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Procuradora da Lava Jato pede desculpas a Lula por ironizar morte de Marisa

Procuradora da Republica Jerusa Burmann Viecili, durante coletiva de imprensa na Superintendencia da Policia Federal em Curitiba (PR) - Geraldo Bubniak/AGB
Procuradora da Republica Jerusa Burmann Viecili, durante coletiva de imprensa na Superintendencia da Policia Federal em Curitiba (PR) Imagem: Geraldo Bubniak/AGB

Alex Tajra

Do UOL, em São Paulo

27/08/2019 21h34Atualizada em 27/08/2019 23h17

A procuradora Jerusa Viecili, da Força-Tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, publicou um pedido de desculpas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em suas redes sociais na noite de hoje.

"Errei. E minha consciência me leva a fazer o correto: pedir desculpas à pessoa diretamente afetada, o ex-presidente Lula", escreveu a procuradora na noite de hoje em seu Twitter.

Ela foi uma das citadas na reportagem do UOL que mostrou que membros do Ministério Público Federal (MPF) ironizaram a morte da esposa de Lula, Marisa Letícia, em 2017, e os pedidos do ex-presidente para ir aos enterros de familiares que morreram neste ano.

Apesar de o perfil da procuradora não ter o selo de verificação do Twitter, publicações de sua conta já foram compartilhadas por Deltan Dallagnol, coordenador da Força-Tarefa no Paraná.

Jerusa: "Uma mensagem não autentica todo o conjunto"

Cerca de uma hora e meia depois da postagem, a procuradora voltou ao Twitter e disse que "uma mensagem não autentica todo o conjunto" e que "a existência de mensagens verdadeiras não afasta o fato de que as mensagens são fruto de crime e têm sido descontextualizadas ou deturpadas para fazer falsas acusações".

"Os procuradores da Lava Jato nunca negaram que há mensagens verdadeiras, exatamente porque foram efetivamente hackeados. Contudo, não é possível saber exatamente o quanto está correto, porque é impossível recordar de detalhes de 1 milhão de mensagens em 5 anos intensos", complementou.

A posição dos procuradores da Lava Jato, desde as primeiras mensagens divulgadas, tem sido a de questionar a autenticidade dos conteúdos vazados. Colocar em dúvida a veracidade das mensagens e citar a obtenção ilegal das conversas vêm sendo as principais estratégias da força-tarefa.

Procurada para comentar a matéria publicada hoje de manhã pelo UOL, a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba dissera que não poderia se manifestar sem ter acesso integral às conversas.

"Querem que fique para o enterro?"

A reportagem publicada hoje, em parceria com o The Intercept Brasil, mostra comentários jocosos dos membros da Lava Jato sobre a morte da ex-primeira-dama e os pedidos de Lula para deixar a cadeia e ir aos enterros do irmão Vavá e do neto Arthur.

Em uma das conversas, de 3 de de fevereiro de 2017, Jerusa escreveu "Querem que eu fique pro enterro?" e colocou um emoji sorrindo logo depois de outro procurador, Julio Noronha, publicar notícia sobre a morte de Marisa.

Em outra conversa, de 1º de março deste ano, a procuradora compartilha com os colegas matéria sobre a morte de Arthur e escreve: "preparem para nova novela ida ao velório".

Procuradores da Lava Jato ironizam morte de Marisa Letícia e luto de Lula

Lula manifesta "repulsa"

Lula afirmou, na tarde de hoje, que recebeu com "extrema indignação" e "repulsa" as mensagens jocosas divulgas nesta manhã.

Por meio de nota enviada ao UOL o ex-presidente disse que os procuradores "referem-se de forma debochada e até desumana" às mortes de seus entes queridos. Ele afirma ter recebido as revelações da reportagem com "extrema indignação".

"Foi com extrema indignação, com repulsa mesmo, que tomei conhecimento dos diálogos em que procuradores da Lava Jato referem-se de forma debochada e até desumana às perdas de entes queridos que sofri nos anos recentes: minha esposa Marisa, meu irmão Vavá e meu netinho Arthur".

O ex-presidente afirmou ainda que esta terça-feira (27) foi "um dos momentos mais tristes" na prisão. Lula disse não imaginar até então que "o ódio que nutriam" contra ele "chegasse a esse ponto".

"Mas não imaginava que o ódio que nutriam contra mim, contra o meu partido e meus companheiros, chegasse a esse ponto: tratar seres humanos com tanto desprezo, como se não tivessem direito, no mínimo, ao respeito na hora da morte. Será que eles se consideram tão superiores que podem se colocar acima da humanidade, como se colocam acima da lei?", afirmou.

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