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Bolsonaro encara Witzel ao falar em "inimigos dentro e fora do país"

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio de Janeiro

11/10/2019 16h22

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) falou hoje, em evento da Marinha em Itaguaí, na Baixada Fluminense, sobre a existência de "inimigos dentro e fora do país, os de dentro são os mais terríveis". A declaração foi dada olhando fixamente para o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), que já se colocou como pré-candidato à Presidência em 2022.

Bolsonaro citou também "quem por ventura (...) um dia por acaso venha assumir o destino da nação" e voltou a encarar Witzel, que estava sentado no palco ao lado de autoridades, à direita de onde o presidente discursava. Antes disso, Bolsonaro não se levantou para cumprimentar Witzel, estendendo a mão sem entusiasmo, após o governador discursar.

"Trabalho para que no futuro quem por ventura, de forma ética, moral e sem covardia, um dia por acaso venha assumir o destino da nação encontre a nossa pátria em situação bem melhor do que encontrei quando assumi no corrente ano."

"Como político digo a vocês, o nosso partido é o Brasil. Temos inimigos dentro e fora do Brasil, os de dentro são os mais terríveis. Os de fora nós venceremos com tecnologia, disposição e meios de dissuasão", afirmou.

Ao falar daqueles que entende ser "inimigos externos", o presidente afirmou que governos estrangeiros "tentam colocar o país em uma posição de colônia, que não será aceita". Bolsonaro citou seu recente discurso na ONU como uma mostra da política externa brasileira e falou em soberania.

"Na ONU, disse que a Amazônia é nossa e é patrimônio do Brasil. Mas, para garantir isso, precisamos engenho, de meios, de homens e mulheres preparos, abnegados e com vontade de cada vez mais seguir a pátria. Lá fora, cada vez mais, querem nos colocar numa situação de colonizados. Como cristão, peço vida e coragem para que possamos ter boas políticas para levar esse país ao lugar que merece", disse.

A crise entre Bolsonaro e Witzel, por causa da vontade do governador do Rio em concorrer à presidência, ganhou novos contornos no último mês. Depois de críticas feitas por Witzel a Bolsonaro, o presidente do diretório fluminense do PSL, o senador Flávio Bolsonaro (RJ), ordenou aos deputados estaduais do partido que deixassem a base do governo na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). No entanto, Flávio recuou da decisão dias depois e permitiu que os parlamentares fluminenses optassem por seguir, ou não, votando favoráveis às pautas de interesse de Witzel.

Em seu discurso, Witzel tentou contornar a situação e afirmou contar com "a ajuda de Flávio Bolsonaro para fazer o Rio de Janeiro voltar a ser grande".

"Senadores Flávio Bolsonaro e Arolde de Oliveira, nós, que caminhamos juntos nas eleições, carregamos sonhos em comum. Nós temos sonhos similares à Marinha, o sonho de ser grande, de proteger a pátria. Esse estado já foi traído por quem pediu votos. Este estado voltará a ser grande", disse.

Witzel foi eleito governador do Rio depois de se aliar a Flávio e se declarar alinhado aos ideais do então candidato à Presidência da República. Em pouco mais de duas semanas, o ex-juiz federal saltou nas pesquisas de intenção de votos e foi eleito governador depois de participar de caminhadas com o senador.

As declarações de Bolsonaro e Witzel foram dadas durante o evento que celebrou mais uma etapa de construção do submarino Humaitá, o segundo dos quatro previstos no Prosub (Programa de Desenvolvimento de Submarinos) do governo federal. O evento foi realizado no Complexo Naval de Itaguaí.

O Prosub prevê a produção de quatro submarinos de classe "convencional" —como o Humaitá— e será concluído com a fabricação de um quinto submarino, o primeiro brasileiro com propulsão nuclear, cuja entrega é prevista para 2029. Desta forma, o Brasil passaria a integrar o grupo formado atualmente por apenas seis países do mundo que constroem e operam submarinos com propulsão nuclear.

A construção de submarinos é considerada fundamental para o desenvolvimento da indústria naval brasileira e permite o intercâmbio de tecnológico entre especialistas do Brasil e da França.

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