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Maia fala em aproximação com Witzel e cita Huck em coalizão de centro

Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM) participa do Festival Piauí de Jornalismo, em São Paulo - 05.out.2019 - Suamy Beydoun/Agif/Estadão Conteúdo
Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM) participa do Festival Piauí de Jornalismo, em São Paulo Imagem: 05.out.2019 - Suamy Beydoun/Agif/Estadão Conteúdo

Wanderley Preite Sobrinho

Do UOL, em São Paulo

05/10/2019 15h05

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), admitiu hoje em São Paulo que se aproximou do governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), e que o apresentador Luciano Huck pode ser o nome em torno de uma coalizão de centro para as eleições de 2022.

Maia discorreu sobre o papel político de Luciano Huck, mas evitou comentar o conteúdo de uma conversa que manteve com ele em um jantar recente. "O Luciano gosta [da ideia de disputar a eleição em 2022], mas não é uma decisão que será tomada agora."

O apresentador quase saiu candidato pelo DEM na eleição de 2018. A desistência de Huck teria irritado Maia, que negou a desavença. "Não briguei com ele. Ele tinha de decidir se ia ser candidato, isso é da pessoa. Em algum momento ele me perguntou se íamos apoiá-lo, e eu disse que não era dono do partido, que ele tinha de decidir."

A candidatura de Huck em 2022, disse, geraria "muita expectativa" em atrair votos do Nordeste, tradicional reduto petista. "Ele entra na centro-direita no Nordeste principalmente."

Segundo o parlamentar, a dificuldade não são os partidos nem um nome em torno do qual se alinhar. "O problema é construir um projeto de centro: que projeto é esse? Quem lidera? O que falta é organizar um projeto independente", afirmou. "Pode ser com o Luciano; o Ciro Gomes [PDT] vai tentar também."

Quanto a ele próprio, Maia disse não ter "perfil" para o disputar o cargo de presidente. "Eu vou tentar fazer parte desse ambiente. Meu perfil não é de candidato majoritário, mas na política posso ajudar a coordenar e construir um bloco grande de partidos para um centro democrático, para um candidato em 2022."

Paes e Witzel?

Afirma-se nos bastidores que Maia costura um acordo com o governador do Rio para viabilizar a candidatura de Eduardo Paes (DEM) para a prefeitura da cidade nas eleições municipais de 2020. Na entrevista, Maia lembrou que fez oposição a Witzel na campanha, mas que é "grato" ao atual governador por reunir a bancada de seu partido na Câmara para votar em seu nome na eleição para a Presidência da Casa.

"Não vamos ocupar lugar no governo Witizel em hipótese alguma, mas vamos levar [a ele] os prefeitos do DEM para mostrar que queremos colaborar com o governo. A população do Rio o elegeu, temos a obrigação de ter diálogo."

Sobre a política de segurança pública implementada na cidade, Maia disse que não concorda. "Ao longo do tempo ele vai compreender que esse tema é mais sensível no Rio do que em outros estados. Ele vai sendo aplaudido até uma morte como a da Ághata", afirmou em referência à menina de 8 anos morta recentemente com um tiro nas costas durante uma operação policial.

Maia admitiu, no entanto, a dificuldade em unir Paes e Witzel: "Nem ele tem interesse nem o Eduardo. Como explicar da noite para o dia estarem juntos?"

Lava Jato e novas regras para eleições

O presidente da Câmara aproveitou para cutucar a força-tarefa da Lava Jato. Ele disse que os procuradores defendiam o uso de provas obtidas mesmo que de forma irregular, mas que mudaram de ideia desde os vazamentos publicados pelo site The Intercept Brasil comprometeram a imagem da operação.

"Você está discutindo que a prova é ilícita, mas o conteúdo é relevante ou não? Quem defendeu a lei é quem está contestando os vazamentos", disse.

Sobre a suspeita de que ele também recebeu dinheiro da construtora Odebrecht em um esquema de caixa 2, Maia afirmou que, "depois de dois anos da denúncia, a única informação é a do delator". Ele teria recebido o dinheiro em sua casa em 2008. "A outra [suspeita] é uma doação oficial em 2014 de R$ 200 mil que está registrada na campanha."

PF diz que Rodrigo Maia recebeu "caixa 3" da Odebrecht

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Maia também defendeu a aprovação pela Câmara, no dia 18 de setembro, do projeto de lei que muda as regras para partidos políticos e para as próximas eleições. A regra, que aguarda sanção presidencial, amplia, por exemplo, o uso do fundo partidário, cuja verba pode ser destinada para pagar "juros, multas, débitos eleitorais e demais sanções aplicadas por infração à legislação eleitoral ou partidária".

"Nenhuma lei é perfeita, mas o problema não está nesta lei. O problema está na desfuncionalidade do Estado brasileiro", disse. Para ele, as novas regras não facilitam a corrupção. "Então qualquer coisa que se faz no Brasil as pessoas vão querer burlar a lei? Então o problema é maior?"

Maia alfineta família Bolsonaro

O presidente da Câmara também fez graça com a família Bolsonaro. Questionado sobre as razões pelas quais parou de responder às provocações do presidente, Maia comentou uma publicação no Instagram em que Bolsonaro se refere ao democrata como "o primeiro-ministro das couves".

"O grave caso do inquérito do nosso primeiro-ministro das couves seja esquecido e ninguém fale dele", afirmou Bolsonaro em um stories.

"Nem acho que foi o Bolsonaro. Alguém reproduziu para ele, né?", afirmou, em alusão ao vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ).

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