmar Mendes. Lula disse que não via o ministro como "político" e ressaltou que suas mulheres mantinham uma relação amistosa.

"Via o Gilmar como um homem que era ministro da Suprema Corte, que foi presidente da Suprema Corte, teve um papel brilhante. O Gilmar, quando foi presidente da Suprema Corte, foi muitas vezes no Palácio da Alvorada em jantares que eu fazia com outras personalidades. Eu tinha ele como um ministro importante na Suprema Corte", declarou Lula.

Procuradores da Lava Jato ironizaram luto de Lula

Mensagens enviadas ao site The Intercept Brasil por fonte anônima e analisadas pelo UOL revelam que procuradores da Lava Jato ironizaram e fizeram críticas a Lula e Gilmar Mendes na ocasião do velório do neto do ex-presidente.

Em 1º de março, o grupo Filhos de Januário 4, no Telegram, foi surpreendido com o compartilhamento de notícia sobre a morte de Arthur. Dias depois, o laudo da necropsia confirmaria a morte do neto de Lula por infecção generalizada provocada por uma bactéria.

A procuradora Jerusa Viecili diz: "Preparem para nova novela ida ao velório".

Deltan opina com base na decisão de Dias Toffoli no dia do enterro do irmão de Lula. "Tem q fazer igual o Toffoli deu", diz.

Após autorização judicial, Lula foi ao enterro do neto em uma aeronave cedida pelo governo do Paraná. Deltan encaminha aos colegas notícia sobre o contato telefônico feito entre Lula e o ministro do STF.

O procurador Roberson Pozzobon comenta: "Estratégia para se 'humanizar', como se isso fosse possível no caso dele rsrs".

No chat Winter is Coming, na mesma data, a procuradora Monique Cheker, que atua em Petrópolis (RJ), comenta a fala de Lula durante a despedida do neto. O grupo é composto por integrantes do MPF de diferentes estados.

No enterro, Lula afirmou que Arthur havia sofrido bullying na escola por ser seu neto e prometeu provar que não havia cometido irregularidades.

"Fez discurso político (travestido de despedida) em pleno enterro do neto, gastos públicos altíssimos para o translado, reclamação do policial que fez a escolta... vão vendo", diz Monique Cheker.

Após a publicação da reportagem, a procuradora Jerusa Viecili publicou um pedido de desculpas a Lula em suas redes sociais. "Errei. E minha consciência me leva a fazer o correto: pedir desculpas à pessoa diretamente afetada, o ex-presidente Lula", escreveu a procuradora em seu Twitter.

Procurada, a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba e a procuradora Monique Cheker, por meio da assessoria de imprensa do MPF no Rio, não se manifestaram sobre a reportagem do UOL.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do publicado no primeiro parágrafo, o neto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva morreu após infecção generalizada, e não por meningite. A informação foi corrigida.

Política