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Marielle: Bolsonaro nega obstrução de Justiça ao pegar gravação da portaria

O presidente Jair Bolsonaro, no Palácio do Alvorada - Adriano Machado/Reuters
O presidente Jair Bolsonaro, no Palácio do Alvorada Imagem: Adriano Machado/Reuters

Do UOL, em São Paulo

02/11/2019 19h25

Resumo da notícia

  • Bolsonaro disse que pegou gravações do condomínio que contradizem o porteiro
  • Porteiro havia dito que Bolsonaro autorizou entrada de acusado de matar Marielle
  • MP ouviu gravações da portaria e disse que quem autorizou foi outro morador - Ronnie Lessa, também acusado
  • Peritos do Rio criticam laudo do MP e dizem que alguém pode ter adulterado equipamento de gravação
  • Oposição diz que Bolsonaro obstruiu Justiça ao obter áudio objeto de investigação
  • Presidente nega irregularidades

Após afirmar que teve acesso às gravações da portaria de seu condomínio, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou, em entrevista ao site O Antagonista, que é "forçação de barra" interpretar isso como uma possível obstrução à Justiça.

"Não fizemos cópia de nada, não levamos a secretária eletrônica a lugar nenhum. Meu filho foi lá, botaram na tela 14 de março do ano passado e onde tinha ligação para as duas casas, para a minha e a dele, ele clicou em cima e gravou o áudio. Nada mais além disso. Qualquer outra interpretação é forçação de barra.", disse o presidente.

Mais cedo, a jornalistas, o presidente afirmara que "pegou" a gravação antes "dela ser adulterada". "Pegamos lá toda a memória da secretária eletrônica que é guardada há mais de anos. A voz não é a minha, não é do 'seu Jair'. Agora, o que que eu desconfio? Que o porteiro leu sem assinar ou induziram ele a assinar aquilo. Agora quem está por trás disso? Governador, Wilson Witzel", declarou.

Bolsonaro não deixou claro por quem ou por qual motivo o conteúdo seria adulterado. Ele também não esclareceu em qual data teve acesso às gravações do condomínio.

Na quarta-feira (30), o filho de Bolsonaro, Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), mostrou gravações da portaria do condomínio e não havia registros de ligações do porteiro para seu pai.

Nesta semana, o Jornal Nacional apontou que o porteiro do condomínio de Bolsonaro, em depoimento, disse que um dos suspeitos de assassinar Marielle, Élcio Queiroz, pediu autorização na casa de Jair Bolsonaro para entrar. Após a ligação, ele seguiu para casa do comparsa Ronnie Lessa. O Ministério Público desmentiu o depoimento do porteiro.

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